Artigo traduzido de: Creation 29(4):44-45, set-nov 2007. Título original: “Lea, the spaghetti lioness”. Copyright Creation Ministries International Ltda, <www.creation.com>. Usado com permissão.

por David Catchpoole

Tradução por Daniel Ruy Pereira


Janeiro de 2002. Através das cameras dos jornalistas, uma leoa muito impressionante chamada Lea chega na Reserva Natural Rhino & Lion, próximo a Johannesburgo, África do Sul, vinda de Roma, Itália, depois de uma jornada de 30 horas (1).

Antonio apresenta sua amada Lea ao novo lar - seu sonho de encontrar uma nova moradia para ela finalmente tornou-se realidade. Mas a leoa de sete anos de idade agora deve enfrentar o desafio de aprender a comer carne - pela primeira vez em sua vida. Fotos Rhino & Lion Nature Reserve.
Antonio apresenta sua amada Lea ao novo lar – seu sonho de encontrar uma nova moradia para ela finalmente tornou-se realidade. Mas a leoa de sete anos de idade agora deve enfrentar o desafio de aprender a comer carne – pela primeira vez em sua vida. Fotos Rhino & Lion Nature Reserve.

Por que “muito impressionante”? Porque essa felina de sete anos de idade não combina com o estereótipo de “carnívoro feroz” que os leões têm, já que cresceu se alimentando não de carne, mas de uma dieta de batatas, vegetais verdes e macarrão com queijo. De fato, Lea ganhou o apelido de “Garota do Espaguete”, por causa do seu prato favorito – espaguete –, que ela particularmente adora quando temperado à napolitana (2,3). Mas agora, os cuidadores de seu novo lar na África do Sul estão enfrentando o “verdadeiro desafio”: pela primeira vez na vida de Lea, incentivar essa “Garota do Espaguete” a se alimentar de carne e interagir com outros leões.

Bastidores

A mãe de Lea viveu no Zoológico de Nápoles, que tinha a prática de vender os filhotes nascidos ali. Assim, com seis semanas de vida, Lea foi parar na vila italiana de Nettuno, sob os cuidados de um homem chamado Antonio Vincenzo. Eles pareciam inseparáveis; Lea dormia na cama de Antonio à noite, e o acompanhava onde quer que fosse durante o dia, sem qualquer tipo de coleira ou restrição – através de ruas movimentadas, por entre as multidões e até mesmo ao supermercado mais próximo. Não é surpresa que “todos em Nettuno conheciam Lea”, e sua dieta de espaguete, vegetais e molho de tomate (4).

Porém, quando Lea tinha um ano de idade, as circuntâncias do trabalho de Antonio mudaram e ele não pôde mais cuidar de seu “bichinho” em casa. Um zoológico da periferia de Roma concordou em acomodar Lea, contanto que Antonio fornecesse a alimentação necessária. E assim Lea continuou a crescer com sua dieta de massas, ricota e vegetais. Mas, vendo-a confinada a uma área de concreto de 4m x 4m, Antonio resolveu encontrar para ela um lugar melhor para viver. (Ele a visitava todos os domingos, e a leoa chorava e reclamava quando chegava a hora de ir embora (2).)

Após anos de procura inútil (5), finalmente abriram-se as portas para que Lea fosse enviada para a África do Sul – Antonio a acompanharia em sua jornada e ficaria com Lea no novo lar por algumas semanas, a fim de ajudá-la a se adaptar.

Uma dieta “estranha”?

Dado o apelido característico de Lea (“Garota do Espaguete”) e a publicidade associada com sua mudança para a África do Sul, muitas pessoas tomaram conhecimento do que Lea comera nos primeiros sete anos de sua vida – e ficaram impressionadas. Um jornalista escreveu: “Apesar de sua estranha dieta, ela se desenvolveu”. Essa leoa não somente sobreviveu (por sete anos), mas se desenvolveu com uma dieta sem carne desde a infância.

