por Daniel Ruy Pereira

Tú nunca mereceste isso.
És toda feita de frangalhos!
Olha a tua constituição!
És Frankenstein, Aberração!
Feita de mortos – de retalhos!
Poderia haver vida nisso?
Contrassenso… És a “Cinderela”,
Que o amor do Príncipe revela

Mas que loucura! Que loucura!
Em te fazer vestir brancura,
Grinalda, luva-de-pelica!
A essa frankenstein-cinderélica!

Te contemplo e me vejo em Ti
Me espanto, mas fico tão bem…
Pois não sou um de teus retalhos?
Há uma magia que não mente,
A eletricidade que vem
Do que cria Seus próprios filhos:
“Vive Retalho! Cinderela,
Deita feia. Levanta bela!”

Mas que loucura! Que loucura!
A musculatura, tão dura,
Ressurge: viva, bela e elétrica
Nessa frankenstein-cinderélica!

Tua beleza é a da desgraça
de teus membros podres, falidos.
Sabem sua decomposição,
Mas conhecem a Perfeição.
Todos foram eletrocutados
por profunda magia (“graça”)
transformadora. E se calam,
como Nárnia, diante de Aslam.

Anúncios