por Daniel Ruy Pereira

para Thiago, Fernanda e Julinha

Um cappuccino, pra mim,
por favor.
E o Senhor, vai querer o quê?
Uma lágrima?

Ah, Senhor, mas o sabor…
Não é assim tão bom…
Tem certeza que não quer
Só um cappuccino?

É porque ninguém aqui
pode te servir isso, sabe?
Nunca foi a especialidade
dessa Cafeteria (mesmo sendo assim enorme)

Como? O Senhor quer
Que “eu” te sirva?
Mas acontece que eu não sei fazer lágrima!
Nunca vi uma boa lágrima antes!

O Senhor pode me ensinar?
Bom, então puxa uma cadeira,
Por favor.
Do quê que eu preciso?

Um hino. Okay.
Um texto. A-ham.
Um coração. Está aqui.
Mais alguma coisa?

Fé-no-Senhor. Puxa…
Isso eu não tenho.
Nem sei onde encontrar.
O quê? O Senhor tem pra mim?

E quanto custa? Pode dar o preço
porque, pra te dar uma boa lágrima,
Não economizo não.
E então, quanto custa?

Nada? Mas nada é de graça!
Quem foi que pagou?
O Senhor que pagou?
Mas que absurdo!

Por que o Senhor faria isso, meu Deus?
Qual é a lógica de pagar pra mim?
O quê que eu te fiz de bom antes?
Isso é inconcebível, mas… fazer o quê?

Quer dizer então que eu não te devo nada?
Mas isso é bom demais! Jamais imaginei…
Bem, Senhor, então aqui está sua lágrima.
Mas acho que vou tomar pão e vinho agora.

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