O caos e o arco-íris

As chuvas estão deixando um verdadeiro caos em São Paulo. Ouvi no noticiário que, desde que começaram a fazer pluviometria no Estado, há uns 75 anos, nunca se  registrou tanta chuva em tão pouco tempo. Mais de 70 pessoas morreram, levadas pelas enxurradas, centenas (e talvez milhares) perderam muito do que levaram tempo para conquistar, as seguradoras perderam um dinheirão indenizando segurados que perderam carros e imóveis. Isso sem falar nos desabamentos…

Eu moro praticamente à margem do rio Tamanduateí, que conduz a Avenida dos Estados do Grande ABC a São Paulo. Ontem não alagou minha rua, mas há uns dias ela ficou cheia de lama. Moro em um prédio, mas foi triste ver meus vizinhos terem que limpar tudo, levando quase o dia inteiro para lavar só suas garagens e calçadas. As margens do rio Tamaduateí estão cedendo, e chega a dar medo se a Av. dos Estados não vai cair também.

Minha esposa ficou presa no Terminal Piraporinha, em Diadema, onde as enchentes foram mais violentas ontem. Ela sai do trabalho às 17h50, e só chegou em casa às 21h. Não tinha como vir embora, e eu não tinha como ir buscá-la, porque não dava pra passar de jeito nenhum. O jeito foi esperar.

Fui me debruçar na janela (lugar bom para se pensar nas coisas). “Que caos! Que desctruição!” Olhei para o céu. Vi um belo de um arco-íris.

Me lembrei que, há muitos anos, houve um Dilúvio, muito mais terrível, e assustadoramente mais mortal.  Inigualável. Aquele Dilúvio foi Deus quem mandou, e teve lá os seus motivos. Mas as enchentes de hoje são culpa nossa. Nós não planejamos o crescimento de nossas cidades, nós entupimos os bueiros com lixo, nós poluimos os rios, nós não construímos piscinões suficientes, nós não temos vontade política de mudar o cenário, nós somos responsáveis pelo aquecimento global (se é que, dessa vez, ele tem participação na coisa toda). Os humanos são os únicos culpados pelas enchentes.

Sorri. Lembrei que, quando acabou o Dilúvio, Deus deu um arco-íris para Noé e sua família. E disse:

Estabeleço uma aliança com vocês: Nunca mais será ceifada nenhuma forma de vida pelas águas de um dilúvio; nunca mais haverá dilúvio para destruir a terra”. E Deus prosseguiu: “Este é o sinal da aliança que estou fazendo entre mim e vocês e com todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações futuras: o meu arco que coloquei nas nuvens. Será o sinal da minha aliança com a terra. Quando eu trouxer nuvens sobre a terra e nelas aparecer o arco-íris, então me lembrarei da minha aliança com vocês e com os seres vivos de todas as espécies. Nunca mais as águas se tornarão um dilúvio para destruir toda forma de vida. Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra”. (Gênesis 9:11-16, NVI)

É uma promessa e tanto. Ainda mais porque o arco-íris é um fenômeno puramente físico, de divisão da luz branca quando incide sobre gotas de chuva, e toda vez que chove, é possível e provável que ele se forme. Por isso, toda vez que chove, Deus se lembra de Sua promessa. Isso é encorajador.

Ele está cuidando de nós.

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Datação radiométrica e Tiktaalik roseae já não são mais argumentos tão bons assim…

Queridos leitores,

Duas novas notícias para deixar qualquer um de queixo caído!

Primeira, de 26 de janeiro: a datação por isótopos radioativos é falível (1)! Saiu na Science que Gregory Brennecka e colegas “mediram as quantidades relativas de Urânio 238 a Urânio 235 de várias amostras do meteorito Allende, e detectaram pequenas diferenças nas proporções de isótopos de diferentes inclusões dentro do mesmo meteorito.” (2) De acordo com o próprio Brennecka, “essa variação implica incertezas substanciais nas idades determinadas anteriormente pela datação por Pb-Pb (chumbo-chumbo) de inclusões ricas em cálcio-alumínio (CAIs). (3)” Coisa que os criacionistas já diziam há muito tempo, mas ninguém dava ouvidos… Agora esta aí, publicado. Isso coloca em xeque a idade convencionalmente crida do sistema solar, e exige uma revisão dos dados atuais.

Reconstituição do Tiktaalik roseae. Imagem de wikipedia.orgSegunda, de ontem, 27 de janeiro. O Tiktaalik roseae, fóssil transicional queridinho desde 2006, não é nada transicional. Acreditavam que ele era a prova da transição entre as nadadeiras dos peixes lobados e as pernas dos anfíbios. Mas foram descobertas pegadas, na Polônia, que evidenciam que os tetrápodes já andavam normalmente em terra há 397 milhões de anos atrás, o que é 18 milhões de anos antes do esperado. Os autores da pesquisa, publicada na Nature, disseram que as pegadas “forçam uma revisão radical do tempo, ecologia e ambiente em que ocorreru a transição peixe-tetrápode, bem como a integralidade do registro fóssil.” (4, ênfase nossa) Por que os autores falam assim? Ora, porque não é possível viajar no tempo!

Como seres caminhadores completamente formados poderiam evoluir de um peixe de nadadeiras lobadas se estes já estavam andando em uma época anterior à que os ancestrais dos peixes viveram?” (5)

Pois é… os livros didáticos precisam ser revistos logo… E a fé de muitos também.

Ainda bem que a Bíblia está sempre certa.

