Publicado (texto e imagens) com autorização de Creation Ministries International.
Texto original: BATTEN, Don. “Noah’s Flood – what abou all that water?Creation Ministries International, 2008.

Um modelo da Arca, por Steve Cardno.
Um modelo da Arca, por Steve Cardno.

por Dr. Don Batten*
Tradução Daniel Ruy Pereira
Revisão Jadson Oliveira

Ao nos contar sobre o Dilúvio que cobriu a Terra nos dias de Noé, a Bíblia explica de onde vieram as águas e para onde elas foram. De acordo com Gênesis 7:11, essas águas eram oriundas das “fontes do grande abismo” e das “janelas dos céus”.

“As fontes do grande abismo”

 As “fontes do grande abismo” são mencionadas antes de “as janelas do céu”, o que possivelmente indica ou a importância relativa dos eventos ou a sua ordem.

O que são as “fontes do grande abismo”? Essa frase só é utilizada em Gênesis 7:11. “Fontes do abismo” é utilizada em Gênesis 8:2, onde claramente se refere à mesma coisa, e Provérbios 8:28, onde o sentido exato não está claro. “O grande abismo” é utilizado três outras vezes: em Isaías 51:10, onde é uma clara referência ao oceano; em Amós 7:4, onde se diz que o fogo do julgamento de Deus seca o grande abismo – provavelmente os oceanos – e Salmos 36:6, onde é usado metaforicamente com relação à profundidade da justiça ou julgamento de Deus. “O abismo” é usado mais frequentemente, e normalmente se refere aos oceanos (por exemplo, em Gênesis 1:2, Jó 38:30, 41:32, Salmos 42:7, 104:6, Isaías 51:10, 63:13, Ezequiel 26:19, Jonas 2:3), mas às vezes a fontes aquíferas subterrâneas (Ezequiel 31:4,15). A palavra hebraica mayan, traduzida como “fontes”, pode significar “fonte artificial, fonte natural ou poço” (Strong’s Concordance).

Assim, as “fontes do grande abismo” referem-se à água oriunda provavelmente de origem oceânica ou possivelmente subterrânea. No contexto do relato bíblico do Dilúvio, poderia significar ambas.

Se as fontes do grande abismo foram a origem da maior quantidade de água, então elas devem ter sido uma imensa fonte de água. Alguns sugeriram que quando Deus fez a terra seca aparecer de debaixo das águas, no terceiro dia da criação, parte da água que cobriu a terra ficou presa embaixo e no interior da terra (1).

Gênesis 7:11 diz que, no dia em que o Dilúvio começou, houve um “rompimento” dessas fontes, o que implica na liberação da água, possivelmente por meio de largas fissuras no solo ou da invasão terrestre do mar. As águas que estavam sendo retidas irromperam com consequências catastróficas.

Há muitas rochas vulcânicas intercaladas entre camadas fósseis no registro fóssil – camadas que foram obviamente depositadas durante o Dilúvio de Noé. Assim, é muito plausível que essas “fontes do grande abismo” tenham envolvido uma série de erupções vulcânicas com prodigiosas quantidades de água irrompendo do chão. É interessante que 70% ou mais de tudo o que vem dos vulcões atualmente seja água, frequentemente na forma de vapor.

Pode-ser esperar muita atividade vulcânica em um cataclismo como o Dilúvio.
Pode-ser esperar muita atividade vulcânica em um cataclismo como o Dilúvio.

É possível que a água tenha vindo do manto terrestre. Geólogos calculam que as rochas do manto ainda contenham dentro de sua estrutura mineral água suficiente para encher os oceanos pelo menos mais dez vezes (2). Eles também reconhecem que materiais vêm da parte externa do manto, chamado por eles de “manto empobrecido” (3).

