por Daniel Ruy Pereira

Não classifique cristãos como Lineu. Uma vez que todos eles pertencem ao mesmo Reino e diferem em filos, classes, ordens e em famílias.

Há muitos gêneros deles, e cristãos de muitas espécies. Alinha-los lineanamente, linearmente, assim, não faz sentido.

Como este grupo é monofilético, o cristão é melhor compreendido em termos de ancestralidade comum; todas as espécies se originando, em função do tempo e condições ambientais, por um processo de eleição incondicional.

O ancestral comum do grupo, sabe-se, é uma espécie única de Videira, que ainda está viva e não é encontrada no registro fóssil.

(Portanto a árvore da vida ainda é a melhor representação para esse grupo).

As mutações no grupo foram se acumulando com o tempo, de maneira que muitas espécies vagam por aí.

Há o Christianus romanum, que pode ser observado abrigando-se inquestionavelmente próximo ao seu macho alfa, raramente, porém, à sombra da Videira onde os outros representantes do Reino constróem seu ninho.

O C. bizzarus, conhecido por suas danças ridículas e a emissão de sons ininteligíveis e inúteis nas florestas do mundo todo, especialmente as tropicais sul-americanas; geralmente se isola dos outros grupos, atacando-os ao menor sinal de intrusão. Frequentemente confunde a Videira com outras árvores.

Já o C. credulus é famoso por passar a vida coletando recursos e entregando grande parte deles a representantes da Pior specie. (Cogita-se ser este um comportamento pseudo-mutualista, pois ambas as espécies serão claramente destruídas no processo, embora não pareça assim no início. Essa espécie parece ser avessa a qualquer intervenção educacional. Não parece se importar com a Videira, de um modo geral.)

Há muitos outros tipos de cristão, e muitos podem ser domesticados com uma dieta natural muito simples consistindo de manjares comuns; com isso passam a viver tranquilamente em qualquer ecossistema, mimetizando outros comportamentos, semelhantes ao camaleão. Mas nesse caso sua vida é claramente miserável.

Contudo correm rumores que outra espécie, o C. authenticus, ainda vaga por aí, inalterada pela evolução, selvagem e indomável, especialmente quando em grupo e quando corretamente alimentada com trigo e vinho.

Dela seria sábio se afastar, pois captura suas presas, por diferença comportamental e padrões linguísticos distintos, levando-as para sua toca (em tronco de Videira), onde a presa morre e, em um reação envolvendo água, trigo e fermentado de uva (sob a ação de Fogo),

metamorfozeia e eclode uma nova criatura num processo reprodutivo não compreendido (mas possivelmente muito doloroso), tornando-se também um Christianus authenticus, sustentado pela Videira.