Referências

(1) THOMAS, Brian. It’s official: radioactive isotope dating is fallible. Institute for Creation Research, publicado em 21 jan 2010. Disponível em: <http://www.icr.org/article/5161/>. Acesso em 28 jan 2010.

(2) op. cit.

(3) idem.

(4) SHERWIN, Frank. Banner fossil for evolution is demoted. Institute for Creation Research, publicado em 27 jan 2010. Disponível em: <http://www.icr.org/article/5165/>. Acesso em 28 jan 2010.

(5) op. cit.

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Debate no blog World Evolution

Queridos leitores,

Desculpem a ausência, mas fiquei sem Internet. Vou postar essa semana um debate que estou tendo no blog World Evolution. Está muito interessante e, por isso, resolvi postar aqui. Segue o último comentário, na íntegra.

Jocax, Paulo e pessoal,

Prefácio

Pessoal, desculpem o tamanho do post, mas precisei fazer algo completo, por isso saiu grandinho. Vou dividir meu post em seções para facilitar. As letras maiúsculas são ênfases. Coloquei as referências no final. Jocax, conferi os números da tradução do texto do Morris e estão corretos. Assim, não consegui entender sua dúvida. Coloquei outro autor e outros números neste post.

Introdução

Andei lendo os seus comentários e comecei a pensar no que eu estava errando, porque não é possível que alguém insista tanto em um argumento inválido como você está fazendo com as probabilidades. Vou tentar ser o mais didático possível para que todos os que lerem entendam de uma vez por todas o por quê da probabilidade da vida surgir por acaso é ínfima, e como a teoria das probabilidades é um solo instável para se construir um edifício como sua fé sobre a origem da vida.

Vida se originando por acaso?

Em primeiro lugar, que fique claro que Miller e Urey obtiveram aminoácidos, uns poucos, em sua experiência. Os experimentos continuaram, com outros autores, e, embora o número de aminoácidos produzidos tenha aumentado, NUNCA se produziu uma proteína. Há uma enorme diferença entre obter um aminoácido e obter uma proteína. As proteínas são formadas de vários (na ordem de milhares para cima) aminoácidos, combinados de um total de 20 que estão presentes em todos os seres vivos – pois há aminoácidos naturais que não estão nos seres vivos. Além disso, elas não são apenas uma estrutura linear de aminoácidos, mas têm uma estrutura secundária (um dobramento), uma estrutura terciária (mais dobramentos sobre si mesma em uma configuração tridimensional) e até mesmo uma estrutura quaternária (junção de mais uma proteína, com grupamento químico diferente, dando uma função específica, como é o caso da hemoglobina). Mas não vamos parar por aqui. As proteínas, como os aminoácidos, têm quiralidade, que é uma propriedade bem legal. Uma molécula pode ser “idêntica” a outra, mas, se ela for quiral, basta colocá-las em frente do espelho e veremos que elas não se sobrepõem. Chamamos uma de D-proteína (porque desvia a luz para o lado direito), e a outra de L-proteína (desvia a luz para o lado esquerdo).

Pois então, qual é a dificuldade Jocax?

Para se obter UMA (de milhões de proteínas presentes nos seres vivos), apenas UMA proteína, você precisa 1) de uma sequência de aminoácidos apenas entre aqueles 20; 2) Esses aminoácidos precisam estar arranjados de forma que permitam dobramentos sobre a própria sequência, de forma que permita  funcionalidade da molécula; 3) A quiralidade precisa ser D, pois TODAS as proteínas do corpo são D-proteínas. 4) Os aminoácidos precisam ser ligados uns aos outros.

Nenhum experimento até hoje, Jocax, conseguiu produzir uma proteínas ao acaso. Miller pode ter obtido aminoácidos, mas isso só prova uma coisa, que aminoácidos podem ser obtidos, em laboratório, a partir de gases inorgânicos. Jamais prova que a vida surgiu a partir de aminoácidos. Até os evolucionistas já reconheceram isso!

Se não for suficiente pra você, vamos falar em probabilidades. Aqui, cito Fernando De Angelis.

“Consideremos uma proteína ultracurta, de só 100 aminoácidos (…) Existindo 20 tipos de aminoácidos diferentes, podem ser formados com eles 20^2 pares distintos, 20^3 conjuntos de 3, etc, até serem obtidos 20^100 tipos de proteínas diferentes, cada uma com 100 aminoácidos.

“Mas 20^100 = (2×10)^100 = (2^10)^10 x 10^100

Se aproximarmos 2^10 = 10^3 resultará:

20^100 = (10^3)^10 x 10^100 = 10^30 x 10^100 = 10^130

que será o número médio de proteínas necessário para obter aquela que foi predeterminada.

“Fazendo igual a 100 Daltons o peso molecular médio dos 100 aminoácidos de nossa proteína, ela pesará 10.000 Daltons, isto é 10^4 Daltons, e nossas 10^130 proteínas pesarão 10^134 Daltons. Para transformar este peso em quilogramas será necessário dividi-lo pelo número de Avogadro (que consideraremos igual a 10^24 e que dá o peso em gramas) e por 10^3 (para ter o resultado em quilogramas). Obtem-se então para o peso das proteínas o valor 10^107 kg, para que se possa formar ao acaso aquela proteína predeterminada.

“Se considerarmos para as proteínas o peso específico igual ao da água, teremos para o volume de todas as 10^130 proteínas o valor igual a 10^107 dm^3, ou 10^95 km^3. Tirando a raiz cúbica desse valor, obtem-se para a aresta do cubo correspondente a esse volume o valor aproximado de 10^32 km.

