por Daniel Ruy Pereira

A última vez que peguei um cinema, se me lembro bem, foi para ver Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal – ou seja, há um bom tempo. Motivado pela história, fui ao cinema ver este novo filme, Presságio, estrelado por Nicolas Cage e dirigido por Alex Proyas. E que agradável surpresa! O filme é excelente, os efeitos especiais são perfeitos, o filme é cativante, a trama bem conduzida… e tem a ver com a questão das origens (e fins) e propósito da existência! Logo, mesmo que eu quisesse, não poderia deixar de lado um material tão bom assim. Se você ainda não viu, saiba que, por aí afora, na Internet, o estão comparando ao ótimo Sinais, com Mel Gibson (mas, em minha opinião, é melhor); saiba também que eu vou contar muita coisa do filme. Se Paulo Villaça, ótimo crítico de cinema do site Cinema em cena.com – que leio sempre e gosto muito –, não conseguiu analisar o filme sem revelar alguns pontos, quem dirá eu! Mas vou tentar esconder o máximo que puder (1).

O enredo é bem interessante. Em 1959, em uma escola prestes a ser inaugurada, os alunos fazem desenhos sobre como acham que será o futuro. Entre foguetes, robôs e coisas do tipo, uma das folhas é totalmente preenchida, frente e verso, com números. Todos os trabalhos são lacrados e inseridos em uma “cápsula do tempo”, um conteiner que será aberto 50 anos depois. Isto é, hoje.

Nicolas Cage interpreta John Koestler, professor de astrofísica do MIT e filho de um pastor protestante. Mas Koestler perdeu sua fé depois de perder a esposa, em um acidente de carro, e cria o filho sozinho. Filho que, aliás, estuda naquela escola…

No dia da abertura da cápsula o tempo, o envelope com aqueles números cai nas mãos do filho de Koestler, que o entrega ao pai. Primeiro, ele não dá a mínima. Depois, é atraído por uma sequência particular: 0911012996. Ele percebe que é uma data: 11 de setembro de 2001. Dia do atentado terrorista no World Trade Center, que somou 2996 vítimas. Exatamente o número escrito! Olhando para o tela do Google, Koestler exclama algo como: “Você só pode estar brincando!” Ele continua a verificar as sequências e percebe que elas são as datas de tragédias e números de mortos que ocorreriam nos próximos 50 anos. E, dos números, o último é o mais intrigante: fala a data e o número de mortos da última tragédia prestes a acontecer: “EE” – everyone else, “todo mundo”. E isso está além da intervenção humana.

Koestler tem sua fé no Acaso não só desafiada, como demolida. Como é de se esperar, ficou atônito quando descobriu que seu deus não existia, e que seu pai estava certo. E esse vai ser o centro do meu post. Porque o “ateísmo indica força de espírito, mas até certo grau somente.” (2) É preciso coragem para deixar de crer em Deus, mas teimosia para continuar descrendo. Os sinais de Sua existência são abundantes e variados.

A origem e o fim

A questão do fim está intimamente relacionada à das origens, porque as coisas só terminam porque têm um começo. Mas não começam porque têm um fim. Isso é mTudo tem um começo... Foto stock.xchng.uito importante.

No filme Koestler pergunta aos seus alunos no que eles creem: em um propósito por trás de tudo – em um Designer Inteligente –, ou que as coisas simplesmente acontecem – por acaso. Ele mesmo é do segundo grupo. Mas é incoerente em seu próprio discurso. Há muitas evidências a favor do Designer. Engana-se quem acha que os crentes creem só porque crer é bonito e agradável, e fornece uma esperança. Embora haja pessoas assim, cremos porque é óbvio. Não se pode negar o óbvio. Ninguém nega a existência de átomos ou de elétrons. Não é preciso vê-los para saber que existem.

Logo, se há um Designer, um Projetista, quer dizer que Ele nos projetou e criou, direta ou indiretamente. Se for só um projetista tudo bem. O problema é se Ele for um Ser moral, com o conceito modelar de justiça e retidão, e exigir isso de suas criaturas, de seus projetos executados. Se Ele for assim, precisamos corresponder ao seu padrão, e isso pode ser assustador, não? Mais assustador ainda é perceber que nosso conceito de moralidade e justiça precisam ter vindo de alguém que tenha produzido esses conceitos originais: o próprio Designer. Por isso evitamos tanto falar do fim do mundo, pois isso significa, em última instância, olhar para o Designer e ser cobrado por Ele. Mas não podemos fugir para sempre do debate.

Famigerado fim do mundo

“É possível que nenhum outro século tenha sido tão obcecado pelo apocalipse quanto este nosso”, diz o teólogo Luiz Felipe Pondé (3). E ele tem razão absoluta. Nunca a humanidade falou tanto em seu fim fora das igrejas. Aquecimento global, inverno nuclear, desestabilidade social, guerra mundial… Além, é claro, dos cataclismas: meteoros que podem colidir em nosso planeta, a morte do sol (daqui há bilhões de anos), a extinção da espécie humana. Nossa sociedade é uma sociedade que frequentemente pensa em termos de fim. O alto interesse da NASA em explorar Marte é justamente um investimento no longo prazo. As campanhas de preservação do meio ambiente também. Afinal, todos sabemos que a Terra não vai aguentar o homem aqui pra sempre.Todos sabemos que existe fim da linha... Só não queremos pensar nele. Foto stck.xchng

Ou seja, querido leitor, cientifi-camente, socialmente ou biblica-mente, o mundo vai acabar. A questão é quando.

