
Uma visão da Terra, a partir da Voyager 1, à distância de mais de 6 bilhões de quilômetros. A Terra é o pontinho no meio da faixa brilhante à direita. Imagem de NASA/JPL
Não dá pra desenhar o céu
Porque não dá pra desenhar o cheiro do céu,
Nem o vento frio batendo no rosto
Nem as distâncias das estrelas;
Não dá pra sombrear o brilho da lua.
Não dá pra conhecer outros mundos.
Daqui eu vejo uma cúpula preta
E brinco de ligar pontos
De lá, eu vejo um ponto – “pálido e azul”, não?
Singular na imensidão da imensidão
Lá, a imaginação gosta de ir e ficar zanzando
Pra, quando voltar perceber que estamos trancados aqui –
Olhando pro parquinho, sem poder brincar.
(Os que podem fazem inveja pra gente,
trazendo cartões postais).
E o que o olho vê o coração sente
Sente que está longe demais,
Ínfimo demais e por demais ínfimo
A infinitude vem me dar um beijo
E me lembrar da aceleração crescente da finitude
E o ponto B que já vem chegando
Quando chegar no destino,
e a linha não existir mais,
pra onde eu vou?
Mas por que pensar tanto na linha
quando o papel é tão amplo?
Tem alguma coisa lá… Eu sei que tem.
Tem Quem conseguiu desenhar o céu;
Traçando eternidade e sombreando antecipação
Artista que fez e Se fez Arte,
E habitou com suas obras.

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