Post de Natal. Por quê?

Pois é, queridos leitores… Acabou o Natal de 2009.

Fui visitar minha vozinha em Avaré. Ceei com minha família e alguns amigos em Santo André e fomos passar o dia 25 lá. Tomei banho de rio, comi churrasco, cural, rosquinha de pinga e mantecal até meu estômago e intestinos começarem a reclamar, mas fiquei muito feliz. Meu pai voltou pra casa, meus primos estavam lá, família unida, natal comemorado. Fiz muitas outras coisas também, coisas que fizeram do Natal de 2009 uma data especial. Mas uma coisa é mais importante que tudo isso.

Jesus nasceu. Sei que você me visita aqui no blog, querido leitor, semana após semana, e lê sobre assuntos variados dentro do espectro luminoso da ciência e da religião. Falamos sobre evolução, criação, seleção natural e coisas que não combinam muito (será que não?) com o Natal. Mas o fato é este: Jesus nasceu. O jeito como você encara este fato histórico é que são elas; você pode não acreditar nele ou não enxergá-lo como eu faço, mas não pode ignorá-lo. Está lá no seu calendário. Jesus nasceu, não importa a data. E mudou a história toda, o Ocidente todo. Mas, mais do que isso, Ele mudou minha vida.

Jesus é o motivo deste blog. É o motivo pelo qual eu passo este tempo escrevendo aqui; porque procuro melhorar a forma e estilos de escrever e traduzir. Faço isso por Ele. Mas faço isso também por você, querido leitor. Para que você pense nele. Para que você considere a única possibilidade que, de fato, importa: entregar seu destino a Ele. Afinal, olhando por um outro prisma, é Ele quem faz a seleção daqueles que entram em Seu Reino, seleção esta que não é baseada na probabilidade de sucesso na luta pela sobrevivência, mas em Sua aptidão e méritos, Sua graça, isto é, no favor que Ele nos fez, não merecido por nós, de nos livrar do pecado que nos leva à morte.

Morte… Importante tanto para a Teoria de Darwin como para o Evangelho de Jesus. Na primeira, aumenta a complexidade da vida – os que conseguem retardá-la ao máximo passam seus genes à prole. No segundo, revela a simplicidade da vida, e descortina sua continuidade, em uma de duas possibilidades, céu ou inferno, que  são o destino final cuja ida jaz sobre um único ato: o reconhecimento do que o Filho de Deus fez por nós. Não tem nada a ver com seus genes ou com sua aptidão. Não precisa ser o mais apto, pois o Único apto é Ele.

O Natal é muito mais que seus símbolos culturais – vinho, peru, chester, Papai Noel, árvore de natal e presente, pisca-piscas na janela e nas casas. Tudo isso é muito bom, lindo e agradável, mas é ainda maior o motivo porque essas coisas existem. Elas existem como parte da comemoração pelo nascimento de Jesus Cristo, o Salvador do Mundo.

Mais que isso: o Salvador do meu mundo.

A Ele, dedico este post e, mais uma vez, dedico este blog, para o próximo ano.

Feliz 2010 a todos.

Abraço e Deus abençoe,

Daniel.

PS: Vejam o video abaixo sobre o verdadeiro significado do Natal, da forma mais brasileira possível.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Assistam: “Autópsia Animal”, no NATGEO!

Olá, queridos leitores!

Programa "Autópsia Animal", episódio "Girafa", do National Geographic Channel.

Programa "Autópsia Animal", episódio "Girafa", do National Geographic Channel.

Acabei de assistir a mais um ótimo programa do National Geographic Channel. Alguns cientistas, entre os quais aparecia Richard Dawkins, faziam a autópsia de uma girafa e, enquanto a dissecavam, analisavam a fisiologia e as estruturas do animal. Quando analisavam a anatomia do seu sistema respiratório, foi ótimo ver o cientista dizendo: “Foi incrivelmente bem projetado… desenvolvido… evoluído!” Pena que a dublagem não pegou, mas foi ótimo mesmo. Mais uma demonstração de como, mediante o maravilhoso design de um animal, é impossível não atribuir finalidade e propósito às estruturas, o que força a admissão de um Designer. Melhor ainda foi ver os cientistas tentando explicar que um nervo seria “porcamente” projetado, porque ele faz um longo caminho do pescoço da girafa até o coração, para voltar, como uma alça. Este mais o por quê da girafa nascer com chifres (cujo desenvolvimento é incompleto) foram os dois únicos exemplos de projeto mal-feito, e convenhamos, não são conclusivos. Pode haver outras explicações. E, embora a conclusão fosse que a girafa está no limite de sua existência como espécie (prestes à extinção), o que é aceito pelo criacionismo sem problemas, o programa ficou recheado de “carambas”, “meu-deus” e “puxa-vidas” referentes à anatomia e fisiologia absolutamente funcionais e solucionadoras de problemas da girafas. Se eles queriam desmerecer o Design Inteligente, só fizeram foi fortalecê-lo. Viva o Designer! E Ele é muito inteligente!

