por Daniel Ruy Pereira

Eu debruço no parapeito e me deixo
Espero a visita que nunca toma chá
Mas que sempre vem.
O vento me trás tanta coisa…
Ontem ele trouxe um garoto com seu videogame;
Anteontem ele tinha cheiro de romã
E semana passada de grama e de cachorro
Um dia desses ele me trouxe dois irmãos
Que brigavam, brincavam e eram amigos.
Já me trouxe cheiro de gloss e partículas de rimel
Eu gosto de fechar meus olhos, tirar meus óculos,
Sentir suas gotas de chuva,
Ouvir as notas inaudíveis de um hino
Que uma mãe canta pro seu bebê
Num dia de tempestade.
Toda a vez que ele vem leva meu relógio,
Mas devolve depois e, como bom cinéfilo,
Resolve citar Blade Runner:
“Vi coisas que sua gente não acreditaria…
Todos esse momentos vão se perder no tempo
Como lágrimas na chuva”
(E o filho da mãe faz isso todo dia que vem!)

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