“Um foguete que se deslocasse com a velocidade da luz (300.000 km/s), no decorrer de um ano teria percorrido ’somente’ 10^13 km, e para percorrer uma distância igual à aresta desse nosso cubo levaria 10^20 anos-luz, isto é 100 milhões de milhões de milhões, (ou 100 quintilhões) de anos-luz.

“É esse o tempo necessário para navegar nesse oceano de proteínas para obter por acaso aquela nossa proteína predeterminada!” (1)

Agora, Jocax, perceba isso, todo esse jogo matemático é apenas o topo do iceberg. O que vale é perguntar: “Mesmo produzindo aminoácidos ao acaso, será que eles poderiam se ligar, ao acaso, para formar uma proteína?” A resposta vem também em citação, de um autor evolucionista:

“Muitas moléculas de proteína são longas cadeias de aminoácidos unidos por LIGAÇÕES PEPTÍDICAS (- CO.NH -), o grupo amina (-NH3) de um ligando-se ao carboxila (-COOH) de outro por desidratação SOB CONTROLE ENZIMÁTICO.” (2, ênfase do autor)

Isso quer dizer que aminoácidos se ligam a outros aminoácidos quando há uma enzima catalizadora para viabilizar o processo. Sem a enzima, isso levaria muito, mas muito muito muito tempo para que somente dois aminoácidos se ligassem um ao outro – se é que seria possível uma coisa dessas acontecer. E como enzimas são proteínas, que são feitas por instrução do DNA, por ação de proteínas, caímos em um problema do tipo ovo-galinha. Quem surgiu primeiro, Jocax? A proteína ou o DNA?

O que se conclui disso tudo? Que o surgimento de uma proteína (apenas uma), por acaso, é impossível. Quanto mais o surgimento de vida “simples”, que já é de uma complexidade enorme!

A complexidade de dois conjuntos filosóficos

Paulo, não propus nenhuma experimentação quanto à “navalha de Ocam”, que ainda é um negócio muito estranho. O que eu quis dizer foi que, se rejeitarmos o conjunto {Universo + Deus}, preferindo o conjunto {Universo} só porque este é mais simples, estamos nos apoiando em fé cega. Ambos os conceitos não são passíveis de teste, de jeito nenhum, mas a escolha é subjetiva. Reconheço que faltou dizer que não há experimentação que comprove estes conceitos e, ao preferirmos um a outro, só o fazemos por meio de um sistema de fé, exclusivamente.

O diabinho azul de Jocax

Jocax, eu entendi seu argumento sobre o diabinho azul. De fato, você pode dizer o que quiser sobre quem teria criado o universo. Poderia ser o seu diabinho azul que não tem os atributos de Deus, e que morreu de tanto esforço que fez? É claro que poderia! Mas note que isso é TOTALMENTE SUBJETIVO. Você está fazendo o que cada religioso faz. Alguns CREEM que quem criou foi Bhrama, outros, que foi Alá, outros que foi Tupã, outros que foi Deus, outros, que não foi ninguém. Como o ponto é esse, de fato, os atributos de Deus não entram na conversa, porque estamos fazendo do que cada um prefere fazer.

A pergunta é: com que base você faz isso?

Sua base é na complexidade de conjuntos, o que eu já mostrei ser insuficiente, pois você aceita um conjunto só por ser este mais simples que o outro. O problema, Jocax, é que a vida não é simples, e creio que a complexidade de proteínas que mostrei no início é uma evidência disso. Mas há outras evidências, como o sistema imunológico, a coagulação sanguínea, o transporte vesicular da célula, a bioquímica da visão, a tendência dos átomos à estabilização, o equilíbrio entre as cargas de prótons e elétrons, o equilíbrio entre matéria e anti-matéria, as atrações atômicas e moleculares, o região ótima para a vida, onde a Terra está posicionada, a tendência dos ecossistemas à auto-regulação…

Conclusão

Um criador, para criar vida, deve considerar TODOS esses fatores juntamente, desde o início, senão a vida não é possível. Além disso, deve fazer com que tudo surja instantaneamente e simultaneamente, em uma sincronização perfeita, ou a vida não é possível. Ademais, esse Criador deve também atribuir valor à sua criação (e para isso Ele deve ser bondoso), ser transcendente a ela, e ser destituído de falhas, pois Ele seria a origem da perfeição (embora degenerada não por falha Dele) que vemos nos sistemas vivos.

O único Deus que é assim, Jocax, Paulo e amigos deste blog, é o Deus da Bíblia. Ele criou tudo com tanta ordem, que tornou a ciência (e essa discussão) possível. Se vocês querem acreditar Nele ou não, isso é problema de vocês, mas lembrem-se, amigos, como lembrou Pascal (3) que, se Deus não existe, os cristãos verdadeiros estão em vantagem na corrida pela felicidade porque temos um padrão de vida ideal, temos consolo nas tribulações, nos sentimos perdoados por nossos pecados, através de Jesus Cristo, e acreditamos que vamos morar com Ele no céu, em felicidade eterna. Estes são conceitos que tornam a vida melhor para os crentes e os que estão à sua volta, e creio que isso não precisa ser demonstrado, pois é só olhar por aí e ver que é verdade (não confundir cristão sincero com cristão hipócrita). Se, no final, Ele não existir, tudo acabaria mesmo e, nem eu nem vocês perderíamos nada. Ninguém iria nem para o céu nem para o inferno. Só viraríamos nutrientes para as plantas.

Porém, se Deus existe, vocês estão com problemas sérios, porque não creem Nele, e quando morrermos, vão encará-lo face a face e responder a Ele sobre suas atitudes. Pelos méritos de Jesus, eu sei que estou bem, mas vocês não, pois Ele disse que

“Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus.” (4)

A condenação e a salvação são reais, porque Deus é real.

