Artigo traduzido de: Creation 30(2):28-29, junho-agosto 2008. Título original: “How dating methods work”. Copyright Creation Ministries International Ltda, <www.creation.com>. Usado com permissão.

por Tas Walker

Tradução por Daniel Ruy Pereira

Certa  vez, em uma aula, usei uma proveta graduada para ilustrar aos meus alunos como funcionam os métodos de datação científica. Meu esquema mostrava uma torneira que pingava diretamente na proveta. Estava bem marcada, por isso meu público podia ver que a proveta tinha exatamente 300 ml de água. O diagrama também mostrava que a água pingava a uma taxa de 50 ml por hora. Perguntei:

– Há quanto tempo a água está pingando na proveta?

– Seis horas – responderam imediatamente alguns deles.

– Muito bom. Como vocês descobriram?

– Dividindo a quantidade de água na proveta (300 ml) pela taxa (50 ml/h).

– Excelente! – disse eu. Vocês veem como é fácil calcular cientificamente a idade de alguma coisa? Todos os métodos de datação que os cientistas usam funcionam exatamente do mesmo modo. Consistem em medir algum fator que está mudando com o passar do tempo.

Os alunos começaram a relaxar quando entenderam que a datação científica não é tão difícil. Então eu os surpreendi:

– O problema é que seis horas é a resposta errada.

Eles me olharam perplexos e desconfiados.

– Eu montei esse experimento e posso lhes dizer que a água está pingando háFoto Wikipedia.org apenas uma hora. Vocês podem me dizer o que aconteceu?

Depois de se recuperarem do choque, alguém perguntou:

– A torneira estava gotejando mais rápido antes?

– Pode ser – respondi.

– A proveta estava quase cheia quando você começou o experimento?

– Talvez. Mas vocês percebem o que estão fazendo? – perguntei – A fim de calcular uma idade vocês fizeram suposições sobre o passado. Vocês assumiram que a taxa sempre foi 50 ml/h e que a proveta estava vazia quando o experimento começou. Baseados nessas suposições vocês calcularam o tempo de 6 horas.

(Balançaram as cabeças afirmativamente.)

– Vocês ficaram perfeitamente satisfeitos com aquela resposta. Ninguém a desafiou.

(E eles concordaram.)

– Então, quando eu lhes contei a resposta certa, perceberam o que fizeram? Vocês rapidamente mudaram suas suposições sobre o passado a fim de que concordassem com a idade que eu disse a vocês.

Cada cientista deve primeiro fazer suposições sobre o passado antes que possa calcular uma idade. Se o resultado parece concordar com as suposições, ele o aceita alegremente. Mas se não concordar com outra informação, ele mudará suas suposições para que sua resposta seja coerente.

Não importa se a idade calculada é muito velha ou muito jovem. Sempre há muitas suposições que um cientista pode fazer para obter uma resposta consistente.

Subitamente, luzes se acenderam sobre a cabeça de meus ouvintes. Meu público viu, em poucas palavras, como funcionam os métodos de datação (1). A datação científica não é uma forma de medir, mas uma forma de pensar.


Como os métodos funcionam na prática

Uma camada de cinzas vulcânicas na África Oriental, chamada de tufo KBS, ficou famosa por causa dos fósseis humanos encontrados nas suas proximidades (1).

Usando o método potássio-argônio (K-Ar), Fitch e Miller foram os primeiros a medir a idade do tufo. Mas seu resultado, de 212-230 milhões de anos, não concordou com a idade dos fósseis (elefante, porco, símios e ferramentas), por isso rejeitaram a data. Disseram que a amostra fora contaminada com argônio em excesso (2).

Usando novas amostras de feldspato e pedra-pomes eles dataram “com segurança” o tufo em 2,61 milhões de anos – o que resolveu maravilhosamente bem o problema.

Mais tarde, essa data foi confirmada por outros dois métodos [paleomagnetismo e traços de fissão (fission-track)], e foi amplamente aceito.

Então Richard Leakey encontrou um crânio (chamado KNM-ER 1470) abaixo do tufo KBS, um crânio que pareceu muitíssimo moderno para ter 3 milhões de anos de idade.

Assim, Curtis e outros re-dataram o tufo KBS usando amostras selecionadas de pedras-pomes e feldspato, e obtiveram uma idade de 1,82 milhões de anos. Essa nova data estava de acordo com a aparência do novo crânio (3).

Testes de outros cientistas que usaram paleomagnetismo e fission-tracks confirmaram a idade menor.

Então, nos anos 80, apareceu uma nova data, em notável acordo com o tufo KBS, e esta se tornou a mais amplamente aceita.

Tudo isso ilustra que, contrariamente ao senso comum, os métodos de datação não são o meio principal de se determinar as idades. Os métodos de datação não são precedentes; são consequentes. Seus resultados são sempre “interpretados” para concordar com outros fatores, tais como a interpretação evolucionista da geologia e fósseis.

Referências e notas

(1) Para mais informações veja Lubenow, M.L., The pigs took it all, Creation 17(3):36-38, 1995; <creationontheweb.com/pigstook>.

(2) Fitch, F.J. e Miller, J.A., Radioisotopic age determiniations of Lake Rudolf artifact site, Nature 226(5242):226-228, 1970.

(3) Curtis, G.H., et al., Age of KBS Tuff in Koobi Fora Formation, East Rudolf, Kenya, Nature 258:395-398, 4 Dezembro 1975.


Referências

(1) Para mais informações, veja: Sarfati, J., Diamonds: a creationist´s Best friend, Creation 28(4):26-27, 2006 e Walker, T., The way it really is: little-known facts about radiometric dating, Creation 24(4):20-23, 2002.

Nota do tradutor: Mudei um pouco o estilo do artigo. Ele não parece tanto um conto, mas, em português, o resultado fica melhor assim.