No seu modelo catastrófico das placas tectônicas aplicado ao Dilúvio (veja o livreto E quanto à deriva continental?), Austin et al (4) propõem que, nas fases iniciais do Dilúvio, o assoalho oceânico se elevou, rapidamente, a mais de 2 mil metros, devido ao aumento de temperatura relacionado à aceleração no movimento das placas tectônicas. Isso teria derramado a água do mar na terra e causado um alagamento massivo – talvez o que seja descrito como “fontes do grande abismo”.

“As janelas do céu”

Outra origem para as águas do Dilúvio são “as janelas do céu”. Gênesis 7:12 diz que choveu por 40 dias e 40 noites continuamente.

Gênesis 2:5 nos conta que não havia chuva antes de o homem ter sido criado. Alguns sugeriram que não havia pluviosidade em lugar algum na Terra até à época do Dilúvio. Contudo, a Bíblia na verdade não diz isso e, portanto, não deveríamos ser dogmáticos (5).

Alguns têm argumentado que o uso que Deus faz do arco-íris como sinal de Sua aliança com Noé (Gênesis 9:12-17) sugere que não havia arco-íris e nem chuvas ou nuvens, antes do Dilúvio. Contudo, se os arco-íris (e as nuvens) existisse antes do Dilúvio, este não seria o único caso em que Deus teria usado algo pré-existente como sinal “especial” de uma nova aliança (por exemplo, pão e vinho na Santa Ceia).

É difícil de visualizar um ciclo da água pré-diluviano sem nuvens e chuva, uma vez que o calor do sol, mesmo naquela era, deve ter evaporado grandes volumes de águas superficiais, que teriam eventualmente condensando novamente. E gotas de água formam as nuvens, de onde se obtém a chuva.

A expressão “janelas do céu” é usada duas vezes em referência ao Dilúvio (Gênesis 7:11, 8:2). É usada apenas três vezes em qualquer outro lugar no Velho Testamento: em 2 Reis 7:2,19 e em Malaquias 3:10. Em todos os três casos, se refere a Deus intervindo de um modo extraordinário a fim de derramar bênçãos sobre o Seu povo. “Janelas do céu” não é uma expressão aplicada a eventos comuns. Claramente, em Gênesis, a expressão sugere a natureza extraordinária da chuva constante do Dilúvio. Não é um termo aplicado a chuva comum.

E quanto às “águas da expansão”?

Somos informados, em Gênesis 1:6-8, que no segundo dia da Criação, Deus dividiu as águas que estavam na Terra das águas que Ele colocou acima dos céus quando Ele criou a “expansão” (em hebraico, raqiya, que significa “expansão”) entre aquelas águas (6). Muitos concluíram que essa “expansão” era a atmosfera, porque Deus colocou os pássaros na expansão, sugerindo que ela inclui a atmosfera onde os pássaros voam. Isso colocaria essas águas acima, na atmosfera.

No entanto, Gênesis 1:20, falando da Criação dos pássaros, diz (literalmente) “que os pássaros voem acima do chão, na face da expansão dos céus.” (7). Isso no mínimo permite que “a expansão” inclua o espaço entre a atmosfera.

Dr. Russell Humphreys (8) argumenta que, uma vez que Gênesis 1:17 nos diz que Deus pôs também o sol, a lua e as estrelas “na expansão dos céus”, a expansão deve pelo menos incluir o espaço interestelar, e portanto as águas acima da expansão de Gênesis 1:7 estariam além das estrelas, nas fronteiras do universo (9).

Porém, preposições (em, sob, acima, etc.) são, de algum modo, flexíveis em hebraico, bem como em português. Pode se dizer que um submarino está tanto embaixo d’água como na água. De modo semelhante, as águas poderiam estar acima da expansão e na expansão, de modo que talvez devêssemos ser cuidadosos para não ir muito além do que dizem essas expressões.

Assim, o que seriam essas “águas da expansão”? Alguns dizem que elas são simplesmente as nuvens. Outros pensaram nelas como um “dossel de vapor de água”, implicando em um cobertura de vapor d’água ao redor da Terra.

