Artigo traduzido de: Creation 31(2):32-34, mar-mai 2009. Título original: “Bunchberry BANG!”. Copyright Creation Ministries International Ltda, <www.creation.com>. Usado com permissão.

por David Catchpoole

Tradução por Daniel Ruy Pereira

Passeando por uma daquelas imensas florestas de coníferas da América do Norte, em um ensolarado dia de verão, você pode até pensar que, naquele mundo verde ao seu redor, nada demais pode acontecer.

Porém, pesquisadores descobriram que a planta Cornus canadensis, uma flor típica da taiga norte-americana (1), que cobre o chão dessas florestas, não perde tempo na hora de desabrochar.

Foto de Joan Edwards. Repare nas pequenas inflorescências - são elas que "explodem". Usando uma câmera de alta velocidade, os pesquisadores mostraram que a C. canadensis pode abrir suas pétalas, catapultando o pólen ao ar, em menos de 0,4 milissegundos! (2,3) Isso é mais rápido que o salto das cigarrinhas (cercopídeos – 0,5-1,0 milissegundo), (4,5) o ataque de uma espécie de lagosta-boxeadora (2,7 milissegundos) (6,7), a abertura explosiva dos frutos de Impatiens (2,8-5,8 milissegundos) (1,3), o ataque da língua de um camaleão (50 milissegundos) (8,9), e o fechamento da planta carnívora Dionaea muscipula (100 milissegundos) (10,11).

“Muitas pessoas pensam nas plantas como estáticas e sedentárias”, disse Joan Edwards, um dos pesquisadores. “Nós ficamos surpresos com a rapidez com que essa flor se abre.” (12) E têm mesmo razão para ficar. Os pesquisadores começaram usando uma câmera de alta velocidade que tira 1000 fotos por segundo – mas as imagens ficaram borradas, indicando que a câmera era lenta demais! Somente quando usaram uma câmera superveloz, que tira 10.000 fotos por segundo, eles conseguiram capturar no filme exatamente o que acontece quando a C. canadensis “explode” (13).

Foto por A. Acosta, J. Edwards, M. Laskowski e D. Whitaker, veja a ref. 2. Quando as flores se abrem, em uma explosão, as pétalas se separam rapidamente (dentro dos primeiros 0,2 milissegundos) e lançam-se para trás, fora do caminho dos estames, que carregam o pólen. Esses estames então se abrem e aceleram-se a cerca de 2400 vezes a força da gravidade – aproximadamente 800 vezes a força que os astronautas experimentam durante um lançamento (14) – catapultando os grãos de pólen ao ar “a uma altura impressionante de 2,5 cm”. Embora a primeira vista isso não pareça muito, as flores têm apenas poucos milímetros de altura [menos de 1/10 de uma polegada (2,54cm)]. Por isso, deve-se dizer, essa é uma façanha equivalente a nós lançarmos uma rocha ao topo de um edifício de seis andares (12)!

Na verdade, as pessoas aprenderam a realizar tais façanhas – através do uso de aparelhos como o trebuchet (Figura 1), um lançador de projéteis especializado, usado nas guerras medievais (15). O trebuchet foi engenhosamente projetado, usando princípios da física (alavancas) para impulsionar objetos (e, às vezes, pelo que se diz, um infeliz negociador… (16)) muito mais longe e muito mais rápido que uma simples catapulta.

É intrigante que as anteras da C. canadensis assemelham-se, e funcionam como,Nos tempos medievais, o trebuchet era usado nas guerras. A força e poder fornecidos por um grande trebuchet seriam suficientes para lançar objetos muito pesados nas posições inimigas - pesados o suficiente para inflingir danos em paredes fortificadas, por exemplo. Algumas ilustrações de trebuchets medievais até retratam um infeliz negociador sendo lançado além das paredes do castelo por onde ele havia entrado! Fala-se que os trebuchets eram usados para catapultar pessoas mortas e animais em castelos e fortalezas, com o intuito de espalhar doenças. Foto istockphoto. trebuchets em miniatura. A carga (o pólen na antera) é atada ao braço lançador (filete) por uma “dobradiça” flexível, que conecta a antera ao topo do filamento. Depois que as pétalas se abrem, a tensão dos filamentos se desfaz, liberando energia elástica, a rotação da antera sobre o topo do filamento acelera o pólen a sua máxima velocidade vertical e o lança, arremessando o pólen para cima (3).

