por Daniel Ruy Pereira

Qual forma você quer, coração?
Por que o desespero por perfeição?

Não quero círculos eternos
Ou perfeitos; não quero triângulos
Sejam isósceles, escalenos, retângulos
Nem me importo com dois, três ou n planos

Pirâmide? Pode ser bela
Por fora. Dentro é vazia e escura
E a esfera, por mais cheia e sem fratura
Que seja, não é algo por quê minha alma anela

Divida, contudo, o tal círculo
E faça 360
Virar quatro fatias de 90,
E você vai ver, nesse bendito ângulo,

Que duas retas lá se cruzam
Colidem explosivas e vão
Eternas, firmes. Alma de trovão
rumo aos infinitos. A História mimetizam!

90 graus que querem Deus;
270 pra além
da terra, longe da Jerusalém
Eterna, pro lugar onde todos meus

Pecados – onde eu! – devem estar
E a reta aponta eterna pra lá!
Ai! Bendito 180! Que fala
De Quem tanto amou, tanto, que quis aguentar

A Plenitude dos noventa,
Em seu Destino final, num ponto
E dentro do ponto o infinito pronto
Pra percorrer os 270

Chegando, enfim, no fim infernal,
Vendo Deus, seu amado Pai, irado,
Mas já pronto a perdoar, do outro lado
A este pontinho aqui – infinitesimal!

Se eu apenas crer, e me esconder
No Único que fez o caminho
De volta, prego e coroa de espinho
De souvenir, e foi de um extremo a outro ascender

Pra ter o amor eterno (mas
Incompleto) de um ponto como eu
Que olha, grato, pro Cordeiro de Deus,
Resposta pra todos os nossos teoremas.

Qual forma você quer, coração?
Por que o desespero por perfeição?

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