O próximo episódio, Terça, 22 de dezembro, 22h, será a dissecção de uma baleia. Não posso perder! O link para as informações e grade de programação segue abaixo:

http://www.natgeo.com.br/especiais/autopsias-animais/

Aproveitem o show e pensem nos designs.

Abraço e Deus abençoe,

Daniel.

A ilusão dos amores e o amor que não ilude

Não chorem, não sofram, eu estou ABSOLUTAMENTE FELIZ! Era tudo o que eu queria: ter paz eterna com meu Deus e, se possível, com minha mãe. Eu não me suicidei, eu parti para junto de Deus. (…) Saibam todos que tiverem conhecimento desse documento que não estou desistindo da vida, estou em busca de Deus. Não é por falta de dinheiro, pois com o que tenho posso morar aqui, em Floripa ou no Sul. Mas acontece que eu não quero mais morar em lugar nenhum. Eu não quero envelhecer e sofrer. Eu vi minha mãe sofrer até a morte e não quero isso para mim. Eu quero paz! Estou cansada, cansada de cabeça! Não agüento mais pensar, pagar contas, resolver problemas… Vocês dirão: Todos vivem! Mas eu decidi que posso parar com isso, ser feliz, porque sei que Deus me perdoará e me aceitará como uma filha bondosa e generosa que sempre fui.

(…) Se existe sentimento maior que o amor, eu desconheço!” (1)

Leila Lopes escreveu essa carta, e outras a seus parentes, antes de ser encontrada morta, em seu apartamento do Morumbi, ao lado de um frasco vazio de veneno de rato. A polícia investiga como suicídio, e parece que foi mesmo o que aconteceu, pelo que ela passou nos últimos meses. Ela teve o útero retirado por causa da endometriose, que lhe dava dores terríveis. Confessou a uma amiga, alguns dias antes de morrer, que se sentia muito solitária. Então foi encontrada morta, com cartas destinadas a familiares e amigos e até a roupa que gostaria de vestir no enterro. Sua história é muito triste. Depois de ter atuado em novelas de sucesso na Rede Globo, migrou para a indústria de filmes pornográficos, e nunca mais conseguiu voltar a atuar em uma novela, o que era seu sonho. Tornou-se, no YouTube, motivo de zombaria e desrespeito por muitos (não todos) que comentaram vídeos seus.

Ao ler sua carta, fico pensando em sua vontade de encontrar Deus, sua certeza de que seria aceita por Ele, por causa de sua bondade e generosidade, e também no seu post scriptum: “Se existe sentimento maior que o amor, eu desconheço!” E eu me pergunto qual era a definição de amor que ela tinha. Estava completamente errada sobre como seria aceita por Deus (pois Ele nos aceita apenas pela fé em Seu Filho, não pelas boas obras que praticamos), mas esse seu pensamento sobre o amor é intrigante. Neste artigo, às vésperas do Natal de 2009, quero compartilhar alguns pensamentos com você sobre o amor. Vamos ver, com base na Bíblia, se Leila Lopes, e muitos dos leitores, estão certos sobre o amor.

Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. (1 João 4:10)

Desde o versículo 7 do capítulo 4 desta carta, o apóstolo João disserta sobre o amor de Deus. Ele fala coisas lindas, mas deixa você pensando: “Afinal, o que é ‘amor’?” Então, pela inspiração maravilhosa de Deus, ele responde essa questão. Neste versículo 10, fala sobre a natureza do amor, sobre a singularidade do amor e sobre a manifestação do amor. Vamos olhar para cada uma delas.

