Artigo traduzido de: Creation 20(1):41-42, dez 1997 . Título original:Your appendix – it´s there for a reason”. Copyright Creation Ministries International Ltda, <www.creationontheweb.com>. Usado com permissão.

por Ken Ham e Carl Wieland

Tradução Daniel Ruy Pereira (colaboração de Ruy Carlos de Camargo Vieira e Rui Vieira, ambos da SCB)

(Letreiro) “Ivor Hatchet, M.D., Cirurgião”; (placa da calçada) “Promoção: Pague 1, leve 2″. Tenha qualquer um de seus 150 órgãos inúteis removidos!”

Se você confia em publicações basicamente evolucionistas, como a Encyclopædia Britannica 1997, você deve pensar o seguinte a respeito do seu apêndice:

“O apêndice não serve a nenhum propósito útil como órgão digestivo em humanos, e acredita-se que está gradualmente desaparecendo na espécie humana, através do tempo evolutivo.” (1)

Contudo, já em 1976, alguns livros médicos começaram a admitir que o apêndice possuía funções:

“Geralmente, não se crê que o apêndice tenha função significativa; porém, evidências atuais tendem a incluí-lo no mecanismo imunológico.” (2)

Em um livro médico de 1995, os autores foram enfáticos sobre a função do apêndice:

“A mucosa e a submucosa do apêndice são dominadas por nódulos linfóides, e sua função primária é ser órgão do sistema linfático.” (3)

Apesar disso, muitos textos de escolas públicas continuam a doutrinar pessoas na idéia de o apêndice ser uma grande evidência da evolução do homem. Um evolucionista teve o seguinte testemunho gravado, no histórico do Julgamento Tennessee Scopes, em 1925 (4):

“Há, de acordo com Wiedersheim, nada menos que 180 estruturas vestigais [sic] no corpo humano – o suficiente para fazer de um homem um verdadeiro museu de antiguidades ambulante. Entre estes [está] o apêndice vermiforme. Esta, e numerosas outras estruturas do mesmo tipo, podem ser razoavelmente interpretadas como evidências de que o homem descende de ancestrais em que estes órgãos eram funcionais. O homem nunca perdeu completamente estes caracteres; ele continua a herdá-los, ainda que há muito tempo não lhe seja mais útil.” (5)

Assim, de uma só vez, os evolucionistas postularam que há 180 estruturas vestigiais (sem função) no corpo humano. Hoje essa lista encolheu para virtualmente nenhum. Imagine, em 1925, pedir que um doutor removesse todas essas estruturas “sem função” de seu corpo!

Lamentavelmente, entre aqueles que sofreram lavagem cerebral pela idéia evolucionista de que o apêndice (e outros órgãos) não tem função incluem-se muitos cristãos. Mais um exemplo de cristãos sendo influenciados por teorias humanas exteriores à Bíblia. A Bíblia é a revelação Daquele que é infinito em conhecimento e sabedoria; por isso, tudo o que pensamos, em todas as áreas, deve começar pela Palavra de Deus.

Pensando Biblicamente sobre o apêndice

Vamos assumir que a ciência moderna não conheça a função do apêndice. Isso demonstraria que ele é uma sobra, herdada de nosso processo evolutivo a partir dos animais? De jeito nenhum. Haveria ao menos duas outras possibilidades, se basearmos nosso pensamento na Bíblia:

  1. Ele teve, originalmente, uma função criada nas pessoas; mas, como resultado da Maldição (conseqüência do pecado de Adão) sobre toda a criação, a humanidade degenerou-se. Assim, nosso corpo perdeu algumas das funções que outrora possuía. A evolução demanda ganho de informação – novas estruturas, novas funções.
  2. Ele teve uma função criada, mas nós não a conhecemos ainda.

Evidência de função

Hoje, o apêndice é reconhecido como órgão altamente especializado, com um rico suprimento de sangue. Não é o que esperaríamos de uma estrutura degenerada e inútil.

Por que o apêndice é tão suscetível a doenças?

Se o apêndice é um órgão especialmente projetado com uma função, por que tantas pessoas sofrem de apendicite, o que exige que o apêndice seja urgentemente removido para evitar a morte?

Resposta:

Morte, doenças e degeneração da perfeição original são todas parte da maldição proferida sobre uma criação outrora perfeita. Elas não refletem conveniência do projeto original.

Além disso, está claro que a apendicite é comum somente em países onde se consome muitíssima dieta moderna refinada. Em lugares onde as pessoas comem grandes proporções de vegetais, frutas e cereais não-refinados (em outras palavras, têm uma dieta rica em fibras), a apendicite é, na verdade, muito rara. A “dieta original no Gênesis” para a qual nós fomos projetados (7) era, obviamente, muito mais parecida com essa.

O apêndice tem alta concentração de folículos linfóides. Estas estruturas são altamente especializadas, e fazem parte do sistema imunológico. A evidência para a função do apêndice é encontrada em sua posição estratégica: exatamente onde o intestino delgado se encontra com o intestino grosso ou cólon. O cólon é carregado de bactérias que são úteis ali, mas que devem ser mantidas longe de outras áreas, como o intestino delgado e a circulação sanguínea.