Um dossel de vapor d’água?

Dr. Joseph Dillow pesquisou muito sobre a ideia de um dossel de vapor d’água ao redor da Terra antes do Dilúvio (10). Em uma modificação da teoria do dossel, o Dr. Larry Vardiman (11) sugeriu que muito das “águas de cima” poderia ter sido armazenado em pequenas partículas de gelo distribuídas nos anéis equatoriais ao redor da Terra, mais ou menos como aqueles ao redor de Vênus.

A referência a Gênesis 7:11 às janelas do céu sendo abertas tem sido interpretada como o colapso desse dossel de vapor d’água, que de algum modo se tornou instável e caiu como chuva. Erupções vulcânicas associadas com o rompimento das fontes do grande abismo poderiam ter lançado poeira no dossel, fazendo com que o vapor de água englobasse as partículas de poeira e formasse chuva.

Dillow, Vardiman e outros sugeriram que o dossel de vapor causou um leve efeito estufa antes do Dilúvio, permitindo um agradável clima sub-tropical a temperado em torno de todo o planeta, até mesmo nos polos, onde hoje está congelado. Isso poderia ter causado o crescimento de uma vegetação exuberante nas terras de todo o globo. A descoberta, na Antártica, de jazidas de carvão contendo vegetação que hoje não é encontrada crescendo nos polos, mas que obviamente cresceu sob condições de maior temperatura, foi tomada como suporte a essas ideias. (12)

Um dossel de vapor também afetaria o sistema global de ventos. Além disso, as montanhas eram, quase sem dúvida, não tão altas antes do Dilúvio como são hoje (veja adiante). No mundo atual, os principais ventos e altas extensões das montanhas são uma importante parte do ciclo da água, que traz chuva aos continentes. Antes do Dilúvio, porém, esses fatores teriam feito com que o sistema climático fosse diferente.

Um grande problema com a teoria do dossel

Vardiman (13) reconheceu uma grande dificuldade com a teoria do dossel: que o melhor modelo de dossel ainda dá uma temperatura intoleravelmente alta na superfície da Terra.

Rush e Vardiman tentaram uma solução (14), mas descobriram que seria preciso reduzir drasticamente a quantidade de vapor de água no dossel de uma chuva equivalente a 12 m para apenas 0,5 m. Modelos posteriores sugeriram que um máximo de 2 m de água poderia ser sustentado nesse dossel, mesmo se todos os fatores relevantes fossem ajustados aos melhores valores possíveis a fim  de maximizar a quantidade de água armazenada (15). Um dossel tão reduzido assim não contribuiria de forma significativa para os 40 dias e 40 noites de chuva do início do Dilúvio.

Muitos cientistas criacionistas estão agora ou abandonando o modelo de dossel de vapor d’água ou não mais enxergando qualquer necessidade para esse conceito, particularmente se outros mecanismos razoáveis pudessem ter fornecido a chuva (17). Por exemplo, no modelo catastrófico das placas tectônicas para o Dilúvio (18), a atividade vulcânica associada com o rompimento do assoalho oceânico pré-diluviano teria criado um gêiser linear (como uma parede) de vapor superaquecido a partir do oceano, causando uma intensa chuva global.

Não obstante, qualquer que seja a fonte ou mecanismo, a afirmação escriturística sobre as janelas do céu se abrindo é uma descrição adequada de uma chuva torrencial por todo o globo.

Para onde foi toda a água?

Toda a Terra foi coberta com as águas do Dilúvio, e o mundo que então existia foi destruído pelas mesmas águas das quais as terras haviam originalmente emergido, por ordem de Deus (Gênesis 1:9, 2 Pedro 3:5-6). Mas para onde aquelas águas foram depois do Dilúvio?

