Artigo traduzido de: Creation 18(2):20-23, mar 1996 . Título original: “Dogs breeding dogs? That´s not evolution!”. Copyright Creation Ministries International Ltda, <www.creationontheweb.com>. Usado com permissão.

por Don Batten

Tradução de Daniel Ruy Pereira, (colaboração de Ruy Carlos de Camargo Vieira e Rui Veira, da Sociedade Criacionista Brasileira)

Museus, escolas, colégios e cursos universitários em biologia enfatizam as variações dentro de uma espécie como “evidência” da evolução. Por exemplo, o Museu de História Natural de Londres diz que a procriação de cães demonstra a evolução. Podemos presumir, então, que tudo o que se deve fazer é reproduzir cães por longo tempo, e obteremos algo que não é um cão – algo que é clip_image002basicamente diferente. Para os que não estão a par do assunto isso pode parecer convincente – afinal, há muitas e variadas raças de cães. Contudo, a evidência das raças e a genética, na verdade, são um enorme problema para a evolução. Embora haja muitas raças e geração de muitas variedades de cães, que vão de chihuahuas a cães dinamarqueses, os cães ainda são cães. Eles sempre produziram, somente, cães. E rosas sempre produziram somente rosas.

Sendo biólogo com Ph.D. em fisiologia vegetal, e uma experiência de mais de 20 anos de pesquisas, incluindo a reprodução de árvores frutíferas, creio que a genética é um dos maiores problemas para os evolucionistas. Por quê? Porque não há mecanismo para a aquisição de características novas e mais complexas nos seres vivos. Não há meios de gerar uma nova informação genética que seja necessária. A evolução de micróbios para seres humanos precisa deste mecanismo.

Um recente recenseamento em estudantes, antes e depois de um curso de genética na Central Michigan University (EUA), mostrou que o número de estudantes crentes na evolução declinou de 81% antes do curso para 62% depois dele, embora o curso tenha sido quase que certamente lecionado de uma perspectiva evolucionista. (1) Se o curso foi lecionado sem a inevitável tendência evolucionista, a mudança de postura acerca do criacionismo nunca foi tão grande!

Porcos produzem porcos!

Como um tipo básico de organismo transforma-se em algo fundamentalmente diferente? Um criador de porcos no Reino Unido ouviu um acadêmico evolucionista falar sobre como a reprodução de animais de fazenda demonstra a evolução. Ao fim da palestra o criador de porcos disse: “Professor, eu não entendo isso que o senhor está falando. Quando eu cruzo porcos, eu ganho porcos – se não fosse assim eu estaria fora do negócio!”

O evolucionista Dr. Keith Stuart Thompson disse: “A evolução é perturbada tanto exteriormente, pelas insistentes importunações de anti-cientistas, como interiormente, pelas problemáticas complexidades da genética e dos mecanismos de desenvolvimento, e novas questões sobre o mistério central: a própria especiação”. (2) Em outras palavras, como podem os incríveis e complexos sistemas bioquímicos dos seres vivos surgirem por meio de um processo natural concebível? E como podem as mudanças aleatórias em um sistema tão complexo transformá-lo em algo diferente – algo fundamentalmente novo?

O que Thompson disse há 13 anos atrás tem sido amplificado, desde então, pelos estudos em biologia molecular. Cada nova descoberta parece ser outro prego no caixão das origens naturalistas (evolução). Como estudante graduado na Universidade de Sydney, eu iniciei um curso de bioquímica a fim de compreender a operação de um gene bacteriano, que codifica um complexo enzimático que quebra a lactose, o açúcar do leite. As enzimas só são produzidas se a lactose estiver disponível. Achei isso fascinante. O sistema foi muito belamente projetado e, finamente, harmonizado para fazer o que faz. Em um debate no fim do curso, vi um estudante perguntar ao preletor como um sistema poderia evoluir. A resposta? “Não poderia”. Sistemas complexos e de tal maneira integrados não podem surgir por meio de processos aleatórios, ao acaso (mutações, etc).

Soletrando…

Dr. Michael Denton, um biólogo molecular, escreveu sobre este problema em seu livro, Evolution: A Theory in Crisis [Evolução: Uma Teoria em Crise] (3) . O Dr. Denton, embora não seja cristão ou criacionista, reconhece os problemas presentes na idéia de processos casuais gerando seres vivos, ou gerando novas informações genéticas. O livro de Denton foi publicado em 1985, mas não é obsoleto em, substancialmente, nenhuma área. Pelo fato de ter sido escrito por um especialista em sua área, o livro é muitíssimo agradável de se ler.

Não se tem conhecimento de nenhum processo natural que gere características novas e mais complexas. Se um réptil evoluiu para um pássaro, o réptil precisaria, juntamente com outras improváveis mudanças, ter adquirido a habilidade de produzir penas. Para fazer um réptil produzir penas são necessários novos genes, que sintetizem as proteínas necessárias para a produção de penas. A probabilidade de processos naturais criarem um novo gene, codificador de uma proteína fundamentalmente diferente daquela já presente, é essencialmente zero.

Novas “espécies”…

Blue morphoNovas “espécies” podem e têm-se formado se, por definição, nos referimos a um organismo que não pode cruzar com outras espécies do mesmo gênero, mas isso não é evidência de evolução. As novas espécies não têm novas informações genéticas! Por exemplo, uma “nova espécie” surgiu em Drosophila, aquela mosca tão popular usada nos laboratórios de genética, pelos estudantes universitários. A nova espécie não pode cruzar com espécies parentais, mas é fértil dentro de seu próprio tipo; então é, por definição, uma nova “espécie”. Todavia, não há novas informações genéticas, somente a recombinação física dos genes de um cromossomo – processo tecnicamente chamado de “translocação cromossômica”.