É claro… Sabendo que o trebuchet medieval foi inteligentemente projetado, poderíamos dizer que a C. canadensis também foi? (E o Designer da C. canadensis teve a ideia primeiro!) De fato, o artigo dos pesquisadores no periódico Nature aparentemente não pôde deixar de usar essa linguagem: “Os estames da C. canadensis são projetados como trebuchets medievais em miniatura…” (3, grifo nosso).

Evidentemente é muito difícil imaginar como cada um dos componentes florais poderia ter surgido, em perfeita sincronia, por um possível processo de evolução gradual. “As pétalas abrem-se independentemente da atividade do estame” (17), disseram os pesquisadores – mas por que haveria necessidade de uma rápida abertura das pétalas se o estame-trebuchet, completamente funcional, não estivesse pronto desde o início? De forma inversa, um rápido lançador de pólen seria inútil se as pétalas não desabrochassem a tempo (18).

Tudo isso aponta (Romanos 1:20) para a conclusão lógica que a explosão da C. canadensis não surgiu por nenhum acidente.

Referências

(1) Veja a ref. GARCIA, Marcelo. Rápida no gatilho. Ciência Hoje On-line, 06 jun 2005. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/3387>. Acesso em: 14 mai 2009. Nota do Tradutor: Essa referência não consta no texto original.

(2) Angell, S., Professors record the world´s fastest plant, Oberlin College News & Features, <www.oberlin.edu/news-info/05may/expflower.html>, 12 mai 2005.

(3) Edwards, J., Whitaker, D., Klionsky, S., Laskowski, M., A record-breaking pollen catapult, Nature 435(7039):164,2005.

(4) Burrows, M., Froghopper insects leap to new heights, Nature 424(6948):509, 2003.

(5) Veja também Catchpoole, D., In leaps and bounds – the amazing jumpings prowess of frogs and froghoppers, Creation 30(4):40-41, 2008; <www.creation.com/leaps).

(6) Patek, S., Korff, W. E Caldwell, R., Deadly strike mechanism of a mantis shrimp, Nature 428(6985):819-820, 2004.

(7) Veja também Sarfati, J., Shrimpy superboxer, Creation 30(2):12-13, 2008; (www.creation.com/shrimpy>.

(8) Snelderwaard, P., de Groot, J. E Deban, S., Digital video combined with conventional radiography creates an excellent high-speed X-ray video system, Journal of Biomechanics 35:1007-1009, 2002.

(9) Sarfati, J., A coat of many colours – captivating chameleons, Creation 26(4):28-33, 2004; <www.creation.com/chameleon>.

(10) Forterre, Y., Skotheim, J., Dumais, J. e Mahadevan, L., How the Venus flytrap snaps, Nature 433(7024):421-425, 2005.

(11) Veja também Sarfati, J., Venus flytrap – ingenious mechanism still baffles Darwinists, Cration 29(4):36-37, 2007; <www.creation.com/flytrap>.

(12) Schirber, M., World´s fatest plant: New speed record set, Live Science, <www.livescience.com/othernews/05012_exploding_pollen.html>, 12 mai 2005.

(13) Sohn, E., Fastest plant on Earth, Science News for Kids, <www.sciencenewsforkids.org/articles/20050615/Note3.asp>, 24 ago 2006.

(14) N.T.: “O filete é liberado rapidamente, adquirindo uma aceleração de até 24.000 m/s2 (800 vezes maior do que a necessária para colocar uma nave em órbita).” GARCIA, Marcelo, op. cit., ref. 1.

(15) Trebuchet.com – the atomic bomb of the Middle Ages, <www.trebuchet.com>, 1 dez 2006.

(16) All about catapults, www.catapults.info, 1 dez 2006.

(17) Novamente, o grifo é nosso. Ref. 2.

(18) Os mecanismos de catapulta da língua dos camaleões e das pernas dos cavalos são, da mesma forma, irredutivelmente complexos. Isto é, ambos os sistemas de “abertura” e “lançamento” devem estar completos desde o início para que a “catapulta” funcione – os supostos pequenos passos intermediários da evolução não teriam nenhuma vantagem por si mesmos, porque a seleção natural não os favoreceria.

Veja a ref. 8 e Sarfati, J., Horse legs: the special catapult mechanism, Creation 25(4):36, 2003; www.creation.com/horselegs.

N.T. Achei alguns vídeos no site na Nature, sobre a explosão da C. canadensis. Os vídeos estão em câmera lenta. Não consegui publicá-los, então, segue o link para download: http://www.nature.com/nature/journal/v435/n7039/suppinfo/435164a.html. Acesso em 15 mai 2009. Abaixo, um vídeo do You tube.

Mecanismo de Polinização da C. canadensis.