Há muitas passagens nas Escrituras que identificam as águas do Dilúvio com os atuais mares (Amós 9:6 e Jó 38:8-11; note “ondas”). Se as águas ainda estão aqui, porque as maiores montanhas não continuam cobertas com água, como estavam nos dias de Noé? Salmos 104 sugere uma resposta. Depois que as águas cobriram as montanhas (verso 6), Deus falou e elas fugiram (verso 7); as montanhas se elevaram, os vales afundaram (verso 8) e Deus estabeleceu um limite, e assim elas nunca mais cobririam a Terra novamente (verso 9) (19). São as mesmas águas!

Isaías faz a mesma declaração de que as águas de Noé nunca mais cobririam a Terra (Isaías 54:9). Claramente, a Bíblia está nos dizendo que Deus alterou a topografia da Terra. Novas massas de terra continentais transportando novas cadeias de montanhas de estratos de rochas dobradas foram soerguidas de debaixo das águas circundantes do globo, que erodiram e nivelaram a topografia pré-diluviana, enquanto  que grandes e profundas bases oceânicas se formaram para receber e acomodar as águas do Dilúvio que foram então drenadas dos continentes emergentes.

É por isso que os oceanos são tão profundos, e porque há extensas montanhas dobradas. De fato, se toda a superfície da Terra fosse nivelada pelo suavizamento da topografia, tanto da superfície rochosa como do assoalho oceânico, as águas do oceano cobririam a Terra a uma profundidade de 2,7 km. Precisamos nos lembrar de que cerca de 70% da superfície da Terra ainda é coberta por água. Fica bem claro, portanto, que as águas do Dilúvio de Noé são a base dos oceanos atuais.

Sem montanhas ou bases oceânicas, a água teria coberto toda a Terra a uma profundidade de 2,4km (a figura não está em escala).
Sem montanhas ou bases oceânicas, a água teria coberto toda a Terra a uma profundidade de 2,4km (a figura não está em escala).

Um mecanismo?

O modelo catastrófico das placas tectônicas fornece um mecanismo para o afundamento dos oceanos e para a elevação das montanhas no fim do Dilúvio.

Conforme os novos assoalhos oceânicos resfriavam, teriam ficado mais densos e afundaram, permitindo que a água dos continentes escoasse. O movimento da água dos continentes para os oceanos teria sobrecarregado o assoalho oceânico e aliviado os continentes, resultando em mais aprofundamento da base oceânica, bem como o soerguimento dos continentes (18). O afundamento das bases oceânicas e o soerguimento dos continentes teria resultado em mais escoamento de água.

A colisão das placas tectônicas teria empurrado as montanhas para cima, elevando-as, especialmente no período final do Dilúvio.

A água poderia ter encoberto o Monte Everest?

O Monte Everest tem quase 9km de altura. Como, então, poderia o Dilúvio ter encoberto “todas as altas montanhas debaixo dos céus”?

Mesmo as mais altas montanhas da atualidade contém fósseis de criaturas marinhas perto de seus picos.
Mesmo as mais altas montanhas da atualidade contém fósseis de criaturas marinhas perto de seus picos.

A Bíblia se refere somente a “grandes colinas”, e as montanhas atuais foram formadas somente no final, e depois, do Dilúvio, pela colisão das placas tectônicas e a elevação a isso associada. Em apoio a isso, as camadas que formam as partes mais altas do Monte Everest são compostas de estratos fossilíferos depositados pela água (19).

Esse soerguimento das novas massas terrestres continentais de debaixo das águas do Dilúvio significariam que, conforme as montanhas se elevaram e os vales afundaram, as águas teriam sido rapidamente drenadas das novas terras superficiais emergentes. O colapso das represas naturais que retinham as águas do dilúvio na terra teriam também causado um alagamento catastrófico. Um movimento assim tão rápido de grandes volumes de água teria causado uma erosão extensa e moldado os traços básicos da superfície da Terra que vemos hoje.