Assim, quem crê e serve a Deus ganha tudo, e não perde nada.

Tudo não passa de uma questão de fé.

Abraços e Deus abençoe (para que possam crer Nele),

Daniel.

Referências

(1) DE ANGELIS, Fernando. A origem da vida por evolução: um obstáculo ao desenvolvimento da ciência. 2 ed. Brasília: Sociedade Criacionista Brasileira, 2004. p. 76.

(2) STORER, Tracy Irwin; et al. Zoologia geral. 6. ed. rev. e aum. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2003. p. 24.

(3) STEYNE, Russell. A aposta de Pascal. Creation 30(1):49, dez 2007 a fev 2008. Disponível em: <http://considereapossibilidade. wordpress.com/2009/ 08/28/a-aposta-de-pascal/>. Acesso em 25 jan 2010.

(4) João 3:18. NVI.

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Como Noé pôde cuidar de todos os animais?

Artigo traduzido de: Creation 30(1):50-51, dez 2007-fev 2008. Título original: “How could Noah care for all the animals?”. Copyright Creation Ministries International Ltda, <www.creation.com>. Usado com permissão.

Por Harrie Tjoelker

Alguma vez você se perguntou como Noé e sua família puderam tomar conta de tantos animais quando ficaram na Arca por um ano inteiro? É uma pergunta feita muitas vezes pelos céticos na Bíblia. Imagine só ter que limpar todas aquelas jaulas todos os dias!

Mas o problema não é novo. Em algumas partes do mundo, os fazendeiros têm que abrigar seus animais por muitos meses durante o inverno, o que é semelhante à tarefa de Noé. Nesses continentes, as pessoas resolveram os problemas de várias maneiras.

Figura 1. Interior de um curral de ovelhas do tipo potstal. Perceba as manchas enegrecidas das partes baixas das colunas de pedra, indicando a altura dos montes de detritos durante o inverno. Figura de <http://www.drenthe-net.nl/schaapskudde/2002/f023604n.jpg>.

Figura 1. Interior de um curral de ovelhas do tipo potstal. Perceba as manchas enegrecidas das partes baixas das colunas de pedra, indicando a altura dos montes de detritos durante o inverno. Figura de <www.drenthe-net.nl/schaapskudde/2002/f023604n.jpg> .

Um deles é visto na figura 1, que mostra o interior de um estábulo (um curral de ovelhas) na Holanda, chamado de “potstal” (1). Note os suportes de pedra na base das colunas de madeira. Isso permite que os detritos se acumulem durante o inverno sem que as estacas de madeira deteriorem com o passar dos anos.

O fazendeiro  continuamente adiciona palha (ou turfa, ou ainda serragem) em cima da camada existente, quando esta fica suja pelas excreções dos animais. Ao fim do inverno a camada já cresceu meio metro. Mas mesmo que os detritos se acumulem, o ambiente fica limpo, higiênico e cheirando bem. Estábulos similares abrigam também vacas e cavalos.

O potstal foi muito usado no passado e ainda continua popular em fazendas ecologicamente corretas. Quando eu era criança, meu pai mantinha um rebanho de quase 30 ovelhas, e usava um potstal. Nosso vizinho (um fazendeiro profissional) mantinha mais de 130 ovelhas em um estábulo assim. Mesmo com tantas ovelhas, o estábulo era limpo, higiênico e confortável. No potstal, o fazendeiro muitas vezes mantém a palha limpa acima dos animais, economizando espaço e trabalho.

A única vez que o estábulo cheirava mal (algo de que eu me lembro vividamente) era quando ele era limpo no fim do inverno. Fazendas ecologicamente corretas acreditam que só precisam limpar os estábulos uma ou duas vezes ao ano. O esterco pode ter sido útil para Noé, provendo combustível para o aquecimento. Atualmente, os detritos formam um fertilizante perfeito.

Outro tipo de estábulo é o “grupstal” (figura 2) (2). No lugar onde cresci, muitos fazendeiros costumavam ter estábulos assim, e ainda continuam sendo usados em nosso país. Nesse estábulo os animais são abrigados sobre um andar com, por exemplo, palha. Uma “calha” (chamada grup na velha Holanda) atrás deles coleta o esterco e a urina. Esse tipo de estábulo é fácil de limpar – apenas empurre o esterco para um tanque coletor. Uma quantidade relativamente pequena de palha é necessária. Se Noé tivesse usado um sistema como esse, ele poderia ter despejado os detritos no mar, usando água (não pouca!) para manter o estábulo limpo.

Figura 2. Interior de um “grupstal”. Os animais são presos a uma “cerca” na parede externa e alimentados ali. O exterco cai nas calhas centrais. Note como é fácil para o fazendeiro dar forragem limpa para os animais. Figura de <www.koeinfo.mysites.nl/mypages/koeinfo/244562.html>. Escaneada em <www.honey55.com/xe/?document_srl=14500>.

Também é fácil alimentar os animais em estábulos assim, apenas jogando o alimento em uma calha no começo do estábulo.

John Woodmorappe, em seu livro Noah’s Ark: A Feasibility Study investigou algumas das técnicas salvadoras de trabalho que Noé poderia ter usado na Arca, não apenas para lidar com os detritos animais, mas também para alimentá-los e dar-lhes água (3).

Quando sabemos um pouco sobre cuidar de animais em climas frios, descobrimos que essa não teria sido uma tarefa tão difícil para Noé, particularmente porque ele e sua família tiveram engenhosidade e talento para construir a notável Arca. Além disso, eles tiveram muitos anos para preparar os estábulos a bordo, incluindo equipamentos e suprimentos.

