Artigo traduzido de Creation 25(3):54-55. Título original: “Space life? Answering unearthly allegations. Copyright Creation Ministries International Ltda., <www.creation.com>. Usado com permissão.

por Michael Matthews

por Daniel Ruy Pereira

Ano passado (2002, N.T.) pesquisadores anunciaram evidências da presença de micróbios na estratosfera superior, e testes recentes aparentemente confirmaram a descoberta. Notícia excitante essa: a descoberta de vida no espaço. Mas uma questão permanece: a vida veio do espaço?

A descoberta de seres vivos a essa altura, 41 km, é, de fato, incrível, mas não ao ponto de atrair tanta atenção da mídia. A verdadeira razão para esse interesse todo é a afirmação dos pesquisadores de que sua descoberta apoia uma outra hipótese sobre a origem da vida: a “panspermia”. Esta é a crença de que a vida evoluiu (e continua evoluindo) em outro lugar do universo, e que, consequentemente, a Terra foi “semeada” com vida há cerca 3,8 bilhões de anos atrás. De fato, alguns de seus proponentes crêem que a vida microscópica ainda é, periodicamente, trazida à Terra no interior de cometas. Essa hipótese foi primeiramente proposta, em detalhes, pelo químico sueco laureado com o Nobel, Svante Arrhenius (1859-1927). Ele propôs que um leve impulso poderia propelir esporos por vastas distâncias no espaço.

Primeiro, vamos aos fatos

De acordo com o comunicado do Centro de Astrobiologia da Cardiff’s University (Reino Unido):

“… vários institutos de pesquisa na Índia colaboraram em um projeto pioneiro para enviar amostras criogênicas em balões esterilizados para a estratosfera (…) Grande quantidade de ar da estratosfera, a altitudes variando de 20 a 41 km, foi coletada em 21 de janeiro de 2001 (…) O Dr. Milton Wainwright, do Departamento de Biologia Molecular e Biotecnologia da Universidade de Sheffield (…) isolou um fungo e duas bactérias de uma das amostras oriundas do espaço, coletadas a 41 km. A presença de bactérias nessa amostra foi, então, confirmada de forma independente (…) Os organismos isolados são muito semelhantes às variedades terrestres conhecidas… [mas] deve ser ressaltado que esses microorganismos não estão entre os contaminantes laboratoriais comuns.” (1)

De acordo com um artigo publicado na FEMS Microbiology Letters (2), os pesquisadores foram até grandes altitudes a fim de evitar contaminação, e mostraram criatividade ao permitir que as amostras se reproduzissem. O Dr. Wainwright isolou duas espécies de bactérias – Bacillus simplex e Staphylococcus pasteuri – e um fungo, Engyodontium album. Ele disse que essas espécies não são contaminantes típicos, e nunca crescem em laboratório quando são isolados.

A ciência de verdade acaba aqui.

Agora, o resto…

Quando se interpreta observações científicas, é importante, em primeiro lugar, reconhecer os pressupostos do observador. O comunicado veio do Centro de Astrobiologia, dirigido por Chandra Wickramasinghe. Ele, juntamente com o falecido Fred Hoyle, é um dos que primeiro propuseram a idéia de cometas trazendo vida à Terra. Não é necessariamente errado que ele tenha pressupostos – tanto criacionistas como evolucionistas os têm. Apenas é importante reconhecer francamente esses pressupostos.

O pressuposto de Wickramasinghe, porém, levou-o a concluir muito mais do que as evidências permitem. A descoberta de vida no espaço não nos mostra de onde a vida se originou. No entanto, Wickramasinghe corajosamente disse a um jornalista da United Press que “as descobertas apoiam a ideia de panspermia, a teoria que diz que cometas não apenas trouxeram o primeiros seres vivos à Terra, há 4 bilhões de anos, como também devem estar fazendo isso atualmente.” (3)

Aqui está a linha de raciocínio que Wickramasinghe deu ao jornalista. Encontrar micróbios semelhantes aos da Terra é o que a teoria “prevê”, disse ele, porque sua teoria propõe que as bactérias da Terra evoluíram de micróbios espaciais no passado. “Elas são extremamente aparentadas às bactérias conhecidas da Terra, mas isso é o que a teoria da panspermia prevê”, explicou Wickramasinghe (4).

Porém, na realidade, isso se parece mais com o que uma hipótese terrestre prevê. A saber, que bactérias oriundas da Terra flutuaram até 41 km no espaço. Esperaríamos que amostras no espaço fossem semelhantes a bactérias da Terra. Mas se sua hipótese diz que bactérias do espaço se adaptaram às constantes mudanças ambientais na Terra, ao longo de milhões de anos, incontáveis trilhões de gerações de bactérias, então você não poderia esperar que amostras modernas do espaço fossem idênticas a bactérias da Terra.

Como o AiG (5) disse previamente em um comunicado (6), há algo estranho sobre uma afirmação que alega ser mais provável que as bactérias tenham vindo de cometas distantes, a trilhões de km de distância, que da Terra, a 41 km (7). Os dados certamente não levam a essa conclusão – é algo em que os pesquisadores acreditavam antes de terem coletado qualquer evidência.