O gráfico mostra a quantidade de água na superfície da Terra em diferentes altitudes (ref. 21). Se apenas a superfície terrestre fosse nivelada, uma elevação média no assoalho oceânico maior que 840m inundaria o mundo. Tais movimentos tectônicos parecem gigantescos para nós, mas comparados ao raio da Terra (6.378km), o movimento é muito pequeno, cerca de 0,1%.
O gráfico mostra a quantidade de água na superfície da Terra em diferentes altitudes (ref. 21). Se apenas a superfície terrestre fosse nivelada, uma elevação média no assoalho oceânico maior que 840m inundaria o mundo. Tais movimentos tectônicos parecem gigantescos para nós, mas comparados ao raio da Terra (6.378km), o movimento é muito pequeno, cerca de 0,1%.

Assim, não é difícil visualizar o rápido esculpir das características paisagens que vemos na Terra hoje, incluindo lugares como o Grand Canyon, nos EUA. A forma atual dos Uluru (Ayers Rock), um monólito de arenito na Austrália central, é o resultado de erosão, seguida de inclinação e soerguimento, de leitos de areia previamente horizontais. A areia rica em feldspato que forma o Uluru deve ter sido depositado bem rápido e recentemente. O transporte de longas distâncias da areia teria feito com que os grãos ficassem arredondados e variados, enquanto que eles são, normalmente, denticulados e não-variados. Se eles foram depositados lentamente em um leito lacustre secando ao sol por éons, que é a história contada nas placas do centro do parque, o feldspato teria resistido e se convertido em argila. De modo semelhante, se o Uluru tivesse se depositado em uma área outrora úmida da Austrália central por milhões de anos, teria se convertido em argila (20). De igual modo, as Kata Tjuta (os Olgas), nas proximidades, são compostos de uma mistura indiferenciada de grandes seixos, areia e lama, indicando que o material deve ter sido transportado e depositado muito rapidamente.

As águas do dilúvio, ao recuarem, erodiram a terra, criando vales de rio. Isso explica porque os rios são frequentemente muito menores que os vales que eles formam atualmente – eles não esculpiram os vales. O fluxo de água que esculpiu os vales de rio deve ter sido muito maior que o volume de água que vemos fluindo dos rios hoje. Isso é consistente com as volumosas águas do Dilúvio drenando as superfícies terrestres emergentes ao final do Dilúvio de Noé, e fluindo em uma nova e profunda base oceânica, que afundava rapidamente.

Geologia bíblica

Deus usou as águas do Dilúvio para destruir a Terra e, como já notamos, a evidência daquele sério julgamento está preservada nas rochas que cobrem sua superfície. De algumas formas, o Dilúvio faz paralelo com o que Deus fez com a água durante a semana da Criação, quando ele originalmente formou a Terra. Naqueles dias Deus formou a terra “da água e pela água” (2 Pedro 3:5). É interessante que 75% das rochas expostas nos continentes sejam de origem sedimentar, ou seja, elas foram depositadas com ação da água.

Saber o que aconteceu com a Terra no passado nos permite compreender nosso mundo. As ciências da geologia e geografia não poderiam ser propriamente compreendidas a menos que levemos em conta os principais eventos passados que modelaram a Terra. Para serem corretamente explicada, a geologia (como qualquer outra área da ciência e aprendizado) precisa ser interpretada de uma perspectiva bíblica.

A chave é ligar nossa área de estudo à verdadeira história do mundo contada na Bíblia. Precisamos perguntar: “O que esperamos encontrar?” Geologicamente, esperaríamos que muitas rochas fossem formadas rapidamente durante dois espaços de tempo muito curtos. Primeiro, durante o evento de seis dias chamado “Criação”, onde todo o planeta foi formado. Mais tarde, ele foi reformado durante o dilúvio de um ano. Por comparação, não aconteceu muito coisa, geologicamente, no período entre a Criação e o Dilúvio, ou no período posterior. A moderna geologia é construída sobe uma filosofia que vigorosamente nega tanto a criação como o Dilúvio (cf. Com os zombadores preditos em 2 Pedro 3:3-8).