Referências

(1) Potstal, <www.drenthe-net.nl/schaapskudde/2002/f0236.html> tem mais figuras.

(2) Grupstal é o nome holandês para esse tipo de estábulo. Veja <koeinfo.mysites.nl/mypges/koeinfo/244562.html>.

(3) Woodmorappe, J., Noah’s Ark: A Feasibility Study, Institute for Creation Research, Califórnia, EUA, 1996.

Transposons estraga-prazeres!

Sequência de bases. Imagem stock.xchng

Sequência de bases. Imagem stock.xchng

Ninguém mais vai poder festejar a evolução usando transposons na festa. O site do Institute for Creation Research publicou uma boa notícia essa semana (1). Vou traduzir algumas partes dela aqui para podermos comentá-las depois.

Transposons são um tipo de “elementos genéticos móveis” que operam dentro do DNA dos seres vivos. Há anos os proponentes da macroevolução têm afirmado que sua presença sem dúvida apóia a evolução darwiniana. Mas uma pesquisa recente mostrou que os transposons foram interpretados erroneamente (2).

Transposons são segmentos de DNA que utilizam a maquinaria celular para replicar a si mesmos e então emendar cópias de  fragmentos do DNA, aumentando o volume total de DNA sem adicionar novos genes. (…) Cerca de 44,4% do DNA humano consiste de elementos repetitivos, com grande parte talvez oriunda de transposons.

Muitos cientistas ainda creem que estes segmentos repetidos contém sequências mais ou menos randômicas, sem função, não codificadoras, nas quais a “evolução” pode ocorrer. (…) Mas na verdade eles contém um código funcional, que é acessado para o uso em tecidos específicos (…) Podem regular a expressão dos produtos genéticos.

Uma classe de transposons, chamada “retrotransposons”, é formada quando o DNA é transcrito para RNA, que é então transcrito de volta para DNA. Sequências retrotransposons têm sido quase sempre, dogmaticamente, interpretadas pelos evolucionistas como resquícios de antigos vírus. Esses vírus supostamente teriam infectado vários organismos há muito tempo atrás, e assumiu-se que o DNA viral foi incorporado a um ou mais de seus cromossomos.

É intrigante que os chimpanzés e humanos partilhem algumas sequências repetidas quase idênticas, que pareçam terem sido formadas por retrotransposons. Os evolucionistas argumentam que elas devem ter sido introduzidas pelo mesmo vírus antes que as duas espécies divergissem de um (suposto) ancestral humanóide. Assim, cada espécie retém hoje um resquício da mesma antiga infecção viral.

Isso muitas vezes é citado como forte evidência de que humanos e chimpanzés partilham um ancestral comum, e que portanto um evolução em larga escala é verdadeira, que células simples podem eventualmente se desenvolver em humanos por meio de forças naturais aleatórias. Este é atualmente um dos melhores argumentos da evolução.

(…) [Mas] os cientistas criacionistas predisseram que nem todas, e talvez nenhuma, atividade dos retrotransposons era viral ou randômica, mas era parte de um processo celular original criado e bem-projetado. O novo estudo da Nature Genetics confirma essa previsão.

Os pesquisadores descobriram que entre 6 e 30% das transcrições ativas de RNA utilizam sequências transposons. Essas transcrições carregam informação regulatória do DNA para o resto da célula. Também descobriram que diferentes seções das sequências de retrotransposons são acessadas por diferentes tecidos. Assim, pelo menos algumas (e talvez todas as) sequências carreguem importantes informações para certas células usarem. Isso significa que os transposons não vieram de vírus antigos e que portanto não podem mais serem usados para apoiar a ideia de que chimpanzés e humanos evoluíram de um ancestral comum que foi infectado por um vírus.  (O motivo por que tanto os chimpanzés como os humanos têm sequências tão similares em cromossomos similares seria porque ambas as espécies experimentaram atividade similar dos retrotransposons, em padrões parecidos , quando foram copiados e inseridos em suas respectivas espécies.)”

O tempo passa e o DNA continua sendo um dos piores parceiros da evolução. A cada dia, ele insiste em não apoiar mais a teoria. Por outro lado, gosta cada vez mais do Design Inteligente e do Criacionismo. Antigamente, grande parte dele era conhecida como “DNA lixo”. Hoje, parece que nada nele é lixo, mas tudo é útil. E as novas descobertas têm tirado essa noção das nossas cabeças, e ensinado uma lição: antes de afirmarmos algo, precisamos esperar pra ver. Quem achava que os transposons eram só mais uma coisinha com nome legal, que era fundamental para a evolução, se enganou. Eles são muitos importantes para o DNA, como acabamos de ler, mas ao invés de apontarem para um ancestral comum, apontam para um Designer comum, que é o Deus Criador dos céus e da Terra.

Referências

(1) THOMAS, Brian. Sience overturnes evolution’s best argument. Institute for Creation Research, postado em <http://www.icr.org/article/5136/> em 29 dez 2009.

(2) Faulkner, G. J. et al. 2009. The regulated retrotransposon transcriptome of mammalian cells. Nature Genetics. 41 (5): 563-571.

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Post de Natal. Por quê?

Pois é, queridos leitores… Acabou o Natal de 2009.

Fui visitar minha vozinha em Avaré. Ceei com minha família e alguns amigos em Santo André e fomos passar o dia 25 lá. Tomei banho de rio, comi churrasco, cural, rosquinha de pinga e mantecal até meu estômago e intestinos começarem a reclamar, mas fiquei muito feliz. Meu pai voltou pra casa, meus primos estavam lá, família unida, natal comemorado. Fiz muitas outras coisas também, coisas que fizeram do Natal de 2009 uma data especial. Mas uma coisa é mais importante que tudo isso.

