Artigo traduzido de: Creation 31 (1):42-44, dez-fev 2009 . Título original: “The island rule: recipe for evolution or extinction?”. Copyright Creation Ministries International Ltda. Usado com permissão.

por Garry Graham

Tradução de Daniel Ruy Pereira.

Revisão de Jadson Oliveira.

Por muitos anos, os biólogos têm observado e registrado que animais isolados em ilhas, afastados da população continental, “evoluem” para espécies menores ou maiores. Geralmente, animais menores tendem a crescer e animais maiores tendem a se tornar menores quando as populações isoladas se estabelecem nas ilhas. Os biólogos chamaram esse fenômeno de “regra insular”. Exemplos: tartarugas gigantes nativas das Ilhas Seychelles e Galápagos, dragões de Komodo, mini-sapos, baratas gigantes de Madagascar, elefantes anões e vários roedores, lagartos e cobras que vivem em ilhas ao redor do mundo. Em um estudo recente, uma espécie de lagarto foi observada “evoluindo” pernas mais curtas em um período de apenas seis meses, quando introduzida em uma ilha de onde não era nativa. (1, 2)

Para as duas figuras mais proeminentes no desenvolvimento da teoria da evolução, Charles Darwin e Alfred Wallace, a consideração dos animais que habitam as ilhas teve um papel importante no desenvolvimento de suas ideias evolutivas. (3)

Para os evolucionistas, quaisquer mudanças que possam ser observadas nas populações são boas notícias. Mas a regra insular demonstra as mudanças evolutivas que deram origem a “biólogos” a partir de bactérias através de milhões de anos? Como demonstrado pelos criacionistas, a diversificação das espécies não pode ser usada como evidência de evolução para novos tipos de animais. A especiação ocorre pela interação entre a variabilidade genética inerente e a seleção natural, e capacita as populações animais a se adaptarem em habitats ou climas diferentes. O campo da baraminologia investiga os limites entre os tipos de organismos criados, ajudando-nos a entender esses limites, e até mesmo a valorosa função da especiação na biodiversidade. (4)

Vamos olhar um pouco mais de perto o que a regra insular realmente mostra quando se observam mudanças em populações isoladas. O diagrama 1 (5) demonstra o quanto uma grande espécie de elefante pode decrescer, ou uma espécie de musaranho pode crescer em uma ilha. Mudanças no tamanho dos caracóis marinhos podem ocorrer, quando eles formam populações isoladas em diferentes profundidades, de forma similar à da regra insular.

Preste atenção em algo muito importante sobre as mudanças que ocorrem nestes exemplos simples. O grande elefante foi substituído por um elefante menor quando isolado na ilha, e o pequeno musaranho tornou-se um animal de tamanho maior. Mas o elefante ainda é um elefante e o musaranho ainda é um musaranho. Não há absolutamente nada que sugira que um novo tipo de animal será criado por mudanças observadas sob a regra insular. É simplesmente absurdo usar essa regra para apoiar a evolução em termos de criação de novas informações genéticas, que aumentam a complexidade genética e a diversidade. Simplesmente não se observa isso.

Imagine por um momento aquela história do elefante. A variedade genética do elefante inclui, naturalmente, diferenças de tamanho. Qualquer população de elefantes geneticamente diferentes vai incluir indivíduos de todos os tamanhos, de grandes a pequenos. Se colocado em um habitat pequeno, como uma ilha, pressões seletivas podem gradualmente levar a tamanhos médios cada vez menores em função do número de gerações – por causa de fatores como a restrição de alimento e, possivelmente, o espaço disponível para um determinado tamanho da manada. Os genes para tamanhos menores já estão presentes, mas foram selecionados porque elefantes menores seriam melhores adaptados para sobreviver. Também existe a possibilidade de mutações causarem a estagnação do crescimento, reduzindo a produção de hormônio do crescimento. (6)

O que aconteceria, porém, se os genes para tamanho maior fossem perdidos naquela população isolada? A população de elefantes seria, de algum modo, mais diversificada? Claro que não! Ao invés disso, ficaria geneticamente empobrecida. De fato, estariam propensos a extinção se fossem removidos da ilha ou se um predador maior a invadisse. Seu pool gênico, muito menor, os tornaria menos aptos a mudanças ambientais. Podemos então concluir que a perda genética, a redução local da diversidade genética e o não-aumento da complexidade são provas de que uma evolução darwiniana criou toda a vida na terra? Não!