Os criacionistas desenvolveram um modelo geológico bíblico simples (veja a figura abaixo), que começa a escala de tempo bíblica, disposta verticalmente, à esquerda (23). O tempo mais antigo está na base e a escala é dividida em quatro partes principais: o evento da Criação, a era pré-diluviana, o evento do Dilúvio e a era pós-diluviana. O termo “evento” significa um curto período de tempo, mas uma “era” é muito maior. Isso reforça a ideia de que processos geológicos do passado variaram em intensidade.

Rock chart (Portuguese)

Uma segunda escala, uma escala de rochas, é mostrada à direita, com as rochas mais recentes no topo e as mais antigas na base – do mesmo jeito que ocorrem na Terra. Os tamanhos na escala de rochas corresponde ao volume de rochas na Terra atual, e contrasta com os tamanhos da escala de tempo. Setas ilustram a relação entre as duas escalas. Por exemplo, as setas apontam para o evento do Dilúvio (pouco tempo) na escala de tempo para as rochas diluvianas (grande volume) na escala de rochas.

A fim de ser útil cientificamente, esse amplo quadro deve ser expandido para fornecer detalhes específicos dos eventos e processos, e suas relações de tempo. Isso não é difícil. O evento do Dilúvio, por exemplo, pode ser dividido em dois estágios: o estágio Inundatório, com as águas se erguendo sobre os continentes, e o estágio de Recessão, com a drenagem dessas águas. Já discutimos como as águas do Dilúvio teriam escorrido dos continentes durante o estágio de Recessão e o padrão de relevo que elas teriam deixado nas paisagens terrestres.

O modelo pode ser ainda mais dividido se subdividirmos os estágios em fases. O objetivo é que cada parte (por exemplo, cada evento, era, estágio e fase) se relacione a um processo geológico significativo com critérios iniciais e finais identificáveis, conforme é descrito na Bíblia. Podemos até mesmo avaliar as rochas em campo e liga-las à história bíblica (24).

Este modelo bíblico tem sido aplicado a muitas situações geológicas. Ele não apenas ajuda a conectar a geologia à Bíblia, mas também fornece insights com relação ao tipo de processos geológicos que estão acontecendo em tempos distintos, e na compreensão das rochas.

Como resultado da contínua pesquisa criacionista, nossa compreensão sobre como o Dilúvio ocorreu está continuamente se desenvolvendo. Ideias vão e vêm, mas o fato do Dilúvio permanece. Gênesis claramente testifica sobre ele, Jesus e os Apóstolos o confirmam e há abundantes evidências geológicas no mundo todo apoiando um cataclismo aquático global (25). Também há abundantes evidências culturais e antropológicas para o Dilúvio global (26). O Dilúvio permanece como um aviso de que Deus irá julgar a humanidade por ter se rebelado contra Seu senhorio sobre nós. A Bíblia alerta sobre um futuro julgamento que acontecerá por meio de fogo, mas como nos dias de Noé, Deus estabeleceu um modo de escape para aqueles que acolherem o aviso (2 Pedro 3:7-10; 2 Tessalonicenses 1:27-10).

Fósseis poliestráticos

Fósseis poliestráticos são uma das muitas evidências geológicas que apontam para um rápido soterramento, consistente com um Dilúvio global. Esses fósseis são aqueles que se situam entre várias camadas – daí o nome poliestrático (poli=muitos; stratum=camada). E são comuns. É impossível que um fóssil poliestrático tivesse sido soterrado gradualmente ao longo de muitos milhares ou centenas de milhares de anos, porque a parte superior do fóssil teria se decomposto antes que pudesse ser protegido por sedimento.

