Incongruência e Esperança
I
Mãe Natureza:
Entidade sem personalidade.
Fruto do fortuito?
Acaso de um ocaso temporal?
Confudem-me esses conceitos…
De tão rarefeitos,
Perdem seu efeito:
A Mãe Natureza cria sem saber,
Evolui sem querer,
Faz, deixando acontecer.
Parece-me um desatino!
Mãe descuidada,
Mãe experimentalista…
Mãe que embala no acaso;
Faz ninar os filhos mais aptos,
E naturalmente seleciona aqueles inaptos
Para fora de seu regaço.
Tudo isso sem querer.
Definitivamente sem sentido!
Diagnosticaram esclerose múltipla na Mãe Natureza
E a internaram num asilo de loucura!
Coitada da Mãe Natureza!
II
Mãe Natureza,
Vou falar com seu Pai e Criador -
Que dotou-lhe de beleza
E pode tirar-lhe esse dissabor.
Vou pedir para Ele cuidar de você,
Já que teus filhos só fazem parolar…
Sei que você sofre.
Por nossa causa.
Desobedecemos o Pai
E te fazemos morrer.
Anime-se, Mãe Natureza!
Teu Pai criará uma Nova-Você!
Não ao acaso, mas com amor.
Estenderá novos tapetes:
Novas águas,
Novas gramíneas,
Nova iluminação…
Como era no princípio, lembra?
Teu clamor ressoa em mim…
Posso ouví-lo nas ferramentas
Posso ouví-lo na tinta e na pena
Posso ouví-lo na caneta
Posso ouví-lo no teclado
Também em lingüagem binária posso te ouvir:
Sim, você foi criada!
Com propósito, beleza e ternura,
Pela Palavra do Pai.
Como? Quer mostrar o Pai a mim?
Pois posso vê-lo em você:
O Criador tornou-se Criação!

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