por Daniel Ruy Pereira

As chuvas estão deixando um verdadeiro caos em São Paulo. Ouvi no noticiário que, desde que começaram a fazer pluviometria no Estado, há uns 75 anos, nunca se  registrou tanta chuva em tão pouco tempo. Mais de 70 pessoas morreram, levadas pelas enxurradas, centenas (e talvez milhares) perderam muito do que levaram tempo para conquistar, as seguradoras perderam um dinheirão indenizando segurados que perderam carros e imóveis. Isso sem falar nos desabamentos…

Eu moro praticamente à margem do rio Tamanduateí, que conduz a Avenida dos Estados do Grande ABC a São Paulo. Ontem não alagou minha rua, mas há uns dias ela ficou cheia de lama. Moro em um prédio, mas foi triste ver meus vizinhos terem que limpar tudo, levando quase o dia inteiro para lavar só suas garagens e calçadas. As margens do rio Tamaduateí estão cedendo, e chega a dar medo se a Av. dos Estados não vai cair também.

Minha esposa ficou presa no Terminal Piraporinha, em Diadema, onde as enchentes foram mais violentas ontem. Ela sai do trabalho às 17h50, e só chegou em casa às 21h. Não tinha como vir embora, e eu não tinha como ir buscá-la, porque não dava pra passar de jeito nenhum. O jeito foi esperar.

Fui me debruçar na janela (lugar bom para se pensar nas coisas). “Que caos! Que destruição!” Olhei para o céu. Vi um belo de um arco-íris.

Me lembrei que, há muitos anos, houve um Dilúvio, muito mais terrível, e assustadoramente mais mortal.  Inigualável. Aquele Dilúvio foi Deus quem mandou, e teve lá os seus motivos. Mas as enchentes de hoje são culpa nossa. Nós não planejamos o crescimento de nossas cidades, nós entupimos os bueiros com lixo, nós poluimos os rios, nós não construímos piscinões suficientes, nós não temos vontade política de mudar o cenário, nós somos responsáveis pelo aquecimento global (se é que, dessa vez, ele tem participação na coisa toda). Os humanos são os únicos culpados pelas enchentes.

Sorri. Lembrei que, quando acabou o Dilúvio, Deus deu um arco-íris para Noé e sua família. E disse:

Estabeleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra”. E Deus prosseguiu: “Este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e com todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras: o meu arco que coloquei nas nuvens. Será o sinal da minha aliança com a terra. Quando eu trouxer nuvens sobre a terra e nelas aparecer o arco-íris, então me lembrarei da minha aliança com vocês e com os seres vivos de todas as espécies. Nunca mais as águas se tornarão um dilúvio para destruir toda forma de vida. Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra”. (Gênesis 9:11-16, NVI)

É uma promessa e tanto. Ainda mais porque o arco-íris é um fenômeno puramente físico, de divisão da luz branca quando incide sobre gotas de chuva, e toda vez que chove, é possível e provável que ele se forme. Por isso, toda vez que chove, Deus se lembra de Sua promessa. Isso é encorajador.

Ele está cuidando de nós.

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