É assim que Derek Ager, Professor Emérito de Geologia da University College of Swansea, treinado sob o estrito uniformitarismo Lyelliano (27), descreve alguns fósseis de troncos de árvore poliestráticos:

“Se for estimada a espessura total dos estratos carboníferos britânicos (British Coal Measures) em cerca de 1000 m, depositados em cerca de 10 milhões de anos, e assumindo uma taxa constante de sedimentação, teria sido necessário 100.000 anos para soterrar uma árvore de 10 m de altura, o que é ridículo.”.

“Alternativamente, se uma árvore de 10 m fosse soterrada em 10 anos, isso significaria 1.000 km em um milhão de anos ou 10.000 km em 10 milhões de anos (isto é, a duração dos estratos carboníferos). Isso é igualmente ridículo e não podemos escapar da conclusão que a sedimentação às vezes era muito rápida de fato, e outras vezes houve longos intervalos na sedimentação, embora pareça tanto uniforme como contínua.” (28, ênfase nossa).

Derek Ager não acreditava na Bíblia, e de fato ele estava criticando os criacionistas. Mesmo assim ele podia ver, a despeito de seu treinamento, que a evidência geológica apontava para rápida sedimentação e soterramento.

Ademais, embora a sedimentação pareça “uniforme e contínua”, ele assumiu que teria que ter havido “longos intervalos na sedimentação”. Por quê? Para preservar a ideia de que a Terra tem milhões de anos – apesar da evidência de que os estratos pareciam uniforme e contínuos.

Fósseis poliestráticos fornecem direta evidência da catástrofe que mudou o planeta rapidamente, como a Bíblia relata.

Kata Tjuta, no centro da Austrália, é composto de um material que deve ter sido, necessariamente, depositado muito rapidamente por ação de água.
Kata Tjuta, no centro da Austrália, é composto de um material que deve ter sido, necessariamente, depositado muito rapidamente por ação de água.

Referências e notas

(1) Evidências mostram que ainda existe uma imensa quantidade de água armazenada nas profundezas da Terra, nas estruturas cristalinas dos minerais. Veja BERGERON, L., 1997. Deep Waters, New Scientist 155(2097):22-26: “Temos oceanos e oceanos de água armazenados na zona de transição. Está totalmente ensopado por lá.”

(2) WILLIAMS, A., 2000. Drowned from below, Creation 22(3):52-53.

(3) Defende-se que foi o derretimento parcial do manto que gerou a crosta continental.

(4) Austin, A.A., Baumgardner, J.R., Humphreys, D.R., Snelling, A.A., Vardiman, L. and Wise, K.P., 1994, Catastrophic plate tectonics: A global Flood model of Earth history, Proc. Third ICC, pp. 609-621.

(5) Alguns têm afirmado que, devido à zombaria do povo quanto aos avisos de Noé com relação ao advento de um dilúvio, pode ser que eles nunca tenham visto chuva. Mas muita gente hoje tem visto muita chuva e alagamentos, e ainda assim muitos zombam da ideia de um Dilúvio global. Gênesis 2:5 diz que não havia chuva ainda sobre a Terra, porém, se chovia ou não antes no mundo pré-diluviano não se diz nada.

(6) Na tentativa de rebaixar a Bíblia, alguns céticos afirmam que a palavra raqiya descreve um domo sólido e que os antigos hebreus criam em uma Terra plana com um domo fendido sobre ela. Tais ideias não estão na Bíblia ou na compreensão hebraica de raqiya. Veja Holding, J.P. 1999. Is the raqiya (‘firmament’) a solid dome? Equivocal language in the cosmology of Genesis 1 and the Old Testament: a response to Paul H. Seely. Journal of Creation 13(2):44-51.

(7) Leupold, H.C. 1942. Exposition of Genesis, vol.1, Baker Book House, Grad Rapids, Michigan, p.78.

(8) Humphreys, D.R. 1994. A biblical basis for creationist cosmology. Proc. Third ICC, Pittsburgh, PA, pp. 255-266.

