por Daniel Ruy Pereira

Lembro, antes de sair do Brasil e ir morar na Irlanda (onde o futebol não é uma paixão), que eu costumava ouvir os jogos do São Paulo pela CBN, enquanto ao mesmo tempo tweetava junto com os outros são-paulinos. Um dia Deva Pascovicci me mandou um abraço.

Ele morreu na queda do avião que matou todos os outros jornalistas, jogadores e comissão técnica. Assistindo hoje ao Jornal Nacional, me emocionei com a história de alguns deles que seriam pais pela primeira ou terceira vez – nesse caso o bebê nunca terá conhecido o pai. Olhei para minha bebê Sophia.

Mostraram as fotos de Lorenzo, filho do goleiro Danilo, que crescerá com uma memória parcial do pai, oriunda dos videos deste ano marcante para o Chapecoense. Olhei, de novo, para a Sophia.

Acho que, então, eu me lembrei. Eu gosto de futebol. Muito.

Quando estava na Inglaterra, sentia falta de ver os jogos do São Paulo. Talvez por isso nunca quis saber de rugby – pura dor de cotovelo. Lamentei amargamente a fase terrível da Seleção Brasileira, sofrendo num pub irlandês a cada um dos 7 gols.

Eu ainda jogo Nintendo Pocket Football Club no meu 3DS, mesmo com raiva da CBF e da má fase do São Paulo. Quero ver como o Rogério se sai como técnico, no ano que vem.

A cada ano, meu amor pelo esporte é regado da nostalgia de 1992 e 1993, quando acordei de madrugada pra ver o São Paulo campeão mundial; perdendo a final da Libertadores em 1994, com o Palhinha batendo pênalti no travessão. Jogando International SuperStar Soccer com meu irmão, na década de 1990. Colecionando figurinhas com meu primo Marcelo e amigo Bruno.

Minha fé cristã me ensina que Deus ativamente permitiu a queda deste avião. Deus, em Sua soberania, pôs fim na vida de todas essas pessoas, de modo que não foi um acidente fortuito, mas algo realizado por Ele, com um propósito direto aos que nele morreram, aos que sobreviveram e a todos os envolvidos direta ou indiretamente. Não foi por acaso. A doutrina da providência serve para confortar nossos corações pesados. Mas eu fico triste mesmo assim.

Senhor Deus, console e conforte as famílias e amigos de todos os que morreram no acidente. Cuide da Chapecoense e da cidade de Chapecó. E mostre Teu amor a todos eles. Em nome de Jesus, amém.

Na lápide do meu avô Miguel – corinthiano roxo – escrevemos o seguinte:

“Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá, e todo aquele que crê em mim não morrerá, eternamente. Crês tu nisso?” (João 11:25-26)

Deus os abençoe e conforte, Chapecoenses.

Um abraco,

Daniel.