Discurso de paraninfo feito à turma de 3EM de 2011 do Colégio Nossa Senhora de Fátima, em 20 de dezembro de 2011.


por Daniel Ruy Pereira

Comecei a trabalhar com vocês em 2010. E passamos por muitas coisas em apenas dois anos, 3EM.

Isso me faz pensar. Segundo o IBGE de 2009, o brasileiro tem uma expectativa de vida de 73 anos. Essa é a média que os brasileiros de hoje viverão. Que coisa interessante. Se cada um de vocês viver 73 anos, os dois anos que passamos juntos significam 2,7% da vida de vocês.

Vocês estão entendendo? Eu, Prof. Daniel, acompanhei 2,7% das suas vidas. Quanto aos outros 97,3%, não faço ideia. Mas sei que, se vocês fizeram tanto em 2,7%, o que não farão em 97,3%? O que a vida lhes reserva? Ninguém pode dizer.  O que eu posso dizer é que, talvez, 50% da vida de vocês não fique tão marcado na memória como o resumo desses 2,7%. E, disso, eu e meus colegas professores, diretores, coordenadores, inspetores, zeladores, secretárias, tias da cantina e tias da limpeza, participamos. Vocês saem do Fátima, mas o Fátima não sai de vocês. Não me refiro à marca, à instituição “escola”, que tem um CNPJ. Isso é o de menos. Me refiro, antes, à experiência que chamamos “Fátima”, que não pode ser medida. Me refiro aos telefones trocados, aos beijos e abraços, aos livros e CDs compartilhados, aos filmes assistidos e discutidos, aos conteúdos aprendidos, às broncas, aos elogios, às lições intelectuais, humanas, morais, biológicas, matemáticas, linguísticas, históricas, geográficas, físicas, químicas e aeróbicas – enfim, me refiro a 2,7% de suas vidas, passados neste perímetro. Isso, meus amigos formandos, ficará marcado para sempre.

Pois é, mas vocês estão crescendo. Vão sair daqui e comemorar no baile, vão dançar, vão se divertir, vão celebrar esse momento com seus pais, amigos, tios, familiares. E devem mesmo fazer isso. Celebrem suas vitórias. Mas não se esqueçam que elas só são vitórias porque foram difíceis; a gente só conhece o conceito de vitória quando conhece o gosto amargo da derrota. Esse é o drinque da vida: doce e amargo, em quantidades variáveis para todos. Mas mesmo assim é uma delícia.

Fizemos um bocado de coisas, hein, 3EM? Mas fizemos, juntos. E, como o conhecimento é construido coletivamente, e cada pessoa que passa nas nossas vidas tem algo a nos ensinar, termino meu discurso com cinco citações de pessoas importantíssimas para mim. O que sou hoje, devo em parte às lições contidas nessas citações.

A primeira, da minha professora de Biologia, Anna Lucia, “Prometa, Ana, telefonar.” O que significa, mesmo? Prófase, Metáfase, Anáfase e Telófase.

A segunda, da minha mãe: “Daniel! Deus não é carrasco, Ele te ama!”

A terceira, de Salomão, no livro de Provérbios 4:6-10… “Não abandone a sabedoria, e ela o protegerá; ame-a, e ela cuidará de você. O conselho da sabedoria é: Procure obter sabedoria; use tudo o que você possui para adquirir entendimento. Dedique alta estima à sabedoria, e ela o exaltará; abrace-a, e ela o honrará. Ela porá um belo diadema sobre a sua cabeça e lhe dará de presente uma coroa de esplendor. Ouça, meu filho, e aceite o que digo, e você terá vida longa.”

A quarta, de Steve Jobs, no discurso aos formandos da Universidade de Stanford, em 2005. “O trabalho vai ocupar uma parte substancial de nossas vidas, e a única maneira de ficarmos realmente satisfeitos é desempenhar um trabalho que acreditamos ser grandioso. E a única maneira de fazer um trabalho grandioso é amar aquilo que fazemos. Se ainda não descobriram o que é que amam fazer, sigam procurando. (…) Lembrar que vamos morrer é a melhor maneira que conheço de evitar a armadilha de pensar que temos algo a perder (…) Não há motivo para não seguir o coração. Tenham a coragem de seguir seu coração e sua intuição (…) Tudo o mais é secundário (…) Continuem esfomeados. Continuem bobos.”

E a quinta é a seguinte: “Não! Tentar não! Faça ou não faça. Tentativa não há.” Essa é do grande Mestre Yoda. Star Wars, “O Império Contra-Ataca”.

Precisaremos sempre dessas lições.

Parabéns a vocês pais e familiares, parabéns escola e colegas. Parabéns a vocês formandos. Vida longa e próspera.

Um abraço e que Deus os abençoe,

Prof. Daniel Ruy Pereira.

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