Se você tem fé cega no uniformitarismo, que as forças naturais sempre foram e sempre serão constantes, não precisa se desesperar porque vai demorar uns bilhões de anos até isso acontecer. A menos que o catastrofismo (que fala de eventos imprevisíveis – e grife bem essa palavra – ocorrendo de vez em quando, como os tsunamis de 2004) esteja certo. Se bem que nosso amanhã é tão imprevisível que não sei se este é o meu último post. Todos podemos morrer hoje. Então, a data do fim do mundo não importa tanto assim, já que, para o indivíduo, cada dia pode ser o último. Isso te faz pensar um bocado… Se você parar para pensar.

Quando é o fim do mundo?

No filme, Koestler descobre a data do fim do mundo, mas nós nunca saberemos qual é o dia. A Bíblia é bem coerente quando diz que “quanto ao dia e à hora ninguém sabe” (Mateus 24:36). E, bem da verdade, Jesus nem julgou necessário que soubéssemos isso. Porque o que importa é estar preparado para o imprevisível. A pergunta “quando é o fim” tem a seguinte resposta. “Depende. O seu fim, ou o fim do mundo? Os dois são imprevisíveis!”

Mas o cerne do ensino de Jesus é que o fim do mundo é decidido no presente (4). Como aparece no finzinho do filme, a salvação só está disponível para os “eleitos”, para aqueles que “ouviram o Chamado”. E mesmo os eleitos precisam decidir se vão obedecer o chamado ou ficar parados, olhando. Veja o que Jesus disse sobre isso:

Quando o Filho do Homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.

Então dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai!Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram.’

Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?’

O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram.’” (Mateus 25:31-40)

Na sequência, o Rei Jesus faz o inverso com os que estão à sua esquerda, porque não fizeram essas coisas. É claro que essa ilustração não fala que você será salvo pelas suas boas obras (afinal, os que são recompensados sequer sabiam porque estavam sendo recompensados. Agiram sem pensar em benefício próprio), porque a base da salvação é a fé em Jesus. Essa parábola ensina que a atitude que temos hoje determina como será o fim do mundo para nós.

Conclusão

Presságios não são necessários para saber que o mundo e a civilização estão indo rumo ao seu fim. Basta olhar para ele e perceber isso. Além disso, a Bíblia se ocupa em nos preparar para o filme. No filme, há várias referências a ela, há vários conceitos que a ilustram, e até podem ajudar a compreendê-la. Embora o filme não seja bíblico, é bem subjetivo, e encaixa-se perfeitamente em algumas partes da Bíblia, mas o fim do mundo, como retratado no cinema, é assombrosamente similar, em formato, à Palavra de Deus (5).

Independente disso, a vida de cada um de nós é imprevisível. Hoje pode ser o último dia. Por isso, o fim do mundo é decidido no presente, e a única decisão que pode nos salvar da Desgraça Final, do Juízo Eterno daquele Designer que nos criou e perante o qual nos apresentaremos no fim do mundo ou no nosso fim, é nos submeter a Jesus Cristo. Crer nele e no que Ele fez por nós e a única forma de sermos salvos.

‘Eis que venho em breve! A minha recompensa está comigo, e eu retribuirei a cada um de acordo com o que fez. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim.

‘Felizes os que lavam as suas vestes, e assim têm o direito à árvore da vida e podem entrar na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os que praticam feitiçaria, os que cometem imoralidades sexuais, os assassinos, os idólatras e todos os que amam e praticam a mentira.

‘Eu, Jesus, enviei o meu anjo para dar a vocês este testemunho concernente às igrejas. Eu sou a Raiz e o Descendente de Davi, e a resplandecente Estrela da Manhã.’

O Espírito e a noiva dizem: ‘Vem!’ E todo aquele que ouvir diga: ‘Vem!’ Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida.” (Apocalipse 22:12-17)

Referências

(1) Outras análises do filme podem ser encontradas nos seguintes links:

(2) PASCAL, Blaise. Pensamentos. São Paulo: Escala, [s.d.]. p. 104. (Grandes Obras do Pensamento Universal, v. 61.)

(3) Citado por BOSCOV, Isabela. Loucos pelo apocalipse. Veja.com. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/150409/p_102.shtml>. Acesso em: 23 abr 2009.

(4) Essa tese e desenvolvimento é do excelente CONYERS, A.J. O fim do mundo: o que Jesus realmente disse sobre sua segunda vinda. São Paulo: Mundo Cristão, 1997.

(5) PORTELA, Solano. Presságio: reflexões escatológicas e existenciais, a partir do filme. Blog O tempora, o mores! 12 abr 2009. Disponível em: <http://tempora-mores.blogspot.com/2009/04/pressagio-reflexoes-existenciais-e.html>. Acesso em: 23 abr 2009.

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