Protesto contra o programa “Darwin” (1), episódio do dia 11 de fevereiro, que está sendo transmitido todas as quartas-feiras, no canal pago Globo News. Não protesto com ares inquisitórios, ou com afãs religiosos (como eles diriam), mas com indignação, por ver ridicularizado o trabalho e crenças dos criacionistas e dos teóricos do Design Inteligente (que são diferentes).
Eu já esperava isso quando assisti o programa. Só não estava preparado para a quantidade de informações erradas e, na verdade, falsas, que foram lá expostas, no dia 11 de fevereiro. Coisas como “os criacionistas acreditam em uma criação de 6 dias, negando as provas que se obtém dia-a-dia pela ciência”. Ah! Faça-me o favor! Que provas? E, por que é ridículo acreditar em uma criação literal de seis dias (como o programa quis fazer parecer), que só ocorreu milagrosamente, por ação de um Deus, Todo-Poderoso (note bem os itálicos enfatizando as palavras)? Só por quê isso implica em um Ser sobrenatural? Onde a Ciência exclui a possibilidade da existência de Deus, ou de um Designer Inteligente não-divino, se ela não lida com essas questões, mas apenas com o observável e empírico? Naturalismo filosófico (não científico) não tem nada a ver com ciência, mas com uma cosmovisão acerca do universo, que tem implicações religiosas, inclusive o ateísmo. E é nisso que se baseia a teoria da evolução. E, mais uma vez, ela não tem provas.
Um dos entrevistados foi Michael Behe, expoente máximo do Design Inteligente. Em seu livro “A Caixa preta de Darwin” (1), que temos citado com frequência cada vez maior, argumenta que uma evolução darwinista não explica a complexidade irredutível (2) do flagelo bacteriano, isto é, um motor, molecular, com peças tão intrincadas que, se uma faltar, o organismo colapsa e não pode sobreviver por, sequer, um minutinho (a não ser por intervenção divina – opa! acho que fui retrógrado, não?). Além de o caracterizarem como criacionista (o que ele não é), ainda mostraram um cientista desafiante dizendo que ele não tem provas do que diz. Mas o desafiante tem provas? Não, não tem. Mas ninguém disse isso no programa, certo?
Agora, “Darwin foi genial”. “Darwin foi isso”. “Darwin fez aquilo”. E só faltou dizer: “Darwin, nós te amamos!” “Darwin, nós te glorificamos!” “Darwin! Obrigado por nos libertar da opressão bíblica de um Deus justo que nos puniria pelos nossos pecados!” É evidente que não disseram isso – seria mais do que o cúmulo -, mas é essa a impressão que temos do mundo de hoje. Não se está mais comemorando o aniversário de 200 anos de Darwin; já é quase um culto. Logo, logo, não será mais comunidade científica. Será “Igreja Ateísta Caminho de São Darwin”. Você já foi batizado?
Perdoem meu sarcasmo, mas não consigo evitar. Basta ler, um pouquinho só, alguns bons sites na Internet, como o Answers in Genesis, o Institute for Creation Research e o Desafiando a Nomenklatura Científica, para saber que 1. Darwin não é 100% crido entre os cientistas. 2. Esses cientistas não são incompetentes estúpidos que leem a Bíblia o dia inteiro. 3. Há não-cristãos que não acreditam em Darwin. 4. Não existem provas que apoiem o evolucionismo, mas evidências que parecem apoiá-lo. E também há evidências que não o apoiam. Isso é fato. A partir daí, creia no que achar melhor.
O jornalismo da Globo News me decepcionou. Espera-se um mínimo de imparcialidade na exposição de casos polêmicos – não uma apologia a uma das partes. E foi exatamente isso o que a Globo News fez – iludiu os telespectadores que não têm conhecimento do debate.
Como dizia o Professor Girafales: “Que vergonha, meu Deus! Que vergonha!”
Referências
(1) DARWIN. Globo News: 11 fev 2009. 30 min.
(2) BEHE, Michael. A Caixa preta de Darwin: o desafio da Bioquímica à teoria da evolução. Rio de Janeiro Jorge Zahar Editor, 1997.
(3) Ainda não li o livro de Behe, mas o escopo de sua tese é: cada vez que olhamos mais para dentro do organismo, mais complexo ele se torna, até não podermos mais explicá-lo sem um designer.

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