Artigo traduzido de: Creation 19(2):10-13.  de 1997. Março de 1997.Título original: “Counting the stars”. Copyright Creation Ministries International Ltda. Usado com permissão. 

por Werner Gitt*

Tradução de Daniel Ruy Pereira. 

Revisão de Jadson Oliveira.

As pessoas sempre foram fascinadas pelas estrelas e muitos já tentaram contá-las. Quando Deus prometeu a Abraão que ele teria inumeráveis descendentes, Ele fez uma surpreendente comparação: ”Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las”. E prosseguiu: ‘Assim será a sua descendência.” (Gênesis 15:5)

O número total de estrelas individuais visíveis em ambos os hemisférios norte e sul é de cerca de 6.000. Assim, em uma noite clara pode-se ver, no máximo, 3.000 estrelas ao mesmo tempo. Isso é tudo? Com o advento dos telescópios, muitas outras estrelas anteriormente desconhecidas foram descobertas. Galileu (1564-1642), usando seu telescópio caseiro, viu um acréscimo de dez vezes o número de estrelas visíveis: mais de 30.000.

Hoje, descobriu-se que a galáxia local Via Láctea (da qual nosso Sol faz parte) contém 200 bilhões de estrelas. Que número assombroso! Se alguém pudesse contar três estrelas por segundo, depois de 100 anos ele teria contado menos que 5% desse total.

Nossa galáxia compreende não apenas um exército inimaginável de estrelas, mas o tamanho dessa faixa estrelada brilhante no céu também é assombroso. Seu diâmetro é estimado em cerca de 100.000 anos-luz.

As distâncias astronômicas são grandes demais para serem medidas em quilômetros, por isso usamos o ano-luz. Um ano-luz é a distância que um raio de luz viaja em um ano. À velocidade de 300.000 km/s, percorre 9,46 bilhões de quilômetros.

"Andrômeda: estrelas do passado e do futuro". Imagem de NASA.gov.
“Andrômeda: estrelas do passado e do futuro”. Imagem de NASA.gov.

Realmente, podemos compreender tal imensidão? E esta não é a única galáxia. A olho nu, podemos ver mais três: as duas Nuvens de Magalhães, próximas ao polo sul celestial, e a galáxia de Andrômeda, na constelação homônima. Estima-se que a galáxia de Andrômeda esteja a 2,25 milhões de anos-luz de distância de nós (1).

Sua emissão total de luz é igual a 2,5 milhões de vezes a do sol. Porém, a essa distância, as estrelas (contrariamente às galáxias) que tenham a mesma luminosidade (fluxo luminoso) do sol não podem mais ter sua existência provada pelo uso de telescópios ópticos. A galáxia de Andrômeda é o objeto mais distante no universo que pode ser visto a olho nu, exceto por uma ocasional supernova.

Numerosas outras galáxias têm sido descobertas por meio de exposição prolongada em placas fotográficas. O número total descoberto até agora está provavelmente em torno de várias centenas de bilhões, e pode chegar a bilhões de bilhões.

O número total de estrelas no universo observável é estimado em 1025 (1 seguido de 25 zeros). Ninguém sabe o número real.

O que a Bíblia diz sobre a quantidade de estrelas? Jeremias escreve: “Farei os descendentes do meu servo Davi e os levitas, que me servem, tão numerosos como as estrelas do céu e incontáveis como a areia das praias do mar.” (Jeremias 33:22). À época, quando os estudiosos estavam convencidos de que havia somente cerca de 3.000 estrelas, Jeremias escreveu que ninguém seria capaz de contar as estrelas. Por isso, vamos considerar um diálogo imaginário entre Jeremias (J) e um astrônomo famoso (A) daqueles dias, cerca de 600 anos antes de Cristo.

A: Jeremias, você escreveu sobre o número de estrelas como se soubesse o que está dizendo. Meus colegas e eu estudamos astronomia por muito tempo e diariamente nos preocupamos com as estrelas. Nossas pesquisas fizeram da astronomia a mais avançada das ciências. Até mesmo reis apreciam e respeitam nossas descobertas.

J: Você pode ter descoberto muitas coisas, mas está enganado quanto ao número de estrelas.

A: Como você pode estar tão certo? Você não estudou astronomia, nem mesmo por um semestre sequer. Então não me venha falar sobre coisas que você não entende!

J: Sim, é claro, meus estudos estão em um campo totalmente diferente. Mas eu ainda mantenho que ninguém é capaz de contar as estrelas, porque o total delas é um número altíssimo, semelhante ao número de grãos de areia na praia.

A: Recentemente completamos uma pesquisa do número de estrelas no céu, empregando a visão de nossos colegas mais jovens, que é aguda, boa e intacta. Eles não perderam nenhuma de vista, e suas contas foram de 3.000. Revise seu texto bíblico; ele foi refutado por nossas descobertas científicas.

J: Eu ainda continuo afirmando que escrevi a verdade. Não sou especialista, mas conheço Quem criou as estrelas. Ele me disse e eu acredito Nele…

"A galáxia M81 fica bonita e rosa". Imagem por NASA.gov.
“A galáxia M81 fica bonita e rosa”. Imagem por NASA.gov.

É digno de nota que apenas agora, no século 20, nos tornamos capazes de apreciar totalmente a importância astronômica de tais afirmações bíblicas. Isso nos estimula a confiar nos pronunciamentos bíblicos em outras áreas também.