A natureza do amor

João começa limitando o amor a uma definição. “Nisto consiste o amor”. Ou seja, o amor é somente aquilo que ele vai dizer em seguida. É claro, há diferentes palavras gregas para “amor”, e diferentes tipos de amor, segundo os conceitos que utilizamos em nossa sociedade. Existe o amor de mãe, o amor de irmão, o amor de amigo, o amor de cônjuge, de filho, o amor altruísta (caridoso) e outros tipos. Essas expressões são nossa forma de dizer que gostamos de alguém, que temos por ela simpatia, e… sejamos francos: é difícil definir o amor que sentimos uns pelos outros. O motorista do fretado que me levava para a faculdade achava que o amor de mãe era maior que o amor de Deus. Mas é preciso lembrar que todos esses amores falham. Mães abandonam seus filhos. Amigos abandonam uns aos outros. A caridade pode ser hipócrita. Irmãos nem sempre são tão chegados assim. Filhos nem sempre amam seus pais. Cônjuges adulteram. Assim, isso que chamamos “amor” pode ser apenas uma ilusão.

João não vai falar de nenhum destes amores. Ele não está falando de uma ilusão. Ele está limitando sua definição ao amor de Deus, o único amor que é verdadeiro, perante o qual todos estes sentimentos de que falamos são como faíscas diante de fogueiras. Assim como as faíscas perdem a graça quando você vê uma fogueira grande, e o crepitar da lenha, também esses amores ficam ínfimos perante o amor de Deus.

A singularidade do amor

A definição de João diz o que o amor não é. Você deve ter percebido que ainda não falamos do amor cristão. Seria ele uma ilusão também? Para alguns, certamente, pois há muitos que professam amar a Deus, serem cristãos, mas não passam de arruaceiros no Reino de Deus.

“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!” (Mateus 7:21-23)

“Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele”. (João 14:21)

Somente aquele que guarda os mandamentos de Deus o ama de verdade. Mas também não é deste amor que João está falando. O amor cristão é apenas um espelho do verdadeiro amor: mostra como ele é, mas não em toda a sua plenitude. Talvez você tenha se enquadrado, até agora, no grupo dos arruceiros do Reino. Talvez você tenha percebido o quanto foi iludido até agora. Tem jeito para você? Existe algo que possa tirá-lo da ilusão e consolá-lo?

Lembre-se que o Evangelho nunca, repito, nunca, se baseia no seu amor por Deus, porque você é falho e pecador. Baseia-se e gira em torno do amor de Deus por nós. Não merecemos uma gota deste amor. Não somos nem um pouco louváveis, nem um pouco admiráveis. Até os grandes líderes da história cristã, como Paulo, Lutero, Calvino, Martin Luther King e outros tinham suas falhas e pensamentos obscuros que só Deus conhecia. Mas o cristianismo nunca se baseou neles. O amor de Deus é singular. É sobre ele que precisamos falar, porque apenas ele pode nos tirar da ilusão, e nos transformar completamente em novas criaturas.

A manifestação do amor

O amor de Deus não é palavreado. Nada é mais ativo que o amor. Nunca gostei muito de filmes românticos (embora já tenha visto alguns fantásticos). Gosto mesmo de filmes de ação. Há muito romance neles também, quando o herói sai para salvar a mocinha. Já pensou se o herói ficasse parado? Se o Homem-Aranha deixasse o Duende Verde levar a Mary Jane, e dissesse: “Ah… Há muitas garotas por aí…”. Seria absurdo. Super-Homem sem Lois Lane também é inconcebível… Porque o amor precisa ser demonstrado, manifestado.

O amor de Deus é perfeito porque não ficou só no poema. Veio para a ação. Ele veio até nós, vestido de carpinteiro, morrendo na cruz pelos nossos pecados. Preste atenção à palavra “propiciação”. Ela significa “sacrifício que desvia a ira de Deus”. Deus enviou seu Filho para morrer. Jesus se dispôs a dar Sua vida. O Espírito Santo atuou para que Jesus fosse preso e crucificado, assegurando que alguns não creriam Nele. Os anjos deixaram Jesus sozinho de propósito. Não pense que a crucificação foi estupidez. Não ignore aquele pedaço rústico de madeira. Não olhe para ele com dó. Não feche os seus olhos. Abra-os bem e deixe entrar bastante luz. Grave as imagens em sua memória para sempre e entenda de uma vez por todas: aquele lugar era seu, porque você pecou um dia, ofendendo a Deus, como eu já o fiz. Merecíamos ser condenados à morte eterna. Mas Jesus tomou o nosso lugar, com o consentimento e aprovação do Pai e do Espírito Santo, para desviar a ira de nós. Desviar para onde? Para cima dEle mesmo! É como se o policial honesto prendesse a si mesmo para salvar o ladrão; como se o juiz condenasse a si mesmo para livrar o réu declarado culpado; como se o rei se condenasse à decapitação para salvar o traidor; como se o presidente dos Estados Unidos tomasse o lugar de alguém no corredor da morte. É absurdo, inconcebível, escandaloso! Parece loucura?

