por Daniel Ruy Pereira

Be Thou My Vision (1). Eu simplesmente adoro esse hino. Não é só a melodia céltica, mas a letra, sobretudo. A letra resume muito do que o Cristianismo diz com relação ao nosso relacionamento com Deus, de uma forma pura, casta. Já existe uma versão em português, por Ana Paula Valadão – “Dono do meu coração” (1999, se não estou enganado) que é muito bonita, mas que não faz juz à profundidade da teologia contida neste hino.

Esta é a minha tentativa de dar a “Be Thou My Vision” a profundidade teológica que ela merece em português. É pretencioso pra caramba e provavelmente eu não tenha conseguido. Quando se traduz um hino não é só a melodia que importa. A quantidade de sílabas poéticas, bem como o padrão de rimas e rítmico deve ser mantido, sem falar, obviamente na integridade da mensagem (o mais importante e mais difícil). Além, é claro, de se fazer a canção soar como se tivesse sido escrita em português. É uma tarefa árdua, mas deliciosa. E um ato de adoração.

Assim, segue abaixo minha versão de “Be Thou my Vision”, conforme aparece no English Hymnal, 1912.

Sê Tu minha visão

Ó Deus, vem ser tudo em mim! Ser meu prazer,
Minh’alma, Senhor Jesus, vem satisfazer! (2)

Ó, Deus da minha alma, sê Tu minha visão!
Nada te afaste do meu coração!
Noite e dia quero pensar só em Ti:
Que Tua presença seja luz para mim

Sabedoria, graça, sê tudo em meu ser!
Quero a teu lado a carreira correr!
Sê meu Pai celeste, e eu filho Teu
Toma este templo, em meu peito, ó meu Deus

Sê meu escudo forte e espada, Senhor!
Minha armadura e poder redentor
Sê a torre forte onde vou me esconder.
Leva-me ao céu, ó Fonte do meu poder (2)

Nenhum louvor ou ouro eu almejo, Senhor
És minha herança, tesouro melhor,
Amparo, torre forte, amigo fiel
Meu Soberano, santo Emanuel

Ó, Deus Altíssimo, meu Vencedor!
Minha alegria, meu único Amor!
Mesmo que o mundo todo venha se transtornar,
Rei do Universo, queiras me governar!

Notas

(1) “O texto original, em gaélico antigo, Rop tú mo Baile é frequentemente atribuído a Dallán Forgaill, no sexto século. O texto era parte da tradição monástica irlandesa havia séculos antes de ser musicada – portanto, antes de se tornar um hino de fato. Foi traduzido do gaélico antigo para o inglês por Mary Elizabeth Byrne, M.A., no Ériu (o diário da School of Irish Learning), em 1905. O texto inglês foi versificado por Eleanor Hull, em 1912, e é agora o texto mais comumente usado. No século XX, dois novos conjuntos de letras relativamente comuns foram colocados na mesma melodia usada para o hino. O primeiro foi “Lord of All Hopefulness“, escrito por Jan Struther por volta de 1931. O segundo foi um popular hino de casamento, “God, In the Planning and Purpose of Life“, escrito por John Bell e Graham Maule, que apareceu pela primeira vez publicado em 1989. A versão que traduzo aqui foi publicada no hinário English Hynmal, em 1912, pela própria Eleaor Hull.” (BE THOU MY VISION. Wikipedia. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Be_Thou_My_Vision. Acesso em 1 Fevereiro 2014.)

(2) Essa epígrafe é um refrão moderno, opcional, composto pela banda Ascend the Hill, no álbum, “Hymns: Take the World, but give me Jesus“, de data desconhecida, mas que está disponível para download, gratuitamente, aqui neste link. É um belo de um álbum, aliás.

(3) Essa estrofe foi omitida na versão de 1964 encontrada no hinário The Methodist Hymnal por razões desconhecidas. Talvez porque, para os padrões musicais daquela época, cinco estrofes fossem demais (estou só especulando). Ou por qualquer outro motivo. De qualquer forma, essa é a versão mais popular gravada por artistas modernos, como Ascend the Hill e Chelsea Moon, e para os padrões musicais de 2014 funciona muito bem.

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