Queridos leitores,

Desculpem a ausência, mas fiquei sem Internet. Vou postar essa semana um debate que estou tendo no blog World Evolution. Está muito interessante e, por isso, resolvi postar aqui. Segue o último comentário, na íntegra.

Jocax, Paulo e pessoal,

Prefácio

Pessoal, desculpem o tamanho do post, mas precisei fazer algo completo, por isso saiu grandinho. Vou dividir meu post em seções para facilitar. As letras maiúsculas são ênfases. Coloquei as referências no final. Jocax, conferi os números da tradução do texto do Morris e estão corretos. Assim, não consegui entender sua dúvida. Coloquei outro autor e outros números neste post.

Introdução

Andei lendo os seus comentários e comecei a pensar no que eu estava errando, porque não é possível que alguém insista tanto em um argumento inválido como você está fazendo com as probabilidades. Vou tentar ser o mais didático possível para que todos os que lerem entendam de uma vez por todas o por quê da probabilidade da vida surgir por acaso é ínfima, e como a teoria das probabilidades é um solo instável para se construir um edifício como sua fé sobre a origem da vida.

Vida se originando por acaso?

Em primeiro lugar, que fique claro que Miller e Urey obtiveram aminoácidos, uns poucos, em sua experiência. Os experimentos continuaram, com outros autores, e, embora o número de aminoácidos produzidos tenha aumentado, NUNCA se produziu uma proteína. Há uma enorme diferença entre obter um aminoácido e obter uma proteína. As proteínas são formadas de vários (na ordem de milhares para cima) aminoácidos, combinados de um total de 20 que estão presentes em todos os seres vivos – pois há aminoácidos naturais que não estão nos seres vivos. Além disso, elas não são apenas uma estrutura linear de aminoácidos, mas têm uma estrutura secundária (um dobramento), uma estrutura terciária (mais dobramentos sobre si mesma em uma configuração tridimensional) e até mesmo uma estrutura quaternária (junção de mais uma proteína, com grupamento químico diferente, dando uma função específica, como é o caso da hemoglobina). Mas não vamos parar por aqui. As proteínas, como os aminoácidos, têm quiralidade, que é uma propriedade bem legal. Uma molécula pode ser “idêntica” a outra, mas, se ela for quiral, basta colocá-las em frente do espelho e veremos que elas não se sobrepõem. Chamamos uma de D-proteína (porque desvia a luz para o lado direito), e a outra de L-proteína (desvia a luz para o lado esquerdo).

Pois então, qual é a dificuldade Jocax?

Para se obter UMA (de milhões de proteínas presentes nos seres vivos), apenas UMA proteína, você precisa 1) de uma sequência de aminoácidos apenas entre aqueles 20; 2) Esses aminoácidos precisam estar arranjados de forma que permitam dobramentos sobre a própria sequência, de forma que permita  funcionalidade da molécula; 3) A quiralidade precisa ser D, pois TODAS as proteínas do corpo são D-proteínas. 4) Os aminoácidos precisam ser ligados uns aos outros.

Nenhum experimento até hoje, Jocax, conseguiu produzir uma proteínas ao acaso. Miller pode ter obtido aminoácidos, mas isso só prova uma coisa, que aminoácidos podem ser obtidos, em laboratório, a partir de gases inorgânicos. Jamais prova que a vida surgiu a partir de aminoácidos. Até os evolucionistas já reconheceram isso!

Se não for suficiente pra você, vamos falar em probabilidades. Aqui, cito Fernando De Angelis.

“Consideremos uma proteína ultracurta, de só 100 aminoácidos (…) Existindo 20 tipos de aminoácidos diferentes, podem ser formados com eles 20^2 pares distintos, 20^3 conjuntos de 3, etc, até serem obtidos 20^100 tipos de proteínas diferentes, cada uma com 100 aminoácidos.

