A publicação desse texto vem a calhar, pois dois motivos. Primeiro, acabei de assistir, no Fantástico, um programa adaptado de “Inside the Human Body”, uma série da BBC. A versão brasileira é apresentada pelo médico Dráuzio Varella, que é declaradamente ateu. Depois de assistir o programa, li um texto que ele escreveu e foi republicado no Blog do Juca Kfouri. Aliás, preciso agradecer o meu amigo Leo Rossato, que fez aqui uma boa análise do texto. E me pergunto: como alguém que estuda tanto o funcionamento do corpo consegue aceitar que essa complexidade absurda surgiu por acaso? Para mim, é bizarro. Sério. E nem é porque sou cristão, mas porque as evidências de uma inteligência são tantas que é só querendo pra não ver. (E aí, dizer que só acredita vendo… como se ver é justamente o que não se quer?)

Faço essa introdução porque o texto de Batten e Sarfati de hoje aborda o assunto das evidências bíblicas da existência divina de seu Autor. Se você quiser, escrevi um texto sobre a forma que o ateísmo e o cristão, leia a análise que eu escrevi do filme “Além da Vida”, de Clint Eastwood, aqui (aproveitei pra revisar). E vamos para o texto.


por Don Batten e Jonathan Sarfati

Evidências Bíblicas da Existência de um Autor Divino

A Bíblia, além de proclamar a existência de Deus, também testemunha por si mesma a existência de Deus, porque só a inspiração divina pode explicar a existência deste, que é o mais notável de todos os livros. As características que apontam para uma autoria divina são (1):

A incrível unidade da Bíblia

Apesar de ter sido escrita por mais de 40 autores provindos de mais de 19 contextos culturais diferentes, por mais de 1.600 anos, a Bíblia é consistente do início ao fim. De fato, o primeiro e o último livro da Bíblia, Gênesis e Apocalipse, encaixam-se tão perfeitamente – estamos falando de um “Paraíso Perdido” e de um “Paraíso Reconquistado”, respectivamente – que atestam poderosamente sua autoria divina (compare, por exemplo, Gênesis 1-3 com Apocalipse 21-22).

A incrível preservação da Bíblia

A despeito das perseguições religiosas e políticas, a Bíblia continua. O Imperador de Roma, Diocleciano, seguindo o édito de 303 d.C., pensou que tinha destruído cada odiosa Bíblia. Ele erigiu uma coluna sobre as cinzas de uma Bíblia queimada para celebrar sua vitória. Vinte e cinco anos depois, o novo imperador, Constantino, ordenou a produção de 50 Bíblias com custos pagos pelo governo! No século 18, o notável infiel francês, Voltaire, previu que dentro de um século não haveria mais Bíblias na Terra. Ironicamente, 50 anos depois de sua morte, a Sociedade Bíblica de Genebra usou sua antiga impressora e sua casa para produzir Bíblias. A Bíblia está disponível hoje em mais idiomas que qualquer outro livro.

A precisão histórica da Bíblia

Nelson Glueck, famoso arqueólogo judeu, falou do que é conhecido como “a memória de precisão histórica quase inacreditável da Bíblia, e particularmente quando é fortificada pelos fatos arqueológicos.”(2). William F. Albright, amplamente reconhecido como um dos maiores arqueólogos, declarou:

“O excessivo ceticismo mostrado com relação à Bíblia por importantes escolas históricas dos séculos dezoito e dezenove, certas fases que ainda parecem aparecer periodicamente, têm sido progressivamente desacreditadas. Descoberta após descoberta tem estabelecido a precisão de inumeráveis detalhes, e trouxeram ainda mais reconhecimento ao valor da Bíblia como fonte histórica.”(3)

Sir William Ramsey, reconhecido como um dos maiores arqueólogos de todos os tempos, especializou-se no ceticismo histórico alemão, de meados do século dezenove e, portanto, não acreditava que os documentos do Novo Testamento eram historicamente confiáveis. Porém, suas investigações arqueológicas levaram-no a ver que seu ceticismo era injustificável. Então, mudou radicalmente de atitude. Falando de Lucas, autor do Evangelho homônimo e do Livro de Atos dos Apóstolos, Ramsey diz: “Lucas é um historiador de primeiro escalão… ele deveria ser colocado entre os maiores historiadores.” (4)

Em muitos pontos específicos a arqueologia confirma a precisão da Bíblia (5). Há muitos particulares onde os céticos têm questionado a precisão bíblica, geralmente na base de não existir evidência independente (a falácia do argumento do silêncio), somente para descobrir que posteriores descobertas arqueológicas desenterraram evidências do relato bíblico. (6)