Jesus nasceu. Sei que você me visita aqui no blog, querido leitor, semana após semana, e lê sobre assuntos variados dentro do espectro luminoso da ciência e da religião. Falamos sobre evolução, criação, seleção natural e coisas que não combinam muito (será que não?) com o Natal. Mas o fato é este: Jesus nasceu. O jeito como você encara este fato histórico é que são elas; você pode não acreditar nele ou não enxergá-lo como eu faço, mas não pode ignorá-lo. Está lá no seu calendário. Jesus nasceu, não importa a data. E mudou a história toda, o Ocidente todo. Mas, mais do que isso, Ele mudou minha vida.

Jesus é o motivo deste blog. É o motivo pelo qual eu passo este tempo escrevendo aqui; porque procuro melhorar a forma e estilos de escrever e traduzir. Faço isso por Ele. Mas faço isso também por você, querido leitor. Para que você pense nele. Para que você considere a única possibilidade que, de fato, importa: entregar seu destino a Ele. Afinal, olhando por um outro prisma, é Ele quem faz a seleção daqueles que entram em Seu Reino, seleção esta que não é baseada na probabilidade de sucesso na luta pela sobrevivência, mas em Sua aptidão e méritos, Sua graça, isto é, no favor que Ele nos fez, não merecido por nós, de nos livrar do pecado que nos leva à morte.

Morte… Importante tanto para a Teoria de Darwin como para o Evangelho de Jesus. Na primeira, aumenta a complexidade da vida – os que conseguem retardá-la ao máximo passam seus genes à prole. No segundo, revela a simplicidade da vida, e descortina sua continuidade, em uma de duas possibilidades, céu ou inferno, que  são o destino final cuja ida jaz sobre um único ato: o reconhecimento do que o Filho de Deus fez por nós. Não tem nada a ver com seus genes ou com sua aptidão. Não precisa ser o mais apto, pois o Único apto é Ele.

O Natal é muito mais que seus símbolos culturais – vinho, peru, chester, Papai Noel, árvore de natal e presente, pisca-piscas na janela e nas casas. Tudo isso é muito bom, lindo e agradável, mas é ainda maior o motivo porque essas coisas existem. Elas existem como parte da comemoração pelo nascimento de Jesus Cristo, o Salvador do Mundo.

Mais que isso: o Salvador do meu mundo.

A Ele, dedico este post e, mais uma vez, dedico este blog, para o próximo ano.

Feliz 2010 a todos.

Abraço e Deus abençoe,

Daniel.

PS: Vejam o video abaixo sobre o verdadeiro significado do Natal, da forma mais brasileira possível.

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Assistam: “Autópsia Animal”, no NATGEO!

Olá, queridos leitores!

Programa "Autópsia Animal", episódio "Girafa", do National Geographic Channel.

Programa "Autópsia Animal", episódio "Girafa", do National Geographic Channel.

Acabei de assistir a mais um ótimo programa do National Geographic Channel. Alguns cientistas, entre os quais aparecia Richard Dawkins, faziam a autópsia de uma girafa e, enquanto a dissecavam, analisavam a fisiologia e as estruturas do animal. Quando analisavam a anatomia do seu sistema respiratório, foi ótimo ver o cientista dizendo: “Foi incrivelmente bem projetado… desenvolvido… evoluído!” Pena que a dublagem não pegou, mas foi ótimo mesmo. Mais uma demonstração de como, mediante o maravilhoso design de um animal, é impossível não atribuir finalidade e propósito às estruturas, o que força a admissão de um Designer. Melhor ainda foi ver os cientistas tentando explicar que um nervo seria “porcamente” projetado, porque ele faz um longo caminho do pescoço da girafa até o coração, para voltar, como uma alça. Este mais o por quê da girafa nascer com chifres (cujo desenvolvimento é incompleto) foram os dois únicos exemplos de projeto mal-feito, e convenhamos, não são conclusivos. Pode haver outras explicações. E, embora a conclusão fosse que a girafa está no limite de sua existência como espécie (prestes à extinção), o que é aceito pelo criacionismo sem problemas, o programa ficou recheado de “carambas”, “meu-deus” e “puxa-vidas” referentes à anatomia e fisiologia absolutamente funcionais e solucionadoras de problemas da girafas. Se eles queriam desmerecer o Design Inteligente, só fizeram foi fortalecê-lo. Viva o Designer! E Ele é muito inteligente!

O próximo episódio, Terça, 22 de dezembro, 22h, será a dissecção de uma baleia. Não posso perder! O link para as informações e grade de programação segue abaixo:

http://www.natgeo.com.br/especiais/autopsias-animais/

Aproveitem o show e pensem nos designs.

Abraço e Deus abençoe,

Daniel.

A ilusão dos amores e o amor que não ilude

Não chorem, não sofram, eu estou ABSOLUTAMENTE FELIZ! Era tudo o que eu queria: ter paz eterna com meu Deus e, se possível, com minha mãe. Eu não me suicidei, eu parti para junto de Deus. (…) Saibam todos que tiverem conhecimento desse documento que não estou desistindo da vida, estou em busca de Deus. Não é por falta de dinheiro, pois com o que tenho posso morar aqui, em Floripa ou no Sul. Mas acontece que eu não quero mais morar em lugar nenhum. Eu não quero envelhecer e sofrer. Eu vi minha mãe sofrer até a morte e não quero isso para mim. Eu quero paz! Estou cansada, cansada de cabeça! Não agüento mais pensar, pagar contas, resolver problemas… Vocês dirão: Todos vivem! Mas eu decidi que posso parar com isso, ser feliz, porque sei que Deus me perdoará e me aceitará como uma filha bondosa e generosa que sempre fui.