“… agradou a Deus salvar aqueles que creem por meio da loucura da pregação.” (1 Coríntios 1:21)

O amor de Deus é a única coisa neste universo que não é ilusão. Até quando você vai ignorá-lo?

Conclusão

Para mim, Leila Lopes desconhecia completamente esse amor. Isso me leva a pensar que, se não o conheceu é porque ou ninguém falou dele para ela, ou ela ouviu falar dele e deliberadamente o ignorou, preferindo acreditar em um sistema de fé que ela mesma criou – o que não entra na minha cabeça. Se você ignora este amor tão grande, motivo de nosso louvor a Deus, por nos salvar sem termos a menor possibilidade de entender por quê, então não há solução para sua vida.

Chegamos a mais um Natal e, enquanto as pessoas armam suas árvores e seus presépios, ignoram completamente o significado da manjedoura: Deus veio ao mundo para salvar os pecadores. Este é o verdadeiro sentido do Natal.

Referências

(1) YAHOO! BRASIL. Família divulga carta deixada por por Leila Lopes. Yahoo! Brasil Notícias, 08 dez 2009, 2h54min. Disponível em: <http://br.noticias.yahoo.com/s/08122009/48/entretenimento-familia-divulga-carta-deixada-leila.html>. Acesso em 14 dez 2009.

RIENECKER, Fritz; ROGERS, Cleon. Chave linguística do Novo Testamento grego. São Paulo: Vida Nova, 1995. p.590

Este artigo foi originalmente um sermão pregado por mim na Igreja Evangélica SOS Jesus em Santo André, no dia 13 de dezembro de 2009.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Conte e Reconte

Queridos leitores,

Neste post vou publicar a poesia de uma amiga minha. Odete Krugner descobriu que é poeta aos 60 anos, e está escrevendo que é uma beleza. Publico em primeira mão sua “Conte e Reconte”. Aproveitem!

Conte e Reconte

Odete Krugner

Conte histórias para crianças,
Com certeza vão gostar
Enquanto você conta
Deixe a criança imaginar.

Pode falar da Cinderela
E também da Rapunzel
Fale do patinho feio
Mas não assuste a criança
Com histórias do lobo mau.

Fale da mentira,
Que faz crescer o nariz
Diga que um elefantinho
Também pode voar.

Tem histórias de porquinhos
Que as crianças vão amar
Com histórias de macacos
Vai fazê-las gargalhar.

Vá agora, mais adiante
Fale do peixe grande,
Que engoliu o homem no mar
Fale do pequeno Davi
Que venceu o terrível gigante.

Conte pra criança
Que Moisés abriu o mar
Moisés?
Fale de Noé, fale da grande arca,
Da bicharada e da Torre de Babel

Fale de um grande amigo,
Fale de uma grande cruz,
Nunca deixe de ensinar,
Que Deus é o papai de Jesus.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Oi! Pessoal!

Desculpem a ausência de três semanas. Além de estar sem Internet estou um pouco sem tempo para escrever, e priorizei a resposta de um leitor, o Yuri, que demandou bastante tempo. Há aindas outras pendentes, mas não as deixarei sem resposta.

Fim de ano… Bastante aluno de recuperação… Bastante aula particular… De fato, não posso reclamar. Mas estou sem tempo mesmo de escrever. Enquanto isso, deixo aqui o link de aum artigo de girsaum, que perguntou no post Criacionismo nas escolas: Ensino Religioso ou Ciências? por que criacionismo não é ciência. O artigo chama-se “Criacionismo não é ciência“. Leiam, porque a discussão promete.

Abraço a todos,

Deus os abençoe,

Daniel.

Ensinar ciências sem acreditar em Darwin: é possível?

teacher

O jornal Estado de S. Paulo publicou, nesta segunda-feira, 2 de novembro, uma interessante notícia. O doutorando Luis Fernando Marques Dorvillé, ao procurar responder à pergunta que dá título a este artigo, passou 8 anos entrevistando alunos para sua tese de doutorado, pela Universidade Federal Fluminense. Afinal, ele não consegue entender como alguém pode ensinar ciências sem acreditar na teoria de Darwin.