“Mas 20^100 = (2×10)^100 = (2^10)^10 x 10^100

Se aproximarmos 2^10 = 10^3 resultará:

20^100 = (10^3)^10 x 10^100 = 10^30 x 10^100 = 10^130

que será o número médio de proteínas necessário para obter aquela que foi predeterminada.

“Fazendo igual a 100 Daltons o peso molecular médio dos 100 aminoácidos de nossa proteína, ela pesará 10.000 Daltons, isto é 10^4 Daltons, e nossas 10^130 proteínas pesarão 10^134 Daltons. Para transformar este peso em quilogramas será necessário dividi-lo pelo número de Avogadro (que consideraremos igual a 10^24 e que dá o peso em gramas) e por 10^3 (para ter o resultado em quilogramas). Obtem-se então para o peso das proteínas o valor 10^107 kg, para que se possa formar ao acaso aquela proteína predeterminada.

“Se considerarmos para as proteínas o peso específico igual ao da água, teremos para o volume de todas as 10^130 proteínas o valor igual a 10^107 dm^3, ou 10^95 km^3. Tirando a raiz cúbica desse valor, obtem-se para a aresta do cubo correspondente a esse volume o valor aproximado de 10^32 km.

“Um foguete que se deslocasse com a velocidade da luz (300.000 km/s), no decorrer de um ano teria percorrido ‘somente’ 10^13 km, e para percorrer uma distância igual à aresta desse nosso cubo levaria 10^20 anos-luz, isto é 100 milhões de milhões de milhões, (ou 100 quintilhões) de anos-luz.

“É esse o tempo necessário para navegar nesse oceano de proteínas para obter por acaso aquela nossa proteína predeterminada!” (1)

Agora, Jocax, perceba isso, todo esse jogo matemático é apenas o topo do iceberg. O que vale é perguntar: “Mesmo produzindo aminoácidos ao acaso, será que eles poderiam se ligar, ao acaso, para formar uma proteína?” A resposta vem também em citação, de um autor evolucionista:

“Muitas moléculas de proteína são longas cadeias de aminoácidos unidos por LIGAÇÕES PEPTÍDICAS (- CO.NH -), o grupo amina (-NH3) de um ligando-se ao carboxila (-COOH) de outro por desidratação SOB CONTROLE ENZIMÁTICO.” (2, ênfase do autor)

Isso quer dizer que aminoácidos se ligam a outros aminoácidos quando há uma enzima catalizadora para viabilizar o processo. Sem a enzima, isso levaria muito, mas muito muito muito tempo para que somente dois aminoácidos se ligassem um ao outro – se é que seria possível uma coisa dessas acontecer. E como enzimas são proteínas, que são feitas por instrução do DNA, por ação de proteínas, caímos em um problema do tipo ovo-galinha. Quem surgiu primeiro, Jocax? A proteína ou o DNA?

O que se conclui disso tudo? Que o surgimento de uma proteína (apenas uma), por acaso, é impossível. Quanto mais o surgimento de vida “simples”, que já é de uma complexidade enorme!

A complexidade de dois conjuntos filosóficos

Paulo, não propus nenhuma experimentação quanto à “navalha de Ocam”, que ainda é um negócio muito estranho. O que eu quis dizer foi que, se rejeitarmos o conjunto {Universo + Deus}, preferindo o conjunto {Universo} só porque este é mais simples, estamos nos apoiando em fé cega. Ambos os conceitos não são passíveis de teste, de jeito nenhum, mas a escolha é subjetiva. Reconheço que faltou dizer que não há experimentação que comprove estes conceitos e, ao preferirmos um a outro, só o fazemos por meio de um sistema de fé, exclusivamente.