A precisão científica da Bíblia

Alguns exemplos: que a Terra é redonda (Isaías 40:22); que a Terra é suspensa no espaço sem suporte algum (Jó 26:7); que as estrelas são incontáveis (7) (Gênesis 15:5); o ciclo hidroglógico (8); as correntes oceânicas11; os seres vivos se reproduzirem segundo suas espécies (9); muitos insights sobre saúde,  higiene (10); dieta (11); fisiologia (como a importância dos sangue, em Levítico 17:11); a primeira e segunda leis da termodinâmica (veja Isaías 51:6), e muitas outras coisas. (12)

A precisão profética da Bíblia

A Bíblia declara que a precisa previsão de eventos é a providência de Deus. Deus diz:

“Eu predisse há muito tempo as coisas passadas, minha boca anunciou, e eu as fiz conhecidas; então repentinamente agi, e elas aconteceram… Por isso há muito tempo lhe contei essas coisas; antes que acontecessem eu as anunciei a você para que você não pudesse dizer: ‘Meus ídolos as fizeram; minha imagem de madeira e meu deus de metal as determinaram’. (Isaías 48:3,5)

Pode-se procurar, em vão, por precisão profética em outros livros religiosos, mas a Bíblia contém muitas profecias específicas. McDowell6 registra 61 profecias que dizem respeito somente a Jesus. Muitas dessas, como Sua terra natal, Sua época, a maneira de Seu nascimento, Sua traição sofrida, a forma de Sua morte e sepultamento, etc., estavam já antes sob Seu controle. McDowell também registra minuciosamente 12 profecias detalhadas, específicas, com respeito a Tiro, Sidom, Samaria, Gaza e Asquelom, Moabe e Amom, Petra e Edom, Tebas e Mênfis, Nínive, Babilônia, Corazim-Betsaida-Cafarnaum, Jerusalém e Israel. Ele mostra como essas profecias não podem ser “pós-ditos” (isto é, escritas após o evento).

A probabilidade de todas essas coisas ocorrerem por acaso é efetivamente zero. Apenas o ignorante por disposição (2 Pedro 3:5) poderia negar esta evidência de que Deus deve ter inspirado essas profecias.

A influência civilizadora da Bíblia

A mensagem da Bíblia elevou muitos “bárbaros” à decência. Ela é a base da legislação inglesa, do Bill of Rights (as primeiras 10 emendas à Constituição dos Estados Unidos) e das constituições das grandes democracias modernas, como o Reino Unido e os EUA, que inspiraram muitas outras democracias.

A Bíblia inspirou as mais nobres literaturas – Shakespeare, Milton, Pope, Scott, Coleridge e Kipling, para citar alguns – e a arte de gente como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael e Rembrandt. A Bíblia inspirou a extraordinária música de Bach, Handel, Haydn, Mendelssohn e Brahms. De fato, o declínio na aceitação da cosmovisão bíblica no Ocidente anda em paralelo com o declínio na beleza da arte. (13)

Hoje a mensagem da Bíblia ainda transforma. Grupos tribais animistas nas Filipinas estão, atualmente, sendo libertadas do medo e ex-canibais de Papua Nova Guiné e Fiji agora vivem em paz, por causa da mensagem libertadora da Bíblia.

O evangelho tem transformado a vida de povos animistas.

A absoluta honestidade da Bíblia

Alguém já disse: “A Bíblia não é um livro que o homem pudesse escrever, nem escreveria se pudesse.” A Bíblia não honra o homem, mas a Deus. As pessoas na Bíblia tinham pés cheios de barro; são mostradas tanto positiva como negativamente. Contrastando com seu pano de fundo de pecado e infidelidade, a perfeição e fidelidade de Deus brilham reluzentes.

Mesmo os “heróis da fé” (de Hebreus 11) tiveram suas falhas registradas, incluindo Noé (Gênesis 9:20-24), Moisés (Números 20:7-12), Davi (2 Samuel 11), Elias (1 Reis 19) e Pedro (Mateus 26:74). Por outro lado, os inimigos do povo de Deus eram muitas vezes louvados – por exemplo, Artaxerxes (Neemias 2), Dario, o Medo (Daniel 6), e Júlio (Atos 27:1-3). Essas são indicações claras de que a Bíblia não foi escrita de uma perspectiva humana.

A mensagem da Bíblia transforma a vida

Certa vez, em São Francisco, Califórnia, um homem desafiou o Dr. Harry Ironside a debater “Agnosticismo (14) contra Cristianismo”. O Dr. Ironside concordou, com uma condição: que o agnóstico primeiro fornecesse evidências de que o agnosticismo fora benéfico o suficiente para ser defendido. O doutor desafiou o agnóstico a trazer um homem que tivesse estado “no fundo do poço” (um alcoólatra, um criminoso ou algo assim) e uma mulher que levara uma vida degenerada (como na prostituição), e mostrasse que ambos tivessem sido resgatados de suas vidas de degradação por simplesmente abraçar a filosofia do agnosticismo. Ele também levou 100 homens e mulheres ao debate que haviam sido milagrosamente resgatados por meio do evangelho que o agnóstico ridicularizava. O cético, então, desistiu do desafio de debater com o Dr. Ironside.

