por Daniel Ruy Pereira

I

Mãe Natureza:
Entidade sem personalidade.
Fruto do fortuito?
Acaso de um ocaso temporal?

Confudem-me esses conceitos…
De tão rarefeitos,
Perdem seu efeito:
A Mãe Natureza cria sem saber,
Evolui sem querer,
Faz, deixando acontecer.

Parece-me um desatino!
Mãe descuidada,
Mãe experimentalista…
Mãe que embala no acaso;
Faz ninar os filhos mais aptos,
E naturalmente seleciona aqueles inaptos
Para fora de seu regaço.

Tudo isso sem querer.

Definitivamente sem sentido!
Diagnosticaram esclerose múltipla na Mãe Natureza
E a internaram num asilo de loucura!

Coitada da Mãe Natureza!

II

Mãe Natureza,

Vou falar com seu Pai e Criador –
Que dotou-lhe de beleza
E pode tirar-lhe esse dissabor.

Vou pedir para Ele cuidar de você,
Já que teus filhos só fazem parolar…

Sei que você sofre.
Por nossa causa.
Desobedecemos o Pai
E te fazemos morrer.

Anime-se, Mãe Natureza!
Teu Pai criará uma Nova-Você!

Não ao acaso, mas com amor.
Estenderá novos tapetes:
Novas águas,
Novas gramíneas,
Nova iluminação…

Como era no princípio, lembra?

Teu clamor ressoa em mim…

Posso ouví-lo nas ferramentas
Posso ouví-lo na tinta e na pena
Posso ouví-lo na caneta
Posso ouví-lo no teclado

Também em lingüagem binária posso te ouvir:

Sim, você foi criada!
Com propósito, beleza e ternura,
Pela Palavra do Pai.

Como? Quer mostrar o Pai a mim?
Pois posso vê-lo em você:

O Criador tornou-se Criação!

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