Ele distribuiu questionários entre os alunos de todas as religiões. Diante de questões como: “Comente a frase: alguns seres vivos têm parentesco maior entre si do que com outros” descobriu que a desconfiança sobre teoria da evolução chega a 70% entre os protestantes, 30% dos católicos e 20% dos espíritas e umbandistas (1).

A reportagem fala da indignação do pesquisador ante o embate dos alunos, e da acomodação e conciliação dos estudantes frente ao que aprendem. É possível ensinar ciências sem acreditar em Darwin?

Alguns relatos são impressionantes. Um dos alunos, no calor da discussão, disse: “Minha avó não é macaca. Então foi Deus quem criou o homem.” Dói só de ouvir. Outro, mais perturbador ainda, disse: “Eu sei de tudo isso que você está me falando, mas prefiro não pensar muito.” Ainda há o relato de Aline Malafaia, que, para a surpresa de qualquer um que leia a Bíblia e estude Biologia, diz que os 7 dias da criação podem ter sido 7 milhões de anos, nos quais a evolução ocorreu. Absurdo evolucionista, porque a evolução da vida teria levado bilhões (não milhões de anos); absurdo criacionista, porque um Deus que faz milagres diz que criou em sete dias literais, mas ela diz que não; absurdo hermenêutico, porque o que ela disse arruína a interpretação sadia do Livro, e desestabiliza (talvez causando desmoronamento) as bases da fé cristã. Será que ela ensinaria isso na Escola Dominical, já que é sua fé?

Se Darwin não quis conciliar as coisas, por que eu vou querer?

O próprio Darwin não aceitava a conciliação entre o Gênesis e a sua teoria. Para ele, não era possível que um Deus de amor criasse um mecanismo cruel como a seleção natural. Ele evitou o quanto pode que as pessoas conciliassem a teoria da evolução e o livro de Gênesis. E estava certo. Não dá mesmo. Ou se crê na teoria da evolução, ou se crê no relato de Gênesis. Veja bem, estou usando o conceito de fé para ambos os casos, porque é disso que se trata a coisa toda.

Se é assim, o que nós, professores dedicados de ciência, deveríamos fazer? Como um criacionista pode ensinar evolução?

Passei grande parte de minha graduação fugindo dessa pergunta. Até que entendi que a evolução é a teoria mais aceita entre os cientistas, hoje. Bem, pode ser a mais aceita, mas não é unânime, e nem é a única. Ela tem verdadeiros rombos inexplicáveis, e faltam-lhe muitos pedações e pedacinhos. Mas é importante considerar o que deve ser ensinado independente de ensinar transformismo de táxons.

Deve-se ensinar seleção natural. É comprovada. Deve-se ensinar especiação. Deve-se ensinar isolamentos geográficos, reprodutivos. Deve-se ensinar mutações e DNA. Deve-se ensinar taxonomia. Deve-se ensinar geologia. Isso não é teoria da evolução. Isso é Biologia.

Um glossário básico

Teoria da Evolução é o nome que damos à que liga todos esses fatos da biologia à crença de que todos os animais têm um ancestral comum, em uma célula “simples” que surgiu a uns 3 bilhões de anos atrás, fruto do acaso cego que gerou a vida, que se desenvolveu e aumentou em complexidade por ação das mutações e seleção natural, entre outros processos. É o paradigma dominante hoje, e fazem pesquisas com ele.

Por outro lado, Teoria do Design Inteligente (TDI) é o nome que damos à que liga todos esses fatos da biologia à crença de que todo o universo apresenta evidências sólidas de projeto, e que, portanto, tem um Designer Inteligente desconhecido que o projetou. É um paradigma emergente hoje, e fazem pesquisas com ele.

E Criacionismo é o nome que damos à que liga esses fatos da biologia à crença de que tudo isso tem um Designer Inteligente, que pode ser conhecido, e revela-se na Bíblia, sendo o Deus judaico-cristão que chamamos de “Pai nosso que está nos céus”. É um paradigma resistente até hoje, e fazem pesquisas com ele.

