
Foi muito interessante ler o artigo da National Geographic Brasil (da qual sou fã já há algum tempo, pela beleza, qualidade, diversidade dos assuntos e, logicamente, as incríveis imagens) deste mês de Abril. O artigo é sobre biomimética,
uma disciplina que busca em estruturas naturais soluções para problemas na engenharia, na ciência dos materiais, na medicina e em outros campos. (1)
Embora as fotos de Robert Clark sejam de tirar o fôlego, há outras coisas que chamam a atenção.
A primeira é o título do artigo: “O design na natureza” Posso grifar a palavra mais uma vez? Design. De acordo com o Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa (2), design é a “concepção de um projeto ou modelo; planejamento”. Entranho falar nisso em um mundo que supostamente evoluiu - e evoluiria - há 4,5 bilhões de anos, em um processo totalmente conduzido pelo acaso.
Segunda coisa. Falando a respeito dos espécimes preservados no Museu de História Natural, em Londres, Tom Mueller diz:
Casa espécie, mesmo aquelas extintas, é uma história de sucesso otimizada por milhões de anos de seleção natural. Por que não aprender com o que foi lentamente aperfeiçoado pela evolução? (3)
Agora é interessante falar em aperfeiçoamento de processos fortuitos, especialmente quando evolucionistas como o palentólgo Stephen Jay Gould, diz que:
A história inclui caos em demasia, e é extremamente dependente de diferenças mínimas e incomensuráveis nas condições iniciais, que levam a resultados radicalmente divergentes causados por disparidades insignificantes e vetadas ao conhecimento nos pontos iniciais. E a história inclui contingências demais; os resultados atuais são moldados por longas cadeias de estados antecedentes imprevisíveis, e não determinados - como geralmente se supõe - pelas eternas leis da Natureza. (4)
Terceiro. Na página 82, lemos:
A evolução não “projeta” a asa da mosca ou a pata da lagartixa tendo em vista algum objetivo final, como o faria um engenheiro - em vez fisso, ela faz cegamente uma miríade de experimentos aleatórios, ao longo de milhares de gerações, que resulta em organismos pouco elegantes ujo objetivo é sobreviver o suficiente para produzir a próxima rodada de experimentos aleatórios. (5)
Não entendo! Como um projeto pode ser concretizado com experimentações casuais? O próprio Jay Gould, no artigo citado acima, se posiciona contra a noção de aperfeiçoamento em evolução. A evolução não poderia aperfeiçoar justamente porque ela seria totalmente cega. Vamos mais a fundo nesse assunto.
Complexo por acaso?
A evolução realmente não projeta coisa alguma. Isso porque seu funcionamento é baseado em seleção natural, mutações genéticas (em geral, degenerativas), isolamento reprodutivo e geográfico etc. Todos estes são processos que ocorrem ao acaso. É como estar no lugar errado, na hora errada, sendo alguém diferente de todos os outros, e ainda se dar bem!
Por exemplo, existe uma espécie de réptil em determinada área, onde o clima é quente. A espécie vive aí por milhões de anos. Porém, de uma fêmea nasce um indivíduo com uma mutação genética que lhe permite produzir penas. Ele está fadado ao isolamento e à morte, a menos que o clima mude completamente. O sujeitinho tem sorte, e repentinamente o clima muda para um clima frio. Praticamentente todos os animais daquela espécie morrem - exceto os que são mais bem adaptados. Isso inclui nosso amigo com penas. Agora, as fêmeas que sobreviveram, ao acasalarem com ele, conceberão descendentes que herdarão aquela mutação (por acaso, era dominante!). Pronto. Temos uma nova espécie.
Milhões de anos depois, um dos descendentes do nosso amigo - com mais penas - nasce com uma grande membrana ligando as patas dianteiras nas traseiras. Ele agora pode planar sobre as árvores. Até que surge uma ave. E assim por diante.
Isso é evolução. Tudo por acaso, ninguém guiando nada. Dessa forma, não existe projeto. Um orgnismo existe por acaso. Não existem conceitos de melhoria ou piora, pois são relativos. O organismo simplesmente existe, por um golpe de sorte.
Portanto, falar em projeto ou design, em evolucionismo, é absurdo. E isso nos leva a pensar: por que nos maravilhamos diante das adaptações dos organismos, já que elas poderiam ou não estar ali? Existir não envolveria gratidão ou sentimentalismo. Mas é inegável que a impressão que temos é que uma adaptação existe porque existe uma causa. As escamas da pele do tubarão (dentículos dérmicos) fazem a água escorrer pelas microranhuras sem fazer turbilhão. Isso serve para torná-lo um animal rápido. (6) O tubarão precisa ser rápido, pois ele é um predador! Ou seja, a sua velocidade é efeito da velocidade de sua presa (a causa). Ou, pelo menos, a velocidade no tubarão existe porque existe velocidade na presa.