O diabinho azul de Jocax

Jocax, eu entendi seu argumento sobre o diabinho azul. De fato, você pode dizer o que quiser sobre quem teria criado o universo. Poderia ser o seu diabinho azul que não tem os atributos de Deus, e que morreu de tanto esforço que fez? É claro que poderia! Mas note que isso é TOTALMENTE SUBJETIVO. Você está fazendo o que cada religioso faz. Alguns CREEM que quem criou foi Bhrama, outros, que foi Alá, outros que foi Tupã, outros que foi Deus, outros, que não foi ninguém. Como o ponto é esse, de fato, os atributos de Deus não entram na conversa, porque estamos fazendo do que cada um prefere fazer.

A pergunta é: com que base você faz isso?

Sua base é na complexidade de conjuntos, o que eu já mostrei ser insuficiente, pois você aceita um conjunto só por ser este mais simples que o outro. O problema, Jocax, é que a vida não é simples, e creio que a complexidade de proteínas que mostrei no início é uma evidência disso. Mas há outras evidências, como o sistema imunológico, a coagulação sanguínea, o transporte vesicular da célula, a bioquímica da visão, a tendência dos átomos à estabilização, o equilíbrio entre as cargas de prótons e elétrons, o equilíbrio entre matéria e anti-matéria, as atrações atômicas e moleculares, o região ótima para a vida, onde a Terra está posicionada, a tendência dos ecossistemas à auto-regulação…

Conclusão

Um criador, para criar vida, deve considerar TODOS esses fatores juntamente, desde o início, senão a vida não é possível. Além disso, deve fazer com que tudo surja instantaneamente e simultaneamente, em uma sincronização perfeita, ou a vida não é possível. Ademais, esse Criador deve também atribuir valor à sua criação (e para isso Ele deve ser bondoso), ser transcendente a ela, e ser destituído de falhas, pois Ele seria a origem da perfeição (embora degenerada não por falha Dele) que vemos nos sistemas vivos.

O único Deus que é assim, Jocax, Paulo e amigos deste blog, é o Deus da Bíblia. Ele criou tudo com tanta ordem, que tornou a ciência (e essa discussão) possível. Se vocês querem acreditar Nele ou não, isso é problema de vocês, mas lembrem-se, amigos, como lembrou Pascal (3) que, se Deus não existe, os cristãos verdadeiros estão em vantagem na corrida pela felicidade porque temos um padrão de vida ideal, temos consolo nas tribulações, nos sentimos perdoados por nossos pecados, através de Jesus Cristo, e acreditamos que vamos morar com Ele no céu, em felicidade eterna. Estes são conceitos que tornam a vida melhor para os crentes e os que estão à sua volta, e creio que isso não precisa ser demonstrado, pois é só olhar por aí e ver que é verdade (não confundir cristão sincero com cristão hipócrita). Se, no final, Ele não existir, tudo acabaria mesmo e, nem eu nem vocês perderíamos nada. Ninguém iria nem para o céu nem para o inferno. Só viraríamos nutrientes para as plantas.

Porém, se Deus existe, vocês estão com problemas sérios, porque não creem Nele, e quando morrermos, vão encará-lo face a face e responder a Ele sobre suas atitudes. Pelos méritos de Jesus, eu sei que estou bem, mas vocês não, pois Ele disse que

“Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus.” (4)

A condenação e a salvação são reais, porque Deus é real.

Assim, quem crê e serve a Deus ganha tudo, e não perde nada.

Tudo não passa de uma questão de fé.

Abraços e Deus abençoe (para que possam crer Nele),

Daniel.

Referências

(1) DE ANGELIS, Fernando. A origem da vida por evolução: um obstáculo ao desenvolvimento da ciência. 2 ed. Brasília: Sociedade Criacionista Brasileira, 2004. p. 76.

(2) STORER, Tracy Irwin; et al. Zoologia geral. 6. ed. rev. e aum. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2003. p. 24.

(3) STEYNE, Russell. A aposta de Pascal. Creation 30(1):49, dez 2007 a fev 2008. Disponível em: <http://considereapossibilidade. wordpress.com/2009/ 08/28/a-aposta-de-pascal/>. Acesso em 25 jan 2010.

(4) João 3:18. NVI.

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