Procurando mais informações sobre Steve Jobs na gloriosa Internet, topei com esse belo texto de Justin Buzzard, pastor da Garden City Church, em Silicon Valley, onde vive com a esposa e seus três filhos. Possui Mestrado em Teologia pelo Fuller Theological Seminary. Cedeu gentilmente o texto para que o traduzíssemos. Thank you Pr. Justin!


Artigo traduzido de: Buzzard Blog. Título original: “Steve, Silicon Valley, and Jesus”. Usado com permissão.

por Justin Buzzard

Tradução de Daniel Ruy Pereira

Moro a nove quilômetros da sede da Apple. Ontem, dirigi esses 9km para almoçar em um restaurante que fica em frente à Apple, com um programador que trabalha na Apple, membro de nossa igreja. Fiquei impressionado pela paixão deste homem em trabalhar na Apple e por compartilhar o Evangelho com seus colegas de trabalho.

Contei a ele sobre meu velho amigo que era bastante importante na Apple, um cristão que viu o evangelho se espalhar de um modo excitante dentro da companhia. Contei-lhe como, em vários cafés-da-manhã que tive com esse meu velho amigo, Steve Jobs algumas vezes ligava ou mandava uma mensagem a ele durante nosso café. Foi o mais perto que cheguei de Steve Jobs.

Mas Steve Jobs se aproximou de mim. Seus produtos estão em minha casa e em meu bolso. As invenções de Steve devem estar em sua casa também. As invenções de Steve estão em todo lugar.

Isso é o mais excitante em viver e trabalhar no Vale do Silício: o que acontece aqui impacta o mundo. Creio que não exista outra localização geográfica parecida, uma região que tenha um impacto global tão exponencial. Pense sobre isso. O Vale do Silício é o lar da Apple, da Google, do Facebook, do eBay, do Yahoo!, do LinkedIn, da Netflix, da Hewlett-Packard, da Adobe Systems, da Cisco, da Oracle, da Intel e de muitas outras empresas paradigmáticas que mudaram nossa forma de viver.

Não foi só o que está nos meus bolsos que Steve Jobs impactou, mas também os próprios bolsos. Muitas vezes fico pensando se a razão pela qual eu prego de jeans é porque Steve Jobs palestrava de jeans – foi Steve que tornou isso normal para um líder, isto é, se apresentar a uma multidão para de entregar uma informação muito importante vestindo  jeans? E várias vezes eu me referi ao ex-CEO da Apple simplesmente como “Steve”. Essa é a cultura aqui no Vale do Silício: casual. Você chama o CEO da mais valiosa companhia da América por “Steve”, e não “Sr. Jobs”. Vinte anos atrás você jamais se dirigiria ou falaria assim a um CEO ou a outras posições de autoridade. Aqui no Vale do Silício, e ao redor do mundo todo, Steve impactou nossa tecnologia, nossa moda e como falamos uns com os outros.

Steve teve uma quantidade gigantesca de realizações em 56 anos. Em minha opinião, a minha e a sua vida são melhores por causa de um homem chamado Steve. Mas agora, Steve está morto. O homem que melhorou nossa vida acabou de perder a sua.

Gosto de pensar que Steve possa ter colocado sua fé em Jesus em seus últimos dias. É inteiramente possível. Sei que Steve vinha tendo contatos regulares com cristãos e estava ouvindo o evangelho na Apple. Só Deus sabe onde Steve está hoje. (1)

Jesus viveu na Terra por apenas 33 anos, em um lugar bem menos sexy que o Vale do Silício. Nunca inventou nada, mas ainda assim mudou o mundo. Ele morreu de um modo bem mais brutal que Steve. Aliás, Ele não somente morreu, mas foi assassinado. Dois mil anos depois, Jesus está em todos os lugares – por todo o mundo as pessoas ainda falam dEle, adorando-o, amando-o e seguindo-o. Nós falaremos de Steve por muito tempo, mas conforme as décadas passarem, o assunto vai desaparecer. E a Apple não é eterna.

Steve deu 56 anos de sua vida para melhorar nossa vida.

Jesus deu 33 anos de sua vida para salvar nossa vida.

Esta é a grande diferença entre Steve e Jesus. Steve veio melhorar. Jesus veio salvar. Um homem acreditava que melhoramento era o que mais precisávamos. O outro pensava que salvação – resgate – era o que mais precisávamos.

O evangelho do Vale do Silício é o melhoramento. Moro e pastoreio em um lugar que está melhorando a vida aqui e no mundo todo. Sonho em impactar esta região que impacta o mundo com um evangelho diferente. Steve é grandioso. Mas não precisamos de Steve; precisamos de Jesus. Sou grato pelo homem que melhorou nossas vidas. Mas precisamos conhecer o homem que deu Sua vida para salvar a nossa. (2)

Referências e notas

(1) Evidentemente, essa observação deriva de nossa admiração pelo homem. Mas vale lembrar que as boas ações de um homem não determinam seu destino eterno. Steve Jobs era humano como nós, pecador como nós, e precisava reconhecer o senhorio de Cristo, entregando-se a Ele, como nós precisamos. Para ilustrar isso, cito Alexandre Matias, na edição de 10 de outubro de 2011 do caderno Link, do jornal O Estado de S. Paulo. Depois de falar sobre a radicalização de Steve quanto à cultura open source, sobre ser “um chefe cruel, intolerante, desumano”, sobre o fato de que ele “orgulhava-se de não fazer caridade e estacionava na vaga de deficientes, só porque podia” e sobre as condições sub-humanas em que seus produtos eram fabricados na China, Matias conclui: “Um bom homem de negócios não é, necessariamente, um homem bom.” Leia o artigo, na íntegra, aqui nesse link. E para uma análise diferente dessa aqui, leia o ótimo artigo de PORTELA, David Zekveld. Steve Jobs: transcendência e imanência. O Tempora, O Mores! 6 outubro 2011. Disponível aqui.

(2) Às palavras do autor, acrescento que Jesus não apenas perdeu sua vida. Ele a deu voluntariamente, conscientemente. Jesus foi assassinado, mas por que quis ser. Ele veio para isso, como nos mostram os Evangelhos. Assim, ao invés de pensar em Jesus como um pobre homem condenado inocentemente, devemos pensar nele como um homem determinado a cumprir seu objetivo: a morte pela cruz, a fim de tomar sobre Si o castigo que era nosso, e desviar, de nós para  Si, a ira de Deus. Ao invés de vítima, Jesus é um herói.

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