Por intermédio das células nestes folículos linfóides, e dos anticorpos por elas produzidos (veja quadro no final do texto), o apêndice está “envolvido no controle de bactérias essenciais que vivem no ceco e no cólon de recém-nascidos.” (6). Assim como uma importantíssima glândula endócrina – o timo – presente em nosso peito, é provável que o apêndice tenha sua atividade principal acionada logo na infância. Também é provável que esteja envolvido em auxiliar o corpo a identificar, desde a infância, que certos gêneros alimentícios, substâncias derivadas de bactérias, e até mesmo algumas das enzimas intestinais do próprio corpo, precisam ser toleradas e não vistas como substâncias “estranhas” que precisam ser atacadas.

Mas, se há uma função, por que pode ser removido sem efeitos colaterais?

Nosso corpo foi brilhantemente projetado, com reservas em abundância, e a habilidade de alguns órgãos tomarem a função de outros. Desse modo, todos concordam que há um determinado número de órgãos com função específica, mas podemos sobreviver sem eles. Alguns exemplos:

  • Sua vesícula biliar tem uma função específica: armazena a bile do fígado, e a esguicha no intestino para auxiliar na digestão de lipídeos. Contudo, pode ser removida e, mesmo assim, o corpo sobreviverá – por exemplo, secretando bile continuamente.
  • Você pode sobreviver com um rim a menos, porque há suficiente tecido renal no outro. [Do mesmo modo, uma parte do tecido linfático do trato gastrointestinal (em inglês, GALT), que inclui o apêndice, pode ser removido, e os tecidos linfóides remanescentes serão, geralmente, suficientes para conduzir o funcionamento total]. Você não sofrerá se tiver seus timos retirados (se for adulto), porque esta glândula extremamente importante “educa” suas células imunes quando você é muito jovem; daí em diante ela não é mais necessária. Isso é provavelmente o que acontece com o apêndice.

Lições do apêndice

1 Coríntios 8:2 diz: “se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber” (ARA). Pense sobre as perguntas que Deus fez a Jó: “Onde estavas tu quando eu lançava os fundamentos da terra?… Onde está o caminho para a morada da luz? … o caminho para onde se difunde…? Sabes tu as ondenanças do céu?” (8). Após muitas outras questões, lemos que Jó arrependeu-se “no pó e nas cinzas”, quando percebeu o quanto ele ainda não sabia.

Nós não estávamos lá no início para ver a Criação. Não sabemos nada. De fato, não conhecemos quase nada em comparação à soma infinita do que ainda há por conhecer. Então como poderiam os humanos, com conhecimento tão limitado, declarar dogmaticamente que “o apêndice não tem função”? É impossível, em princípio, sem conhecimento infinito, provar que algo não tem função. Os assim chamados “fatos” da evolução estão sendo continuamente descartados (embora algumas vezes sejam apagados dos livros somente muitos anos depois). Numerosas pessoas, ainda hoje, continuam acreditando em muitas das obsoletas idéias evolucionistas que aprenderam na escola ou no colégio, sem perceber que os próprios evolucionistas não as aceitam mais.

Produzindo anticorpos

O apêndice, em conjunto com outras partes do corpo que também contêm células denominadas linfócitos-B, sintetiza vários tipos de anticorpos:

  1. Imunoglobulinas IgA, presentes na superfície ou mucosa imune. São vitais na manutenção de barreiras protetoras entre o intestino e a circulação sangüínea.
  2. Imunoglobulinas IgM e IgG, que combatem invasores via circulação sangüínea.

O apêndice é, na verdade, parte do tecido linfático do trato gastrointestinal, conhecido como sistema GALT (do inglês, Gut Associated Lymphoid Tissue). Os folículos linfóides desenvolvem-se ao redor do apêndice duas semanas após o nascimento, momento em que o intestino grosso começa a ser colonizado pelas bactérias necessárias. É provável que a função principal atinja seu pico neste período neonatal.

Referências e notas

(1)  Nova Encyclopædia Britannica, 1:491, 1997.

(2) Bockus, Henry L.: M.D. Gastroenterology. 2:1134–1148 (capítulo ‘The Appendix’, por Gordon McHardy), W.B. Saunders Company, Philadelphia, Pennslyvania, 1976.

(3) Martini, Frederic H.: Ph.D. Fundamentals of Anatomy and Physiology. p. 916, Prentice Hall, Englewood Cliffs, New Jersey, 1995.

(4) Algumas vezes conhecido como “Monkey Trial”. Consequentemente, talvez os leitores não pensem que a peça/filme Inherit the Wind seja, de qualquer forma, uma representação provavelmente verdadeira deste processo.

(5) The World’s Most Famous Court Trial, Tennesse Evolution Case (um relatório palavra-por-palavra), Bryan College, p. 268, 1990 (reimpresso da edição original de 1925).

(6) Uma visão geral mais detalhada dessa evidência, com numerosas referências de outras literaturas técnicas, mostrando que o apêndice não é um órgão vestigial, podem ser encontradas em GLOVER, J.W. The Human Vermiform Appendix a General Surgeon´s Reflections, CEN Technical Journal. 3:31–38, 1988. Dr. Glover é um cirurgião em Melbourne, Austrália.

(7) Veja Emerson, P. Eating out in Eden. Creation 18(2):10–13, Março 1996.

(8 ) Jó 38:4, 19, 24, 33; Jó 42:6. Todas as citações bíblicas são da versão revista e atualizada de Almeida, ARA.