(9) Isso poderia ajudar a explicar a radiação cósmica de fundo de micro-ondas vista no Universo. Veja o capítulo 5 de Humphreys, ref. 6.

(10) Dillow, J.C., 1981. The Waters Above. Moody Press, Chicago.

(11) Vardiman, L., 1986, The sky has fallen, Proc. First ICC 1:113-119.

(12) O movimento das placas tectônicas também poderia explicar a ocorrência nos polos de tais restos de plantas de climas mais quentes (veja o livro “A dervia continenal”), bem como as águas do Dilúvio carregando esteiras flutuantes de vegetação através dos oceanos.

(13) Vardiman, Ref. 11, p. 116, 119.

(14) Rush, D.E. and Vardiman, L., 1990. Pre-Flood vapor canopy radiative temperature profiles, Proc. Second ICC, Pittsburgh, PA, 2:231-245.

(15) Vardiman, L. and Bousselot, K., 1998. Sensitivity studies on vapor canopy temperature profiles, Proc. Fourth ICC, Pittsburg, PA, p. 607-618.

(16) Salmo 148:4 parece falar contra a teoria do dossel. Escrito depois do Dilúvio, esse texto se refere às “águas acima dos céus” ainda existentes, assim isso não pode significar um dossel de vapor que colapsou durante o Dilúvio. Calvin, Leupold e Keil e Delizsch escrevem todos acerca das “águas de cima” como sendo meramente as nuvens.

(17) é claro que podemos nunca chegar a uma correta compreensão de como exatamente o Dilúvio ocorreu, mas isso não muda o fato de que ele ocorreu.

(18) Austin et al., Ref. 4.

(19) A tradução mais natural do Salmo 104:8a é “As montanhas se elevaram; os vales afundaram”. (Tradução nossa a partir do texto da NASB).

(20) O princípio geológico envolvido é o da isostasia, onde as placas estão “flutuando” no manto. As bases oceânicas são compostas de rochas mais densas que as dos continentes, assim essas bases se assentam mais profundamente no manto que os continentes montanhosos menos densos.

(21) Ocean floor bathymetry, www.waterencycopledia.com/Oc-Po/Ocean-Floor-Bathymetry.html, 10 abril 2008.

(22) Sneling, A.A., 1998, Uluru and Kata Tjuta: Testimony to the Flood. Creation 20(2):36-40; <creation.com/olgas>.

(23) Veja Walker, T., 1994. A biblical geological model; in: Walsh, R.E. (Ed.), Proc. Third ICC, Pittsburgh, PA. p. 581-592; <http://www.biblicalgeology.net/>

(24) Para uma aplicação prática desse modelo geológico, veja Walker, T.B., 1996. The Great Artesian Basin, Australia, Journal of Creation (CENTJ) 10(3):379-390.

(25) Para muitas evidências geológicas a respeito do Dilúvio, veja as perguntas e respostas em Geologia: <creation.com/geology>.

(26) Veja “How do creation and global flood legends from different cultures compare to the biblical account? <creation.com/flood_legends>

(27) Charles Lyell argumentou que toda a geologia poderia ser explicada por processos lentos e uniformes durante éons de tempo. Catástrofes não eram bem-vindas.

(28) Ager, D.V., 1993. The New Catastrophism, Cambridge University Press, 49.

*Dr. Don Batten é pesquisador para o Creation Ministries International, na Austrália. Ele detém um B.Sc. Agr. com honras de primeiro-da-classe pela Universidade de Sydney e um Ph.D. em fisiologia vegetal pela mesma universidade. Dr. Batten trabalhou 18 anos como pesquisador no New South Wales Department of Culture, estudando biologia floral, adaptação ambiental e intercruzamento de espécies de árvores frutíferas sub-tropicais ou tropicais como  a lichia, a fruta-do-conde e a manga.