por Daniel Ruy Pereira

Querido Senhor Jesus,
Abençoe este cordel
Use-o para tua glória
Que este mundo aqui já deu!
Não me dá satisfação
E eu quero logo ir pro céu

Quando te ouvi a alma ardeu
Não queria parar, mas
O velho homem que está em mim
Agiu como um capataz
Me perseguiu, me bateu
E eu voltei às obras más

Tão triste! Tão incapaz
Era eu de fugir dali!
A cadeia da alma humana
Faz que a Bondade se cale
Porém o Cordeiro de Deus
Um dia passou por ali

E nós, feito javali,
Não o entendemos ao vê-lo
Ele falava de amor,
De paz, de restaurar o elo
Entre Deus e a humanidade.
Nunca vi algo tão belo!

Maldade sem paralelo!
Quando o vimos o odiamos
Dele zombamos pra burro
E por fim crucificamos
Um ser inocente e lindo
Nele batemos! Cuspimos!

Deus! A que ponto chegamos!
Pagamos amor com ódio
A Trindade assim o quis
(Mesmo olhando com repúdio
A nossa bestialidade
Nesse famoso episódio)

Teu sangue é o nosso remédio
Contra a doença do pecado
A poesia é o meu jeito
De dizer “muito obrigado”
O teu amor Deus é tão grande
Mas o meu, tão limitado!

Fico aqui, todo abobado,
Ao pensar em misericórdia
Algo a que não tem direito
O homem – criatura vadia –
Que só faz te desprezar
Dia e noite, noite e dia

Só Cristo é melodia
Que toca o coração mau
Pode perdoar qualquer um
Mesmo que seja um animal
Basta crer e confessar
Pra tudo voltar ao normal

A distância é abismal
Entre Deus e o pecador
Jesus é a ponte que leva
Pra longe do assustador
Inferno – e me faz, de um pobre,
Um cristão e um embaixador