(…) Se existe sentimento maior que o amor, eu desconheço!” (1)

Leila Lopes escreveu essa carta, e outras a seus parentes, antes de ser encontrada morta, em seu apartamento do Morumbi, ao lado de um frasco vazio de veneno de rato. A polícia investiga como suicídio, e parece que foi mesmo o que aconteceu, pelo que ela passou nos últimos meses. Ela teve o útero retirado por causa da endometriose, que lhe dava dores terríveis. Confessou a uma amiga, alguns dias antes de morrer, que se sentia muito solitária. Então foi encontrada morta, com cartas destinadas a familiares e amigos e até a roupa que gostaria de vestir no enterro. Sua história é muito triste. Depois de ter atuado em novelas de sucesso na Rede Globo, migrou para a indústria de filmes pornográficos, e nunca mais conseguiu voltar a atuar em uma novela, o que era seu sonho. Tornou-se, no YouTube, motivo de zombaria e desrespeito por muitos (não todos) que comentaram vídeos seus.

Ao ler sua carta, fico pensando em sua vontade de encontrar Deus, sua certeza de que seria aceita por Ele, por causa de sua bondade e generosidade, e também no seu post scriptum: “Se existe sentimento maior que o amor, eu desconheço!” E eu me pergunto qual era a definição de amor que ela tinha. Estava completamente errada sobre como seria aceita por Deus (pois Ele nos aceita apenas pela fé em Seu Filho, não pelas boas obras que praticamos), mas esse seu pensamento sobre o amor é intrigante. Neste artigo, às vésperas do Natal de 2009, quero compartilhar alguns pensamentos com você sobre o amor. Vamos ver, com base na Bíblia, se Leila Lopes, e muitos dos leitores, estão certos sobre o amor.

Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. (1 João 4:10)

Desde o versículo 7 do capítulo 4 desta carta, o apóstolo João disserta sobre o amor de Deus. Ele fala coisas lindas, mas deixa você pensando: “Afinal, o que é ‘amor’?” Então, pela inspiração maravilhosa de Deus, ele responde essa questão. Neste versículo 10, fala sobre a natureza do amor, sobre a singularidade do amor e sobre a manifestação do amor. Vamos olhar para cada uma delas.

A natureza do amor

João começa limitando o amor a uma definição. “Nisto consiste o amor”. Ou seja, o amor é somente aquilo que ele vai dizer em seguida. É claro, há diferentes palavras gregas para “amor”, e diferentes tipos de amor, segundo os conceitos que utilizamos em nossa sociedade. Existe o amor de mãe, o amor de irmão, o amor de amigo, o amor de cônjuge, de filho, o amor altruísta (caridoso) e outros tipos. Essas expressões são nossa forma de dizer que gostamos de alguém, que temos por ela simpatia, e… sejamos francos: é difícil definir o amor que sentimos uns pelos outros. O motorista do fretado que me levava para a faculdade achava que o amor de mãe era maior que o amor de Deus. Mas é preciso lembrar que todos esses amores falham. Mães abandonam seus filhos. Amigos abandonam uns aos outros. A caridade pode ser hipócrita. Irmãos nem sempre são tão chegados assim. Filhos nem sempre amam seus pais. Cônjuges adulteram. Assim, isso que chamamos “amor” pode ser apenas uma ilusão.

João não vai falar de nenhum destes amores. Ele não está falando de uma ilusão. Ele está limitando sua definição ao amor de Deus, o único amor que é verdadeiro, perante o qual todos estes sentimentos de que falamos são como faíscas diante de fogueiras. Assim como as faíscas perdem a graça quando você vê uma fogueira grande, e o crepitar da lenha, também esses amores ficam ínfimos perante o amor de Deus.

A singularidade do amor

A definição de João diz o que o amor não é. Você deve ter percebido que ainda não falamos do amor cristão. Seria ele uma ilusão também? Para alguns, certamente, pois há muitos que professam amar a Deus, serem cristãos, mas não passam de arruaceiros no Reino de Deus.

“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!” (Mateus 7:21-23)

“Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele”. (João 14:21)

Somente aquele que guarda os mandamentos de Deus o ama de verdade. Mas também não é deste amor que João está falando. O amor cristão é apenas um espelho do verdadeiro amor: mostra como ele é, mas não em toda a sua plenitude. Talvez você tenha se enquadrado, até agora, no grupo dos arruceiros do Reino. Talvez você tenha percebido o quanto foi iludido até agora. Tem jeito para você? Existe algo que possa tirá-lo da ilusão e consolá-lo?

Lembre-se que o Evangelho nunca, repito, nunca, se baseia no seu amor por Deus, porque você é falho e pecador. Baseia-se e gira em torno do amor de Deus por nós. Não merecemos uma gota deste amor. Não somos nem um pouco louváveis, nem um pouco admiráveis. Até os grandes líderes da história cristã, como Paulo, Lutero, Calvino, Martin Luther King e outros tinham suas falhas e pensamentos obscuros que só Deus conhecia. Mas o cristianismo nunca se baseou neles. O amor de Deus é singular. É sobre ele que precisamos falar, porque apenas ele pode nos tirar da ilusão, e nos transformar completamente em novas criaturas.