A mensagem da Bíblia consertavidas destruídas pelo pecado, que nos separa de nosso Criador Santo. Em contraste, o agnosticismo e o ateísmo, como todas as filosofias anti-teístas, as destrói.

Outras evidências para o Deus Criador da Bíblia (15)

A tendência universal das coisas degenerarem e se desfazerem mostra que o universo teria que “estar acabando”desde o início. Ele não é eterno. Isso é consistente com Gênesis 1:1: “No princípio criou Deus os céus e a terra.”.

As mudanças que vemos nos seres vivos não são o tipo de mudanças que sugerem que os próprios seres vivos viessem a existir por qualquer processo natural ou evolutivo. A evolução das moléculas ao homem carece de alguma forma (ou via) de criação de programas genéticos novos e complexos, ou informação. Mutações e seleção natural levam a perda de informação.

Os fósseis não mostram as transições esperadas de um tipo básico de organismo a outro. Essa é uma evidência poderosa contra a crença de que os seres vivos surgiram e se diferenciaram espontaneamente ao longo de éons geológicos.

Evidências de que o universo é relativamente “jovem” também contradiz a crença de que todas as coisas se auto-criaram e modificaram ao longo de bilhões de anos. Uma vez que os eventos são tão improváveis, um longo tempo é invocado para ajudar a causa dos materialistas, mas este não é o caso.

A explosão no conhecimento dos intrincados funcionamentos das células e órgãos mostrou que tais coisas, como o sistema de coagulação sanguínea, o flagelo bacteriano, o “motor” da ATP sintase, não poderiam ter surgido por uma série de mudanças acidentais. As instruções, ou informação, para a especificação da complexa organização dos seres vivos não está nas próprias moléculas (como em um cristal, por exemplo), mas é imposta de fora. Tudo isso requer um Criador inteligente que excede, em muito, nossa inteligência.

As tradições de centenas de povos indígenas ao redor do mundo – histórias de um dilúvio global, por exemplo – corroboram o relato bíblico da história, bem como as evidências linguísticas e biológicas evidenciam a proximidade de todas as “raças” humanas.

Embora imagens evolucionistas como essa sejam comuns, não há nada que mostre de onde veio a informação é necessária para ir de um estágio para outro. As mutações causam perda de informação, não ganho.

Referências e notas


(1) O conceito dessa seção vem de Willmington, H.L., 1981. Willmington’s Guide to the Bible, Tyndale House Publishers, Wheaton, EUA, p. 810-824.

(2) Geisler, N.L. e Nix, W.E., 1986. A General Introduction to the Bible, Moody Press, Chicago.

(3) McDowell, J., 1972. Evidence that Demands a Veredict, Vol. 1, Campus Crusade for Christ, San Bernardino.

(4) Citado na Ref. 5, p.68

(5) Ramsay, W., 1953. Bearing the Recent Discoveries on the Trustworthiness of the New Testament, Baker Books, Grand Rapids, Michigan, p. 222.

(6) Para informações compreensivas sobre Bíblia e arqueologia, veja <http://www.christiananswers.net&gt;.

(7) As pessoas de antigamente pensavam que as estrelas podiam ser contadas – havia cerca de 1200 estrelas visíveis. Ptolomeu (150 d.C.) dogmaticamente declarou que o número de estrelas era exatamente 1056. Veja Gitt, W., 1997. Counting the stars. Creation 19(2):10-13.

(8) Sarfati, J., 1997. The wonders of water. Creation 20(1):44-46. <creation.com/water>.

(9) Batten, D., 1996. Dogs breeding dogs? That’s not evolution. Creation 18(2):20-23. Tradução disponível em português por Daniel Ruy Pereira, disponível online em https://considereapossibilidade.wordpress.com

(10) Wise, D.A., 1995. Modern medicine? It’s not so modern! Creation 17(1):46-49. <creation.com/modmed>

(11) Emerson, P., 1996. Eating out in Eden. Creation 18(2):10-13. <creation.com/eatEden>

(12) Veja Morris, H. M., 1984. The Biblical Basis of Modern Science, Baker Book House, Grand Rapids, Michigan.

(13) Schaeffer, F., 1968. Escape from Reason, Inter-Varsity Press, Londres.

(14) O agnosticismo é outra forma de descrença que nega a verdade da Palavra de Deus ao afirmar que não podemos saber se Deus existe. Na prática, é um pouco diferente do ateísmo.

(15) Para mais detalhes nessas evidências, veja o próximo livreto desta série, entitulado: “Natural”evidences for the Creator God of the Bible.

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