De qualquer modo, poderia ser apenas contaminação

Dr Wainwright, que isolou as bactérias e fungos, foi honesto ao dizer que sempre há o risco de contaminação, mesmo sob as melhores circunstâncias. Sem mais pesquisas espaciais, ele apenas pode dizer que “a lógica interna (…) aponta fortemente” para sua crença que as bactérias e fungos não são os contaminantes:

“Contaminação é sempre uma possibilidade em estudos como este, mas a ‘lógica interna’ dos achados aponta fortemente para organismos isolados no espaço, a uma altura de 41 km. É claro que os resultados seriam prontamente aceitos e enaltecidos pelos críticos se tivéssemos isolado novos organismos, ou se alguém da NASA tivesse escrito sobre isso! Porém, podemos apenas dizer que temos boa fé.” (1)

Origem da vida: um problema intransponível

Desconsiderando se os micróbios vieram do espaço ou da Terra, a origem do primeiro microorganismo permanece um imenso problema para os evolucionistas. De fato, este problema foi o motivo por trás da origem da teoria da panspermia. O pioneiro moderno da panspermia, Arrhenius, também foi motivado pela “falha de repetidas tentativas, de eminentes biólogos, de descobrir um único caso de geração espontânea da vida.” (8) Francis Crick, um proeminente advogado da “Panspermia Dirigida” (semeadura intencional de vida, feita por alienígenas) também foi motivado por repetidas falhas na “evolução química”. Como Wickramasinghe explicou ao http://www.space.com, é matematicamente impossível que a vida evoluísse na Terra:

“… o surgimento de vida a partir de uma sopa primordial na Terra é meramente uma questão de fé, que os cientistas têm dificuldades de deixar. Não há evidência experimental que apoie isso atualmente.

“De fato, todas as tentativas de criar vida a partir de não-vida, começando por Pasteur, têm sido frustradas. E também, recentes evidências geológicas indicam que a vida estava presente na Terra há mais de 3,6 bilhões de anos, em uma época em que a Terra era bombardeada por cometas e impactos de meteoritos, e nenhuma sopa primordial poderia esperar para fermentar.

“Nem todos os microorganismos poderiam sobreviver no espaço interestelar, é claro, mas a sobrevivência de uma diminuta fração desses micróbios deixando um sistema solar e atingindo o próximo estágio de formação planetária seria o suficiente para a panspermia ser esmagadoramente mais provável que o início de vida a partir do nada, em um novo lugar.

“As probabilidades contra micróbios sobrevivendo a uma jornada especial como essa tornam-se insignificantes quando comparadas às insuperáveis probabilidades contra o surgimento espontâneo de vida em uma pequena poça quente na Terra.” (9)

Mas Hoyle e Wickramasinghe conseguiram perceber que as probabilidades de geração das informações genéticas necessárias, mesmo para a forma de vida mais simples, são improváveis demais, mesmo se o universo todo fosse uma sopa primordial. Até mesmo as mais simples bactérias são, de longe, complexas demais para ter evoluído – elas devem ter sido criadas. Hoyle and Wickramasinghe creram que o criador estava dentro do cosmos, mas o livro de Gênesis deixa claro quem era o Criador, e nos diz que Ele criou todas as formas de vida há cerca de 6000 anos.

Referências e notas

(1) Microorganism isolated in space, Scientific News 24 Dezembro 2002, por Cardiff University, SciTecLibrary.com <www.sciteclibrary.com/eng/catalog/pages/4327.html>, 11 February 2003.

(2) Wainwright, M. et al., Microorganisms cultured from stratospheric air samples obtained at 41 km, FEMS Microbiology Letters 218 (2):161–165, 21 Janeiro 2003.

(3) Mitchell, S., Scientists find evidence of life in space, <www.upi.com/view.cfm?StoryID=20021216-052639-6668r>, 11 Fevereiro 2003.

(4) O comunicado do Centro de Astrobiologia diz o mesmo: “O trabalho de Wainwright et al. é consistente com as ideias de Hoyle and Wickramasinghe “que, realmente, predizem a contínua entrada de organismos “modernos” à Terra. Nos anos e meses mais recentes, tem crescido o corpo de evidências que podem ser interpretadas como apoiando a teoria da panspermia – isto é, as capacidades de sobrevivência no espaço e resistência geral ao espaço, pelas bactérias.”

(5) N.T. AiG é a sigla para Answers in Genesis (Respostas no Gênesis), nome de uma instituição criacionista australiana.

( 6) Wieland, C. e Sarfati, J. Life from space? Unlikely… Let’s wait and see, 2001. Disponível em <http://creation.com/life-from-space-unlikely-lets-wait-and-see&gt;.

(7) Como as bactérias puderam viajar tão alto na estratosfera continua sendo um mistério, pois isso parece desafiar a gravidade. “Mecanismos possíveis pelos quais esses organismos puderam atingir essa altura” é um dos tópicos abordados pelo artigo que Wainwright et al. publicaram sobre seus experimentos. Eles argumentam que nenhuma erupção vulcânica ocorreu por pelo menos dois anos antes dos experimentos serem feitos, e afirmam que nenhum evento meteorológico poderia explicar a densidade das bactérias que eles acreditavam existir na estratosfera (se fosse o bastante para eles encontrarem amostras na pequenas área que procuraram)”.

(8) Arrhenius, S., Panspermy: The Transmission of Life from Star to Star, Scientific American 196:196, 1907.

(9) Britt, R., Panspermia Q and A: leading proponent Chandra Wickramasinghe, <www.space.com/searchforlife/chandra_sidebar_001027.html>, 11 Fevereiro 2003.

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