O mesmo pode ser dito para o musaranho. O pequeno musaranho teria variação natural no tamanho. Predação ou outras pressões no continente podem selecionar os de menor tamanho na população como um todo. Remova alguns para uma ilha e essa população isolada tornar-se-á maior em tamanho, porque o tipo maior pode ser melhor adaptado. Talvez a ausência de predadores e competição por comida traria à tona a mudança no tamanho. Mas e evolução? Novamente, vemos apenas uma redução na diversidade genética, e não o aumento de complexidade. Apenas genes pré-existentes estão envolvidos no processo. Eles continuam sendo apenas musaranhos, porque musaranhos só produziram mais musaranhos. Não está acontecendo nenhuma evolução do tipo “molécula-a-homem”. A variação natural e a seleção natural modificaram a morfologia da população, mas não produziram nada realmente novo. E mesmo se o elefante ou o musaranho fossem levados de volta ao seu habitat continental, antes da diversidade genética ser permamentemente perdida, é mais provável que houvesse uma reversão para a variação do tamanho original.

Exemplos da vida real que confirmem isso podem ser prontamente vistos nos clássicos ícones evolutivos. Charles Darwin usou a especiação de tentilhões nas Ilhas Galápagos como evidência para “evolução”. Mas ele falhou em perceber que populações flutuam de um lado para o outro com condições climáticas variáveis, e nenhuma progressão evolutiva adquirada ocorreu na verdade. (7) Semelhantemente, a famosa mariposa de Manchester (Biston betularia), tão frequentemente apresentada como “a evolução em ação”, somente demostrou que aquelas populações de mariposa poderiam se adaptar aos seus ambientes (sem mencionar que alguns aspectos do estudo eram pura especulação!). (8)

Um famoso paleontólogo evolucionista, o falecido Stephen Jay Gould, usou o “princípio do isolamento geográfico”, ou regra insular, para desenvolver suas próprias idéias dos processos evolutivos, dos quais ele cunhou o termo “Equilíbro Pontuado”. Ele incorretamente sugeriu que as rápidas mudanças em populações isoladas eram onde a maior parte da evolução ocorrera através da história. Ele viu as ilhas como “nossos maiores laboratórios da evolução”, forças motrizes da irradiação biológica. (9) Em 1996 ele escreveu: “… eventos evolutivos se concentram em episódios de especiação ramificada dentro de populações pequenas e isoladas.” (10)

Mas como isso pode acontecer? Como demostrado pelos exemplos discutidos acima, a regra insular oferece um explicação mais forte para a extinção de organismos que para a irradiação “evolutiva”. Ironicamente, em um ensaio sobre o estudo dos caracóis terrestres na ilha taitiana de Moorea, Gould registrou que eles estavam se dirigindo à extinção, nos anos 60, como consequência da introdução de um caracol predador para controlar um caracol pestilento à agricultura. (9)

A ideia de adaptações serem rapidamente adquiridas por populações isoladas, em resposta a condições ambientais as quais levam a uma irradiação evolutiva e aumento da diversidade, é falsa. É precisamente o problema do isolamento de pequenas populações de baixa diversidade genética que ameaça muitos organismos de extinção hoje. É verdade que em alguns casos o isolamento geográfico em uma ilha capacitou algumas espécies a sobreviverem, a salvo de predadores, enquanto que seus parentes do continente pereceram. Um bom exemplo são os quokkas (Setonix brachyurus) da Ilha Rottnest, na altura da Austrália Ocidental. Porém, a história também está repleta de exemplos de extinções de espécies geneticamente isoladas e vulneráveis. De 23 espécies de pássaros australianos que se extinguiram desde 1788, 17 são de ilhas continentais ou oceânicas! (11, 12)