Minha revolta é a seguinte…

A sociedade recusa-se a aceitar que a teoria da evolução é sobretudo questão de fé. Portanto, não deve ser ensinada como fato científico. Contudo, para eles, devemos ensinar aos alunos que os peixes evoluíram para anfíbios. Legal. Mas o que faremos quando os alunos perguntarem: “Professor, como eu posso ter certeza que as coisas aconteceram desse jeito?” Ah, já sei! Vamos responder assim, né? “Essa é a posição dominante entre os cientistas.” Em outras palavras: “Você tem que acreditar no que a maioria das pessoas acredita, mesmo sem evidências sólidas, ou explicações adequadas.”

Mas abram-se os livros didáticos, e ver-se-á que a evolução está lá sendo ensinada como fato absoluto. As evidências são arrumadas e organizadas para apoiarem esse paradigma. Não há nem uma palavra sobre a TDI, nem uma explicação sobre o que é criacionismo, senão escárneo. Desse jeito, é melhor chamarmos nossas aulas de ciências de catecismo ao ateísmo. Combina mais com fé que com ciência.

E os estudantes (universitários) cristãos, que poderiam se atualizar, estudar mais e tentar propor uma mudança (que é possível), acomodam-se e deixam-se calar, negando sua fé, moldando-a aos ensinos mutáveis da pseudociência, com o intuito de ter sucesso profissional (leia-se, no caso de alguns, vender-se por dinheiro). Que vergonha para aqueles que se dizem  cristãos e protestantes, pois negam a própria essência do protestantismo e do cristianismo: ter a Bíblia como Palavra de Deus, infalível e inerrante. Preferem acreditar no que as últimas pesquisas dizem, e reinterpretar a Bíblia ao seu gosto, que acreditar no que Deus já disse há tento tempo atrás.

silence

Respondendo a questão

É perfeitamente possível ser professor de Ciências sem acreditar em tudo o que Charles Darwin disse. Isso porque o que o professor de ciências precisa ensinar é Ciências Naturais – Física, Química, Biologia. Mas também deveria poder ensinar evidências que os criacionistas e designers descobrem e propõem, não só as que os evolucionistas propõem (muitas delas desatualizadas e já respondidas, embora as respostas não estejam lá no livro).

Mas podem acreditar no que quiserem. O que não é possível é um cristão sem o Gênesis, sem a Bíblia. Esse tipo de cristão ainda não evoluiu, nem pode evoluir.

Referências

(1) VIEIRA, Márcia. Pesquisa mostra conflito de biólogos evangélicos. O Estado de S. Paulo, p. A14, 2 nov 2009. Disponível em : <http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091102/not_imp459863,0.php>. Acesso em 06 nov 2009.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Uma grande realização para nós: Legendamos um filme (e não é do Youtube!)!

Queridos leitores e visitantes!

Com muita alegria quero anunciar o lançamento do documentário australiano A Viagem que Chocou o Mundo, uma parceria entre Fathom Media e Creation Ministries International. O que isso tem a ver com a gente? Bem… Fizemos as legendas em português para o filme! É um documentário fantástico, que analisa as influências de Darwin na formulação de sua teoria da evolução, enquanto viajava a bordo do HMS Beagle, ao redor do mundo.

Fiquei muito feliz com a oportunidade única, pois é uma chance de multiplicar o nosso trabalho, extendendo-o para além do mundo virtual.

Por enquanto, está sendo vendido apenas no site do Creation Ministries International, no valor de AU$ 27,23 (cerca de uns R$ 43,00), e eles estão dando de brinde o DVD “Refuting evolution” (Refutando a Evolução). Já estou procurando um distribuidor brasileiro para ver se consigo trazê-lo integralmente para cá.

Nestes 200 anos de Darwin, o filme é uma excelente fonte de instrução. Conta com entrevistas de especialistas e dramatizações. É muitíssimo bem feito.

Este documentário fascinante não é uma trabalho belicoso ou um tipo barato de propaganda. Na verdade, deixa que Darwin fale por si mesmo e apresenta sua história através dos olhos de professores e outros que admiram o homem. Nesse processo, porém, emergem suas falhas, confusão e teorias falsas… um dos melhores documentários já produzidos. (Dr Ted Baehr, Movieguide, 1)

Se você acha que Darwin era qualquer coisa menos que genial, precisa ver este filme. E se você acha que ele era qualquer coisa mais que um humano com defeitos, também precisa ver este filme.

Em 1831, um jovem cientista amador, Charles Darwin, embarcou no HMS Beagle em uma viagem de cinco anos de descobertas.