Para conseguir uma evolução “de bactéria a Bach” é necessário inserir incríveis quantidades de novas informações. Bactérias comuns possuem cerca de 2.000 proteínas; um ser humano, mais de 100.000. Cada degrau acima na escada da evolução precisa que novas informações sejam adicionadas. De onde elas vêm? Não das mutações – elas degradam informações.

Carl Sagan, evolucionista ardoroso, admitiu: “… mutações ocorrem ao acaso e são quase uniformemente prejudiciais – é raro que uma máquina de precisão seja aperfeiçoada por uma mudança casual nas instruções para fazê-la.” (4)

… mas não novos “tipos”

Existem muitas raças de pombos, gado, cavalos, cães, etc, mas todos eles são pombos, gado, cavalos, cães, etc. A recombinação de genes existentes pode produzir enorme variação dentro de uma espécie, mas a variação é limitada pelos genes presentes. Se não há genes presentes para a produção de penas, você pode cruzar répteis por um bilhão de anos e você não conseguirá nada com penas! Poliploidia (multiplicação do número de cromossomos), translocações cromossômicas, recombinação e até (possivelmente) mutações podem gerar “novas espécies”, mas não novas informações, não novas características, para as quais não havia genes para produzí-las.

É possível que mutações “criadas” gerem novas variações, com traços que, do ponto de vista humano, são “melhorados” (exemplos: plantas de trigo menores, proteínas de qualidade diferentes, baixos níveis de toxinas, etc). Como cada “melhoria” tem sido investigada de uma perspectiva molecular, os pesquisadores têm descoberto que o “novo” traço não é obrigatoriamente a aparição de uma nova proteína, mas a modificação de uma pré-existente, mesmo quando parece ser um novo traço, como a resistência a herbicidas.

Frequentemente, os herbicidas funcionam complementando uma enzima – semelhantemente a uma chave em sua fechadura. A presença de uma chave errada impede a proteína ou enzima de aceitar a chave correta, o que faz o complexo químico não funcionar corretamente, e então a planta morre (veja o diagrama 1). A resistência a herbicidas pode acontecer devido a mutações no gene codificador para a enzima, para que uma outra, levemente modificada, seja produzida, à qual a molécula do herbicida não pode se encaixar. A enzima pode continuar a realizar a sua função usual suficientemente bem para que a planta sobreviva. Entretanto, esse mutante é normalmente menos capaz de sobreviver em ambiente selvagem, longe do herbicida, porque a enzima modificada não é mais tão eficiente para desempenhar a sua função normal.

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No debate criação/evolução, tenha em mente que a variação em uma espécie, ocorrida através da reprodução ou adaptação, não é evolução. Toda evidência biológica ou genética de evolução é, na verdade, a variação dentro de uma espécie, e isso não é evolução de maneira nenhuma. Incluem-se nisso as mariposas salpicadas, a resistência das bactérias a antibióticos, a resistência a inseticidas, a “evolução” do cavalo, os tentilhões de Galápagos, as andorinhas-do-mar ártico, etc. Os criacionistas reconhecem o papel da seleção natural no mundo atual, na freqüência de genes mutados em populações, mas isso não tem nada a ver com a evolução de alguma fabulosa forma de vida “simples” para um ser humano, através de bilhões de anos, porque a seleção natural não pode gerar novas informações. Mutações, poliploidia, etc também não podem.

Muitas vezes, os evolucionistas denominam as variações naturais nos seres vivos de “microevolução”. Essas pessoas se iludem ao pensar que, já que as variações são reais, a própria evolução – de moléculas a humanos – também está provada. Não há conexão lógica entre freqüências de genes variantes em populações de mariposas salpicadas, por exemplo, e a origem dos mesmos genes, que é o que os evolucionistas querem que a teoria explique.

Em um artigo recente, o evolucionista Dr. George Gabor Miklos resumiu bem o assunto quando disse: “Podemos continuar examinando a variação natural em todos os níveis… bem como elaborar hipóteses sobre eventos de especiação em percevejos, ursos e braqueápodes até o fim do mundo, mas continuaremos até o fim com percevejos, braqueápodes e ursos. Nenhum desses organismos se transformará em rotíferos, nematelmintos ou rincocelos.” (5)

Deus criou todas as espécies de seres vivos com capacidade genética para a variação, pela recombinação da informação genética, os genes, através do processo de reprodução. Porém, a variação é basicamente limitada àqueles genes criados, mais alguma variação extra, devida às mutações não-letais nos genes originais. As variações extras, causadas por mutações genéticas, provavelmente incluem certas características visíveis como pele sardenta, olhos azuis, cabelo loiro, inabilidade de enrolar a língua, falta dos lobos das orelhas, e padrões de calvície masculina.

Os seres vivos reproduzem-se de acordo com suas espécies, como diz a Bíblia (Gênesis 1:11, 12, 21, 24, 25). Sempre foi e sempre será assim – enquanto este mundo existir.

Referências

(1) Hodgson, R.K.; Hodgson, S.-p. C. A survey on university students’ understanding of the place of evolutionary biology in the creation/evolution controversy. Creation/Evolution Vol. 34, Verão de 1994, pp. 29–37.

(2) Thompson, Dr Keith Stuart. In: American Scientist, Vol.70, Setembro–Outubro1982, p. 529.

(3) Denton, Michael. Evolution: A Theory in Crisis. Burnett Books. Londres, 1985.

(4) Sagan, Carl. The Dragons of Eden. Hodder and Stoughton. Londres, 1977, p. 28.

(5) Miklos, George L. Gabor. Emergence of organisational complexities during metazoan evolution: perspectives from molecular biology, palaeontology and neo-Darwinism. Mem. Assoc. Australas. Palaeontols 15, 1993, p. 25.