Além disso, o isolamento geográfico resulta em um subconjunto da população original completa reproduzindo localmente. Este subconjunto não terá toda a variedade de genes da população parental e, portanto, mostará uma extensão reduzida de características. Isso pode resultar em uma variedade distinta do desenvolvimento do animal ou planta, se puder sobreviver ao isolamento (não possuindo a extenção completa de variabilidade genética, não será capaz de se adaptar). Esse isolamento geográfico poderia ter contribuído no desenvolvimento de sub-espécies dos animais criados, depois do Dilúvio bíblico dos dias de Noé.

Exemplos modernos da ação da regra insular não têm nada a ver com uma evolução das moléculas ao homem, mas somente com a variação natural já presente dentro dos genes dos animais pioneiros.

Populações isoladas são mais passíveis de sofrer uma eventual extinção do que de anunciar uma nova era de irradiação e aumento de diversidade. Portanto, a regra insular, ao demonstrar a variação natural inerente em uma população, não dá nenhuma esperança para evolucionistas desesperadamente necessitados de um mecanismo para o mito da evolução darwinista.

Referências e notas

(1) Bryner, J., Short legs win evolution battle, <www.livescience.com/animalworld/061116_lizard_legs.html>, 4 junho 2007.

(2) Catchpoole, D., Lizard losers (and winners), Creation 30(1):35-37, 2007; <creationontheweb.com/lizard>.

(3) Gibson, L.J., Species on islands: evidence for change, <www.grisda.org/georpts/gr12.htm>, 4 junho 2007.

(4) Batten, D., Ligers and wholphins? What next? Creation 22(3):28-33, 2000; <creationontheweb.com/liger>.

(5) Leonard, A.W., What makes sea creatures large or small? <www.livescience.com/animalworld/060726_snail_size.html>, 4 junho 2007.

(6) Mas há perda de funcionalidade, não evolução. Veja Wieland, C., The evolution train’s a-comin’, Creation 24(2):16-19, 2002; <creationontheweb.com/train>.

(7) Wieland, C., Book review: The beak of the finch, Journal of Creation 9(1):21-24, 1995; <creationontheweb.com/beak_finch>; Wieland, C., Darwin´s finches, Creation 14(3):22-23, 1992; <creationontheweb.com/finches>.

(8) Wieland, C., The moth files: an update on the peppered moth fiasco, Creation 25(1):14-15, 2002; <creationonthewb.com/moths>.

(9) Gould, S.J., Eight little piggies: reflections in natural history, Penguin Books, Londres, pp. 23-40,1993.

(10) Gould, S.J., Dinosaur in a haystack: reflections in natural history, Penguin Books, Londres, p. 333, 1996.

(11) Extinct Australian animals, <en.wikipedia.org/wiki/Extinct_Australian_animals>, 4 junho 2007.

(12) Ilhas podem se formar por diferentes processos geológicos. Algumas ilhas são na verdade partes de um continente, separados dele por águas rasas. Evidências sugerem que essas ilhas já foram parte do continente. Um exemplo de ilha continental é a Ilha Kangaroo. Ilhas oceânicas são encontradas em arquipélagos, que orlam as margens de um recife continental. São na maioria vulcânicas, com alguma quantidade de calcário. Exemplos: Ilhas Lord Howe, Ilhas Norfolk, Ilhas Macquarie e Surtsey.

GARRY GRAHAM, B.App.Sc. (Natural Resources), Grad.Dip.Ed.(Secondary), trabalhou formalmente na administração de pesqueiros e inspeção de peixes exportados com a Australian Quarantine e o Serviço de Inspeção, e, por mais de uma década, foi autônomo. Desde 2000, Gary tem ensinado ciência e tecnologia em uma faculdade cristã na Austrália.

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