por Daniel Ruy Pereira

A abertura na parede não é grande coisa
O lugar também não é grande coisa, tampouco
É o jeito que ele entra que, de cara já mostra:
Grande coisa parece ser o chão à mostra
Um chão sem particularidades, hipnótico,
Conforme ele pisa, pisa, pisa e pisa

Até tenta fugir. Olha para os vitrais.
Para as belas e brilhantes fontes de música;
Para os outros que olham e chamam de volta
Uma voz, porém, se destaca entre as demais:
A voz do chão, tão dissonante, tão harmônica!
De um minimalismo magnético na pauta

Mas resiste, aumentando o seu fone de ouvido
(Tolo). Ele procura um banco bem reservado.
Vê um bem confortável e corre pra lá sem medo
E “ele” senta ao seu lado, sem ser convidado;
“Por que você me evita? Acha que me excedo?”
Ah, chão! Quão alto e inespremível seu gemido!

A gravidade do chão é muito mais forte,
é de uns 20 metros por segundo ao quadrado.
Inescapável. Está claro agora. E ele cai
de joelhos. (Só indo pro Sul pra chegar ao Norte.)
E ele vê, nas lágrimas e no chão molhado,
que agora sim entrou de vez na casa do Pai.

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