Vamos agora tentar visualizar o número de estrelas mencionado acima (isto é, 1025). Nenhum ser humano vive o bastante para contar um número tão alto, então usaremos um computador, um dos mais rápidos disponíveis. Ele pode fazer 10 bilhões de cálculos em um segundo, o que é extremamente rápido! Mesmo a essa velocidade altíssima levaria 30 milhões de anos de contagem ininterrupta para contar as estrelas, mas nenhum computador duraria tanto assim. Deus predisse o resultado de tal esforço por meio de Seu profeta Jeremias; as estrelas são, para todos os intentos e propósitos, incontáveis, diz a Bíblia, bem como os grãos de areia na praia.

Isaías nos conta que os pensamentos e caminhos de Deus são maiores que os nossos (Isaías 55:8-9). Não apenas Seus pensamentos são maiores que os nossos; também são bem mais rápidos. Ele pode contar as estrelas! E Ele fez exatamente isso, dando a cada uma delas um nome: “Ele determina o número de estrelas e chama cada uma pelo nome.” (Salmo 147:4) O versículo seguinte enfatiza Sua grandeza: “Grande é o nosso Soberano e tremendo é o seu poder; é impossível medir o seu entendimento.”

E mesmo assim Ele também está preocupado com cada ser humano, individualmente. Isso está claramente expresso no Salmo 8:3-6:

“Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos,

 a lua e as estrelas que ali firmaste,

pergunto: Que é o homem, para que com ele te importes?

E o filho do homem, para que com ele te preocupes?

Tu o fizeste um pouco menor do que os seres celestiais

E o coroaste de glória e de honra.

Tu o fizeste dominar sobre as obras das tuas mãos;

Sob os seus pés tudo puseste…”

Em contraste com isso, outras cosmovisões pintam uma imagem triste e sombria. F. M. Wuketits, por exemplo, escreve (2):

“O universo é tão surdo aos nossos lamentos quanto às nossas exuberantes expressões de alegria. Ninguém que esteja lá, nos recantos infinitos do cosmos, ficará triste quando uma certa espécie [isto é, os humanos] concluir seu processo de auto exterminação. Sinto muito, mas esta é a única conclusão que eu poderia publicar sobre a evolução do pensamento.”

Semelhantemente sem vida e falsa é a conclusão do filósofo alemão do século XVIII, Immanuel Kant, de que o universo imensuravelmente grande destrói a nossa importância. Se ele tivesse crido em algum dos versículos do Salmo 8, teria chegado a uma conclusão um tanto diferente sobre nossa importância neste vasto universo.

Não somos párias cósmicos, como o filósofo ateu do século XIX, Friedrich Nietzsche, clamou, nem somos os “ciganos da borda do universo”, como disse o ateu francês do século XX, Jacques Monod (3). Ao contrário, somos amados por nosso Pai celestial, por meio de Jesus Cristo, se temos aceitado Sua salvação pela graça, por meio da fé.

Heinz Kaminski, que foi, por muitos anos, diretor do observatório Bochum, uma vez foi questionado sobre o que pensou quando apontou seu telescópio para o céu pela primeira vez. Ele respondeu (4):

“Que o universo, em sua imensidão, foi especialmente criado para nós, humanos, para que pudéssemos ver e apreciar a glória e o poder de Deus.

“Os astrônomos reduziram o homem a um nada atômico; ele foi continuamente arrastado para fora e deixado sozinho como um verme a 17 bilhões de anos luz. Fica estupefato pela enormidade das estrelas e suas vastas distâncias. A si mesmo parece pequeno e insignificante. Pessoas espertas esqueceram que este débil ser humano ocupa um importante lugar aos olhos do Criador, como podemos ler na Bíblia. Quando Deus criou a terra… ele então criou o homem e deu-lhe algumas migalhas da grandeza de seu próprio Espírito. E essas migalhas nos habilitam a compreender algo da logística de todo o sistema. Se não carregássemos essa faísca criativa, não seríamos capazes de analisar as leis do universo nem de entender seus efeitos.”

O universo, em sua imensidão, foi especialmente criado para nós, humanos, para que pudéssemos ver e apreciar a glória e o poder de Deus. Ele é tão grande e não precisou de mais esforços para criar uma, dez, mil ou mesmo 1025 estrelas. Ele não Se esforça, nem transpira. Suas palavras criadoras foram suficientes: “Pois Ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo surgiu.” (Salmo 33:9)

[Este artigo foi traduzido de uma adaptação do livro (traduzido para o inglês) do Dr. Gitt: “Stars and their Purpose (Signposts in Space).]

Referências e notas

(1) É preciso notar que a medida de distâncias muito grandes é sujeita a uma grande incerteza, tanto por causa da limitada precisão das medidas, quanto pela suposta medida da luz vermelha. Uma vez que nenhum outro dado está disponível, este artigo emprega as distâncias publicadas, com a reserva de que elas não são realmente seguras. Contudo, para uma ordem de magnitude, elas são provavelmente estimativas razoáveis. [Para uma cosmologia relativista que harmoniza a criação milhares de anos atrás com uma na qual podemos ver as estrelas milhões de anos-luz de distância, veja R. Humphreus, Starlight and Time.]

(2) F.M. Wuketits, Evolutionäre Erkenntnistheorie als neue Synthese, Herrenalber Texte No. HT 52:40, 1983.

(3) J. Monod, Zuffal und Notwndigkeit (Acaso e Necessidade), Deutscher Taschenbuchverlag, dtv, München, 3a. edição, p. 151, 1977.

(4) R. Holbe, Zeitgeist Knaur, pp. 106–107, 1991.

* Werner Gitt (Ph.D) é diretor do Departamento de Tecnologia da Informação, no Instituto Federal de Física e Tecnologia da Alemanha. Autor de vários livros e artigos, publica frequentemente no Journal of Creation.