por Daniel Ruy Pereira

Parece que quando querem pôr abaixo os conteúdos que aprendemos na faculdade, fazem isso de uma vez! Não faz um mês que escrevi sobre o código genético, e aparece outra bomba! Antes, pensava-se que o código genético (aquelas letrinhas, ATCG, interpretadas pela célula) era assim: um gene produz uma proteína. É bom, primeiro, explicar como tudo funciona, e depois ir para a notícia.

Bem… os genes são cadeias enormes de repetição dessas letrinhas (que, na hora da prova semestral, chamamos bases nitrogenadas). As letras sozinhas não significam nada, mas em trios, significam um aminoácido. Um trio é chamado códon. Funciona assim:

ATG TGC GGT CGT AAT GCG CTG TGA

Suponha que isso aí acima é um gene, um pedaço do DNA. Ele carrega uma informação para produzir uma proteína, que a tanto custo precisamos para fazer nossos músculos maiores e mais bonitos nas academias. O que acontece com ele? Depois de alguns outros processos (que envolvem outras moléculas, enzimas  e nomes difíceis, dos quais vou poupá-lo, por misericórdia, querido leitor), ele será traduzido pelos ribossomos, produzindo aminoácidos. (1)

Tirosina-Treonina-Prolina-Alanina-Leucina-Arginina-Valina-Cisteína (2)

Pronto! Temos a nossa proteína. Não é tão simples assim, Aminoácido. Imagem Wikipediamas também não é menos surpreendente, ou até mesmo menos fantástico. Por isso existe o sério risco de se começar a gostar muito de Biologia quando se estuda DNA e biologia molecular.

A notícia bombástica

Estava eu navegando na abençoada Internet, quando, como é meu costume, acessei o site da Folha de S. Paulo. Notícia: “Micróbio muda tradução de informações do DNA” (3, 4). Pensei: “Isso eu tenho que ler”. Antes não tivesse lido! Fiquei perturbado ao saber que esse processo bonito e funcional descrito acima, que levou pelo menos quatro anos para ser entendido, e consumiu horas de estudo, está sendo questionário por um ORGANISMO UNICELULAR!

Um “simples” protozoário (Euplotes crassus) parece interpretar de forma diferente o código genético.

Como todo bom advogado sabe, às vezes a interpretação é mais importante que o texto em si. E isso parece valer também quando o texto em questão é a sequência de letras do DNA. É o que indica o estudo de um organismo de uma célula só chamado Euplotes.

Um grupo de cientistas acaba de mostrar que um mesmo trecho de três letras do genoma da criatura pode ser “lido” de formas diferentes dependendo do contexto, o que faz com que moléculas diferentes sejam sintetizadas pela célula. Isso contraria um dos dogmas da biologia molecular, segundo o qual cada um desses tripletos de DNA – os códons – só podem codificar uma molécula.” (3)

Ou seja, nossa proteína acima pode terminar de forma diferente: ao invés de cisteína, terminaria com selenocisteína. Como é possível? Ninguém sabe.

De alguma forma, explicam os pesquisadores, o DNA do Euplotes “sabe” quando inserir uma selenocisteína no lugar da cisteína. Ele não faz isso aleatoriamente, só nos genes que produzem proteínas que incluem selenocisteína. “Achamos que a função-padrão do códon UGA é inserir uma cisteína”, disse à Folha o bioquímico Vadim Gladyshev, líder do grupo de pesquisas que fez o estudo.

No entanto, explica, nos genes de proteínas com selenocisteína, há uma região do RNA que não é traduzida. Se há outros códons UGA no mesmo gene, diz Gladyshev, essa sequência “pode ficar enterrada na estrutura geral do RNA mensageiro [molécula que lê e copia a informação do DNA] ou impedida de interagir com o maquinário celular, então isso não interfere na inserção normal da cisteína”. Em algumas condições, como na tradução dos genes de selenoproteína [(?) acho que o autor quis dizer selenocisteína…], esse elemento é “exposto” e interage com a máquina de tradução da célula de modo a ordenar a inserção da selenocisteína.” (3)

A importância do fenômeno

É interessante que, ao fim da reportagem da Folha, a conclusão é “que o código possa ter se tornado mais rico durante a evolução e que existam aminoácidos adicionais” (3, grifo nosso). Indagamos então: como o código genético poderia ter se tornado mais rico? Não há resposta.

Eu acho que não aguento mais escrever sobre isso. Quando as pessoas vão perceber que é impossível não existir uma Inteligência nisso? O códon, em Euplotes, pode ser interpretado de duas formas e, em última análise, serve à sobrevivência do organismo. Não se sabe se isso acontece em outros organismos, mas o fenômeno, claramente, tem um propósito no Euplotes.

A vida só é possível porque existe informação para executá-la. Nenhuma informação aparece ao acaso, mas precisa de um Autor. Quem é esse autor? A Bíblia responde: Deus, o Criador dos céus e da terra.

Referências e notas

(1) Imagine a proteína como um brinquedo de bloquinhos. Você quer construir uma estrutura linear, digamos, uma estrada de bloquinhos. Para isso, você junta os bloquinhos um por um e forma a estrada. Se a proteína é a estrada, os aminoácidos são os bloquinhos.

(2) São exatamente esses aminoácidos que o ribossomo produzirá, porque o código genético é universal. Dos humanos às amenas, é assim que funciona. Veja mais informações no Wikipédia (verbete CÓDIGO GENÉTICO. In: http://pt.wikipedia.org), e tente criar sua própria proteína. É garantia de que você consegue, se seguir a tabela proposta.

(3) ANGELO, Claudio. Micróbio muda tradução de informações do DNA. Folha On-line, 17 jan 2009. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u491235.shtml>. Acesso em: 26 fev. 2009.

(4) TURANOV, Anton A. et al. Genetic Code supports targeted insertion of two amino acids by one codon. Science, 9 jan 2009, v. 323, n. 5911, pp. 259-261. Resumo disponível em: <http://www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/323/5911/259>. Acesso em: 26 fev 2009.

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