A manifestação do amor

O amor de Deus não é palavreado. Nada é mais ativo que o amor. Nunca gostei muito de filmes românticos (embora já tenha visto alguns fantásticos). Gosto mesmo de filmes de ação. Há muito romance neles também, quando o herói sai para salvar a mocinha. Já pensou se o herói ficasse parado? Se o Homem-Aranha deixasse o Duende Verde levar a Mary Jane, e dissesse: “Ah… Há muitas garotas por aí…”. Seria absurdo. Super-Homem sem Lois Lane também é inconcebível… Porque o amor precisa ser demonstrado, manifestado.

O amor de Deus é perfeito porque não ficou só no poema. Veio para a ação. Ele veio até nós, vestido de carpinteiro, morrendo na cruz pelos nossos pecados. Preste atenção à palavra “propiciação”. Ela significa “sacrifício que desvia a ira de Deus”. Deus enviou seu Filho para morrer. Jesus se dispôs a dar Sua vida. O Espírito Santo atuou para que Jesus fosse preso e crucificado, assegurando que alguns não creriam Nele. Os anjos deixaram Jesus sozinho de propósito. Não pense que a crucificação foi estupidez. Não ignore aquele pedaço rústico de madeira. Não olhe para ele com dó. Não feche os seus olhos. Abra-os bem e deixe entrar bastante luz. Grave as imagens em sua memória para sempre e entenda de uma vez por todas: aquele lugar era seu, porque você pecou um dia, ofendendo a Deus, como eu já o fiz. Merecíamos ser condenados à morte eterna. Mas Jesus tomou o nosso lugar, com o consentimento e aprovação do Pai e do Espírito Santo, para desviar a ira de nós. Desviar para onde? Para cima dEle mesmo! É como se o policial honesto prendesse a si mesmo para salvar o ladrão; como se o juiz condenasse a si mesmo para livrar o réu declarado culpado; como se o rei se condenasse à decapitação para salvar o traidor; como se o presidente dos Estados Unidos tomasse o lugar de alguém no corredor da morte. É absurdo, inconcebível, escandaloso! Parece loucura?

“… agradou a Deus salvar aqueles que creem por meio da loucura da pregação.” (1 Coríntios 1:21)

O amor de Deus é a única coisa neste universo que não é ilusão. Até quando você vai ignorá-lo?

Conclusão

Para mim, Leila Lopes desconhecia completamente esse amor. Isso me leva a pensar que, se não o conheceu é porque ou ninguém falou dele para ela, ou ela ouviu falar dele e deliberadamente o ignorou, preferindo acreditar em um sistema de fé que ela mesma criou – o que não entra na minha cabeça. Se você ignora este amor tão grande, motivo de nosso louvor a Deus, por nos salvar sem termos a menor possibilidade de entender por quê, então não há solução para sua vida.

Chegamos a mais um Natal e, enquanto as pessoas armam suas árvores e seus presépios, ignoram completamente o significado da manjedoura: Deus veio ao mundo para salvar os pecadores. Este é o verdadeiro sentido do Natal.

Referências

(1) YAHOO! BRASIL. Família divulga carta deixada por por Leila Lopes. Yahoo! Brasil Notícias, 08 dez 2009, 2h54min. Disponível em: <http://br.noticias.yahoo.com/s/08122009/48/entretenimento-familia-divulga-carta-deixada-leila.html>. Acesso em 14 dez 2009.

RIENECKER, Fritz; ROGERS, Cleon. Chave linguística do Novo Testamento grego. São Paulo: Vida Nova, 1995. p.590

Este artigo foi originalmente um sermão pregado por mim na Igreja Evangélica SOS Jesus em Santo André, no dia 13 de dezembro de 2009.

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Conte e Reconte

Queridos leitores,

Neste post vou publicar a poesia de uma amiga minha. Odete Krugner descobriu que é poeta aos 60 anos, e está escrevendo que é uma beleza. Publico em primeira mão sua “Conte e Reconte”. Aproveitem!

Conte e Reconte

Odete Krugner

Conte histórias para crianças,
Com certeza vão gostar
Enquanto você conta
Deixe a criança imaginar.

Pode falar da Cinderela
E também da Rapunzel
Fale do patinho feio
Mas não assuste a criança
Com histórias do lobo mau.

Fale da mentira,
Que faz crescer o nariz
Diga que um elefantinho
Também pode voar.

Tem histórias de porquinhos
Que as crianças vão amar
Com histórias de macacos
Vai fazê-las gargalhar.

Vá agora, mais adiante
Fale do peixe grande,
Que engoliu o homem no mar
Fale do pequeno Davi
Que venceu o terrível gigante.

Conte pra criança
Que Moisés abriu o mar
Moisés?
Fale de Noé, fale da grande arca,
Da bicharada e da Torre de Babel

Fale de um grande amigo,
Fale de uma grande cruz,
Nunca deixe de ensinar,
Que Deus é o papai de Jesus.

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Oi! Pessoal!

Desculpem a ausência de três semanas. Além de estar sem Internet estou um pouco sem tempo para escrever, e priorizei a resposta de um leitor, o Yuri, que demandou bastante tempo. Há aindas outras pendentes, mas não as deixarei sem resposta.

Fim de ano… Bastante aluno de recuperação… Bastante aula particular… De fato, não posso reclamar. Mas estou sem tempo mesmo de escrever. Enquanto isso, deixo aqui o link de aum artigo de girsaum, que perguntou no post Criacionismo nas escolas: Ensino Religioso ou Ciências? por que criacionismo não é ciência. O artigo chama-se “Criacionismo não é ciência“. Leiam, porque a discussão promete.

Abraço a todos,

Deus os abençoe,

Daniel.