Lea não é a única na história recente (dos leões) a ter sucesso no desenvolvimento com uma dieta sem carne. Uma renomada leoa vegetaria nos EUA não comeu carne alguma por todo o seu período de vida (6,7). E muitos outros animais normalmente conhecidos como carnívoros (por exemplo, cães (8), abutres (9)), são sabidamente capazes de viver sob dietas destituídas de carne.

Para entender essa situação, precisamos voltar ao passado. Mas qual passado é correto? A evolução ou a Bíblia? Isso simplesmente não faz sentido sob uma perspectiva evolucionista – de que este é um mundo onde “um-come-o-outro”, e que animais com dentes afiados, garras e bicos evoluíram por milhões de anos para serem carnívoros.

Lea em seu cativeiro no zoológico italiano. Foto Kalahri Raptor Centre.
Lea em seu cativeiro no zoológico italiano. Foto Kalahri Raptor Centre.

Por outro lado, a Bíblia nos conta que os felinos foram originalmente criados vegeta-rianos (Gênesis 1:30) e também fala de uma época onde “o leão comerá palha como o boi” (Isaías 11:7; 65:25, ACF). Assim, partindo da Bíblia, “carnívoros” vegetarianos fazem muito mais sentido (10).

Chegando à África do Sul

Quando Lea saiu de seu container, em seu novo lar cheio de grama, uma multidão de fotógrafos e repórteres ficou esperando a oportunidade fotográfica: Lea devorando sua primeira refeição sul-africana de massas, queijo e tomates picados.

Só que ela farejou e foi embora.

“Não! Não! Não!”, disse Antonio, “Precisa ser massa e queijo italianos e molho de tomate – nunca tomates picados.”

Como dizem, você pode viajar o mundo todo, mas nada como uma boa comida caseira!

P.S. Os novos cuidadores de Lea na Reserva Natural Rhino & Lion nos disseram que ela foi desacostumada a comer espaguete em uma semana e, agora, não tem “absolutamente problema nenhum” em comer carne vermelha fresca, que lhe é dada – ela não caça.

Referências e notas

(1) Rhino & Lion Nature Reserve, <www.rhinolion.co.za/e-pics.html>, 23 fevereiro 2004.

(2) WildNet Africa, Spaghetti-kid lioness to return to African roots, <wildafrica.net/articles/messages/32.html>, 20 fevereiro 2002.

(3) Tempero à napolitana é um tempero sem carne feito de tomates amassados com cebola e alho.

(4) Kalahari Raptor Centre Newsletter, <www.raptor.co.za/Newsletters/Issues6.htm>, 20 fevereiro 2002.

(5) Houve muitas ofertas da indústria de “caça aos leões”, as quais Antonio recusou. (A “caça aos leões” fornece “jogos”, leões, nos quais os caçadores de troféus, que pagam uma taxa, podem  atirar).

(6) Westbeau, G.H., Little Tyke: the story of a gentle vegetarian lioness, Theosophical Publishing House, Illinois, EUA, 1986.

(7) Catchpoole, D., The lion that wouldn’t eat meat, Creation 22(2):22–23, 2000; <www.creation.com/lion>.

(8) Derbyshire, D., Meat-free dog food for vegetarian pets, <www.telegraph.co.uk/news/main.jhtml?xml=/news/2002/09/16/wveg16.xml>, 3 fevereiro 2006.

(9) Catchpoole, D., The bird of prey that’s not, Creation 23(1):24–25, 2000.

(10) A Bíblia não dá detalhes de como a mudança de herbívoro para carnívoro (e a alimentação saprofítica) aconteceu depois do Dilúvio; talvez um novo design ou a expressão de um potencial genético latente, pré-projetado em presciência da Queda. Além disso, mesmo se os leões hoje precisaram de carne para sobreviver, isso não invalidaria o Gênesis. Veja Batten, D. (Ed.) The Creation Answers Book, capítulo 6, Creation Ministries International, Austrália, 2006.