por Daniel Ruy Pereira

São, certo? Qual não foi minha surpresa ao ler o jornal A Folha de S. Paulo de 13 de outubro de 2009 (1), e ver uma matéria incrível. Pensei que não fosse possível uma aranha que não fosse carnívora. Mas é aquela coisa, né? Vida é vida. Por mais que classifiquemos os seres vivos, sempre aparece um que nos surpreende mais do que estamos preparados. E, no meio de 40 mil espécies de aranhas conhecidas, aparece uma que é vegetariana.

No México e na Costa Rica, vive a aranha Bagheera kiplingi (Bagueera é o nome da pantera-vilã em “Mogli, o Menino Lobo”). Ela se alimenta de folhas de acácia. Acontece o seguinte: as acácias têm uma boa relação ecológica com as formigas: a formiga patrulha a árvore, eliminando outros insetos herbívoros, e a acácia faz o pagamento em pontinhas suculentas das folhas, muito nutritivas para as formigas.

Mas você sabe como são as aranhas… A B. kiplingi, como diz o repórter da Folha, “tira uma casquinha desse bom relacionamento”, comendo as folhas destinadas às formigas. Os cientistas não sabem dizer se isso é parasitismo ou não, pois as relações ecológicas são bastante complexas. Com essa dieta, a B. kiplingi parece ter superado um problema das aranhas: não precisa lançar sobre a presa seus sucos gástricos, para poder sugar o material digerido. Ela “mastiga” e chupa o material vegetal com as quelíceras. Como ela digere as folhas?

Precisamos ir com calma. Se você quer emagrecer, e é convidado a ir a um rodízio, você vai comer salada, mas uma carninha tem que ter! Pois é, a B. kiplingi pensa mais ou menos do mesmo jeito. De vez em quando, ela come as larvas da formiga, só que não é para dar uma colorida no prato, e sim porque provavelmente competem pelo mesmo alimento. Pode ser que essas poucas larvas tragam bactérias da flora intestinal das formigas, responsáveis por digerir as pontas das folhas.

O predatismo

Há algum tempo, publiquei aqui no blog um artigo que apresentou Lea, uma leoa que comia espaguete (2). É um tanto díspare pensarmos em um animal assim. Leões são carnívoros, mas é possível que um deles, saudável, coma material vegetal, cresça forte e com saúde.

Leões e aranhas são animais que chamamos de consumidores nas relações ecológicas. Sempre acima daqueles que comem as plantas – os herbívoros. Uma planta produz, o herbívoro consome a planta e o carnívoro consome o herbívoro. E ainda há carnívoros que consomem esses carnívoros. Passando por tudo isso, estão os decompositores, que consomem todos eles quando morrem.

O que permite essa teia trófica é aquilo que chamamos de predatismo. Nessa relação ecológica, organismos caçam organismos em busca da sobrevivência. Como resultado temos a transferência da energia produzida pelas plantas, na forma de alimento. As relações de predatismo e transferência de energia permitem que a vida seja hoje tão variada e rica como vemos em documentários da Discovery e National Geographic. É uma importante ferramenta para que atue a seleção natural.

Como um Deus de amor tem coragem de idealizar o predatismo?

Uma das coisas que colocou pulgas atrás das orelhas de Darwin foi justamente essa questão. Para ele, era impossível conciliar a doutrina cristã de um Deus de amor com o caso da vespa que bota seus ovos sobre uma aranha; ovos que, quando eclodem liberam larvas esfomeadas que comem a aranha – viva. Como Deus poderia idealizar um negócio tão macabro?

Eu entendo o que Darwin sentia nesse aspecto. É difícil mesmo conciliar. Ainda mais quando se considera o relato de Gênesis uma bobagem inventada, sem qualquer veracidade. Quando pensamos assim, tendemos a não prestar atenção à leitura, e barramos nossa compreensão.

Vou responder a essa questão assim: Deus não quis o predatismo, mas já sabia que acabaria sendo necessário.

Voltando ao Princípio

vegetais

No princípio, criou Deus os céus e a terra. Então, por meio de Sua Palavra foi criando as coisas. Criou as plantas e os animais. E o homem. Como esses organismos manteriam suas vidas, através da alimentação saudável?

Disse Deus: “Eis que lhes dou todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimento para vocês. E dou todos os vegetais como alimento a tudo o que tem em si o fôlego de vida: a todos os grandes animais da terra, a todas as aves do céu e a todas as criaturas que se movem rente ao chão. (Gênesis 1:29-30, NVI)

Aí está: Deus os criou vegetarianos, todos, inclusive leões e aranhas. Alguém pode perguntar: mas a humanidade viveria só a salada e frutas? Ora, basta olharmos para nossas cozinhas, para um belo prato de arroz, feijão, batata e salada. Todos alimentos vegetais, gostosos, saudáveis e fáceis de preparar. Porém, com a Queda e maldade crescente do ser humano, Ele resolveu destruir a tudo com um dilúvio avassalador. Depois desse dilúvio, como havia escassez de provisões, Deus liberou ao homem uma dieta carnívora.

Tudo o que vive e se move servirá de alimento para vocês. Assim como lhes dei os vegetais, agora lhes dou todas as coisas.(Gênesis 9:3, NVI)

Deus previu tudo o que aconteceria. Por isso, programou geneticamente a todos os predadores para desenvolverem o predatismo nesse caso. E programou todas as presas com meios de se defenderem. A seleção natural e a especiação
encarregaram-se do resto.

Conclusão

As crueldades do mundo natural não são responsabilidade de seu Criador, mas do homem, que resolveu desobedecer e condenar o universo a degenerar consigo. Ao olharmos para animais como a B.kiplingi, somos lembrados daquilo que era perfeito, mas que foi amaldiçoado (e continua sendo) por nossa causa. Todavia, a promessa de Deus é que tudo será novo um dia. Novos céus e nova terra , sem predatismo, aquecimento global e crueldades. Isso tudo de graça para quem quiser acreditar no Seu Filho, Jesus Cristo.

Referências

(1) ARANHA DO MÉXICO É VEGETARIANA, afirma grupo de cientistas. Folha de S. Paulo, 13out 2009, p. A16.

(2) CATCHPOOLE, David. Lea: a leoa que come espaguete. Considere a Possibilidade, 13 ago 2009. Disponível em: <https://considereapossibilidade.wordpress.com/2009/08/13/lea-a-leoa-que-come-espaguete/&gt;. Acesso em 22 out 2009.

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