por Daniel Ruy Pereira

Caramba… Como as coisas mudam rápido! Só faz 50 e poucos anos que Francis Crick e James Watson desvendaram a estrutura de dupla hélice do DNA, e outros cientistas desvendaram o código genético, no final da década de 60 (1). Até onde eu aprendi na faculdade, os genes são herdados através do DNA, e também havia o DNA “lixo” (junkDNA), que não serve pra nada, só está lá ocupando espaço.

Pois é… Não é bem assim mais.

Tradicionalmente, assumiu-se que somente a sequência do DNA pode conter a capacidade de herdar traços normais e doenças (…). Nas últimas décadas, houve um enorme esforço em identificar mudanças específicas na sequência do DNA que predispõem as pessoas a doenças psiquiátricas, neurodegenerativas, malignas, metabólicas e autoimunes, mas com sucesso apenas moderado. Nossos achados representam uma nova maneira de se olhar para a causa molecular da doença, e eventualmente pode levar a melhores diagnósticos e tratamentos.” (2)

Essas são palavras do Dr. Art Petronis, do Centro de Vícios e Saúde Mental (Centre for Addiction and Mental Health, CAMH), no Canadá. Eles descobriram que há determinadas moléculas que se ligam ao DNA, regulando várias atividades genéticas, e chamaram essas modificações no DNA de fatores epigenéticos. Quer dizer, há mais informação do que pensávamos…

O DNA “lixo” era lixo mesmo, até que descobriram, em 2007, que ele não é tão “lixo” assim. É provável que sua totalidade seja usada pela célula (no mínimo 93% (3)), na regulação dos processos celulares. (4)

Agora, não apenas parece provável que todo o DNA contenha informação útil, como também que os fatores epigenéticos são estruturas adicionais de informação, necessárias para acessar, interpretar e processar essa informação genética.” (5)

Ou seja: mais e mais informação. Mas não é só isso: há também os diversos tipos de RNA (mensageiro, transportador, ribossômico), que “traduzem” o DNA para aminoácidos, a fim de produzir proteínas. Isso com a imprescindível ajuda dos ribossomos e enzimas diversas, que seguem aquele mesmo Código Genético que citamos logo acima.

Foto stock.xchng O DNA é uma verdadeira maravilha da vida. Não é à toa que, quando o vemos e começamos a estudá-lo, vamos ficando cada vez mais convencidos de que não é possível que aquilo tenha surgido por combinações casuais. Você pode até acreditar nisso, mas precisa ter uma fé imensa para crer que tanta informação útil surgiu com a trombada de moléculas em uma sopa.

Vamos abusar das citações e ver o que o  (agora) teísta Antony Flew disse sobre essa molécula intrigante.

[As] instruções genéticas não são o tipo de informação que você acha na termodinâmica; mais que isso, elas constituem informação semântica. Em outras palavras, elas constituem significado.” (6)

O Prof. Enézio E. de Almeida Filho, Mestre em História da Ciência pela PUC-SP e autor do blog “Desafiando a Nomenklatura Científica”, disse em uma palestra (7) que a Biologia, no século XXI, é cada vez mais uma ciência da informação, porque toda ela está estruturada sobre informação genética. Isto é, o universo da Biologia gira em torno do DNA. Não da evolução, que isso fique, mais uma vez, bem claro.

Referências

(1)  Veja artigo sobre o código genético no Wikipédia: <http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_gen%C3%A9tico>. Acesso em 31 jan 2009.

(2) RETHINKING the Genetic Theory of Inheritance, Centre for Addiction and Mental Health News Releases, 19 jan 2008. Disponível em:

< http://www.camh.net/News_events/News_releases_and_media_advisories_and

_backgrounders/vnr_19jan09_epigenetics.html>. Acesso em 31 jan 2009.

(3) ASTONISHING DNA Complexity discovered. Creation, n. 29, set-nov. 2007. p. 11.

(4) THOMAS, Brian. Epigenetics: more information than evolution can handle. Institute for Creation Research website, 30 jan 2009. Disponível em: <http://www.icr.org/article/4365/>. Acesso em 30 jan 2009.

(5) idem.

(6) idem.

(7) FILHO, Enézio E. de Almeida. Alguns aspectos do mérito científico da Teoria do Design Inteligente. In: 6º ENCONTRO NACIONAL DE CRIACIONISTAS, 2009, São Paulo.

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