Sei que os evolucionistas estão cansados de ouvir isso, mas nós criacionistas também já estamos cansados de falar! É óbvio que tudo isso que dissemos acima parece um tanto incrível. Casualmente nada pode surgir! Estruturas complexas como aquelas vistas no artigo da “National” não poderiam(e não podem) surgir por acaso. Não é só o fato de existir a escama diferenciada na pele do tubarão. Como ela é produzida? Um gene, dentro de um cromossomo, é copiado por uma enzima, traduzida por outra, e então são produzidas as proteínas necessárias que, pelos elementos que contém, têm determinada conformação e, juntamente com outros materiais, formarão as escamas. Cada etapa deste processo teria que ter surgido por acaso, por sorte, e então o tubarão estaria completo. Mas como isso seria possível se o tubarão precisa de tudo isso pronto para viver? Você percebe a complexidade da coisa toda? Depois me criticam por gostar de livros de fantasia!
A lingüagem
Ao ler o artigo, pude perceber a lingüagem utilizada pelos cientistas para descrever as estruturas biológicas dos seres vivos. “Entusiasmado”, “projetos geniais” (p. 67); “impressionados”, “estruturas maravilhosas” (p.73); “assombrosa”, “misteriosas”, “complicadas” (p. 74); fantástico (p. 78). E no título, design.
Todos esses adjetivos revelam o assombro diante de coisa que não podemos entender - especialmente se você for evolucionista. A pergunta que passa na cabeça é: como um ser vivo pode ter a solução exata para o problema da sua sobrevivência? Como a solução de um problema grande assim pode surgir por acaso?
Me espanta o uso que os evolucionistas fazem de expressões como “a evolução faz”, “a natureza produz”, “aperfeiçoado pela seleção natural” - todas presentes no artigo. A impressão que fica é que, instintivamente (podemos dizer), há a necessidade de uma entidade criadora. Parece que não se pode entender ou mesmo encarar a vida sem a presença de um criador - seja o acaso e os processos evolutivos, seja Deus.
Conclusão
Se pensarmos em termos de evolução ao acaso, ficaremos confusos e admirados, porém, sem respostas. Se pensarmos em termos de criação, teremos um sentimento de entusiasmo, quase um louvor!
Porém, há um outro tipo de pessoa, que pode ser tanto criacionista como evolucionista: o que se acomoda e deixa a questão de lado, como se não tivesse importância.
Pois saiba que essa pode ser a questão que dará sentido à sua vida. Porque, se evoluíssemos, não teríamos por quê estar aqui, e somos meros produtos de reações químicas. Entretanto, se fomos criados, temos certeza de que o fomos com um objetivo, com um propósito.
Você sabe o que as religiões ensinam. Todas afirmam que algém nos criou. São muitos relatos concordantes, não acha? E o que a Bíblia diz?
Porque no Evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: “O justo viverá pela fé”.
Portanto, a ira de Deus é revelada dos céus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça, pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis. (7)
Ou seja, se houver um Deus (e há), não adianta preparar desculpas antes de se apresentar a ele. As pessoas vivem sem considerar que irão se apresentar diante de Deus. E se iludem achando que tudo apareceu por acaso. No final, o que dirão a Deus? “Olha, Senhor, eu não cri porque não tive provas da tua existência.” Os seres vivos anunciam, em si mesmos, que existe um Criador! E a Bíblia nos ensina a conhecê-lo, através de Jesus Cristo. Não há desculpas diante Dele.
Se você não se decidir logo, pode ficar tarde. E, se tentar argumentar com Deus, pode ser que o ouça dizer:
” - Amigo, você nunca leu o artigo da National Gegraphic?”
———–
REFERÊNCIAS
(1) MUELLER, Tom. Biomimética: o design da natureza. National Geographic Brasil, abr. 2008, p. 60-83.
(2) Design. In: FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário básico da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994-1995. p. 212.
(3) MUELLER, op. cit., p. 67. grifo nosso.
(4) GOULD, Stephen Jay. A evolução da vida. Scientific American Brasil. ed. especial. n. 5. p. 90-98.
(5) MUELLER, op. cit., p. 82.
(6) MULLER, op. cit., p. 75.
(7) Romanos 1:17-23. In: BÍBLIA SAGRADA: nova versão internacional. São Paulo: Sociedade Bíblica Internacional, 2000. p. 876.

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.