por Daniel Ruy Pereira

Sexta-feira da Paixão

I

Chora, minh’alma. Grita e esperneia.
Mas não faz isso porque vê o sangue
do jesus-cinema. Ver “King-Kong”
é mais legal que essa sua ideia…

Chora porque é Sexta da Paixão,
Mas são poucos os apaixonados.
Porque tem chocolate aos bocados
E pouca gente faz reflexão.

Chora por você mesma, ô minh’alma!
Não se lembra do que significa
Servir o “Desprezado da TV”?

Jesus não é pop star, mas tenha calma!
Chora a tua salvação magnífica.
Mesmo nessa barbúrdia, Ele te vê!

II

Já que Cristo me vê e me conhece
Vou re-significar minha Páscoa!
Penso. E esse pensamento escoa:
Não quero vê-la delicatésse!

A Páscoa será devocional,
uma mega “Ceia do Senhor”,
onde me lembrarei do “penhor
da minha herança”. Se for banal

para quem não pensa naquela cruz,
é porque essa pessoa não viu
quão maldoso é seu pecado vil –
e foge disso como avestruz.

A Páscoa cristã nos faz recordar
Que a ira de Deus era castigo
merecido do indivíduo, do “eu”.

III

Tomé precisava ver pra crer –
Se não seria tudo balela.
É pra isso que muita gente apela
Quando vê essa história aparecer

Querem evidências, referências,
Gente que achou prova arqueológica.
Mas é aqui que te abandona a lógica:
a fé salva nossas existências.

O pecado não tem a ver com Darwin,
Hume, Nietzche, Kant nem ninguém.
A solução só está em Jesus.

Ele diz: “Foi para isso que Eu vim.
Pra salvar quem sabe que é refém
do pecado e se rende aos pés da cruz.”

Sábado de Aleluia

I

Silêncio. É sábado. De luto.
E eu não consigo respirar – asma.
Sinto-me rastejar como lesma
em solo pedregoso. E luto.

Luto para permanecer sóbrio;
Pra continuar crente, erguido.
Mas é difícil estar espremido
No meio de tantos ébrios,

Que se embriagam de filosofia
E enchem o copo de fantasia
Misturada com efemeridade

Hoje não dá tempo de ter empáfia,
Pela intensidade dessa náusea
Que me dá o desprezo pela Verdade

II

Se nenhuma verdade é absoluta,
E essa afirmação for verdadeira,
esse axioma é baboseira!
Considero encerrada a disputa.

A Verdade não é chocolate
Que só existe pra deliciar
e, assim, o debate silenciar.
Ela arde, feito mertiolate,

Faz chorar, urrar, xingar – mas cura.
Embora nos separando em certo
e errado, sempre será essencial.

A Verdade é uma linha de sutura
Que ajuda a cicatrizar o peito,
doente pelo viver ocidental

III

Ah! Ocidentais e, Ah! orientais…
Que matam os profetas enviados
(mesmo que em sentido figurado)!
Quanto Deus já quis curar seus ais,

Mas vocês não quiseram… Quiseram
futebol, carnaval, diversão…
Simpósios, carreira, erudição…
Em seus pecados perecerão!

Não veem que seu viver só dá vexame?
Ofendem a Cristo e Sua Obra;
Esquecem que são miseráveis, nus!

Pare com suas TVs, videogames
e festas, Mundo. Pare! Não encubra
seus pecados. Pare! Reflita ao menos!

Domingo da ressurreição

I

Aleluia! Chegou o domingo!
Vai lá, procurar Jesus no túmulo.
Não irá encontrá-Lo. Veja, trêmulo,
que Ele vive! E volta, capengo

como Jacó, de lutar com Deus.
Não se pode vencê-lo. Viu, Morte?
Viram, vocês que fazem recorte
da Bíblia por interesses seus?

Viram, pseudo-pastores que só enganam?
Vocês que vendem relíquias?
E vocês, que são supersticiosos?

Ninguém poderá vencer Jesus. Façam
o que quiserem. As alquimias,
religiosas ou não, são só destroços.

II

Sementinha, por favor, ensine
à gente do século XXI
que um início simples não é nenhum
mal. Você ouve, quando retine,

a hora de sair da sua casca,
e se aventurar nos grãos de terra.
E, por ir rumo à luz, nunca erra.
Em pouco tempo, você já risca

a paisagem, num belo vertical,
onde se cumprem as profecias
de uma bela e perfeita biologia.

Não é verdade que o cristão radical
(de raiz) nasce das alegrias
de ir à luz da perfeita Teologia?

III

Nascer de novo… Bela expressão
do que Deus faz com quem se submete
ao Seu Senhorio. Com quem repete
a magia de crer. Salvação!

Deus me salva de mim. Quer perigo
maior? O homem só se destrói –
nessa história não é nem anti-herói.
De Deus, e de si mesmo, é inimigo.

Levar minha cruz… Seguir o Messias…
Isto é morrer! Prefiro essa morte
Que o estilo de vida mau, cinza e vão

de ansiedades, incertezas e misérias
Daqueles que confiam na sorte.
Na cruz está minha ressurreição.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Anúncios