2009 marca o 200º aniversário do nascimento de Darwin e o 150º aniversário da publicação de seu livro, “A Origem das Espécies”. A Viagem que Chocou o Mundo revive a jornada de Darwin, explorando os lugares e descobertas cruciais à formulação de sua Teoria da Evolução.

Filmado na América do Sul, Reino Unido, América do Norte, Austrália e Europa, A Viagem apresenta dramatizações e impressionantes cenas naturais, juntamente com entrevistas com especialistas, que dividem suas perspectivas sobre o homem e a controvérsia.

Uma oportunidade fascinante e provocadora para adquirir novos insights na Viagem que Chocou o Mundo.” (2)

Quero agradecer publicamente a Deus, pela rica oportunidade de fazer Seu trabalho, e agradecer aos leitores e visitantes deste blog, que só o têm feito crescer. A todos vocês meu sincero “obrigado”.

O trailer pode ser visto neste link (3). Para mais informações sobre o filme, veja as referências.

Abraço e Deus abençoe,

Daniel.

Referências

(1) Review Ted Baehr. Disponível em: <http://www.movieguide.org/articles/1/316>. Acesso em 27 out 2009.

(2) Sinopse do filme. Traduzido diretamente de <https://store.creation.com/intl/product_info.php?sku=30-9-543>. Acesso em 27 out 2009.

(3) Trailer oficial do site <www.thevoyage.tv>. Acesso em 27 out 2009.

Aranhas são carnívoras?

São? Qual não foi minha surpresa ao ler o jornal A Folha de S. Paulo de 13 de outubro de 2009 (1), e ver uma matéria incrível. Pensei que não fosse possível uma aranha que não fosse carnívora. Mas é aquela coisa, né? Vida é vida. Por mais que classifiquemos os seres vivos, sempre aparece um que nos surpreende mais do que estamos preparados. E, no meio de 40 mil espécies de aranhas conhecidas, aparece uma que é vegetariana.

Bagheera kiplingi comendo uma ponta de folha.

Bagheera kiplingi comendo uma ponta de folha.

No México e na Costa Rica, vive a aranha Bagheera kiplingi (Bagueera é o nome da pantera-vilã em “Mogli, o Menino Lobo”). Ela se alimenta de folhas de acácia. Acontece o seguinte: as acácias têm uma boa relação ecológica com as formigas: a formiga patrulha a árvore, eliminando outros insetos herbívoros, e a acácia faz o pagamento em pontinhas suculentas das folhas, muito nutritivas para as formigas.

Mas você sabe como são as aranhas… A B. kiplingi, como diz o repórter da Folha, “tira uma casquinha desse bom relacionamento”, comendo as folhas destinadas às formigas. Os cientistas não sabem dizer se isso é parasitismo ou não, pois as relações ecológicas são bastante complexas. Com essa dieta, a B. kiplingi parece ter superado um problema das aranhas: não precisa lançar sobre a presa seus sucos gástricos, para poder sugar o material digerido. Ela “mastiga” e chupa o material vegetal com as quelíceras. Como ela digere as folhas?

Precisamos ir com calma. Se você quer emagrecer, e é convidado a ir a um rodízio, você vai comer salada, mas uma carninha tem que ter! Pois é, a B. kiplingi pensa mais ou menos do mesmo jeito. De vez em quando, ela come as larvas da formiga, só que não é para dar uma colorida no prato, e sim porque provavelmente competem pelo mesmo alimento. Pode ser que essas poucas larvas tragam bactérias da flora intestinal das formigas, responsáveis por digerir as pontas das folhas.

O predatismo

Há algum tempo, publiquei aqui no blog um artigo que apresentou Lea, uma leoa que comia espaguete (2). É um tanto díspare pensarmos em um animal assim. Leões são carnívoros, mas é possível que um deles, saudável, coma material vegetal, cresça forte e com saúde.

Leões e aranhas são animais que chamamos de consumidores nas relações ecológicas. Sempre acima daqueles que comem as plantas – os herbívoros. Uma planta produz, o herbívoro consome a planta e o carnívoro consome o herbívoro. E ainda há carnívoros que consomem esses carnívoros. Passando por tudo isso, estão os decompositores, que consomem todos eles quando morrem.

O que permite essa teia trófica é aquilo que chamamos de predatismo. Nessa relação ecológica, organismos caçam organismos em busca da sobrevivência. Como resultado temos a transferência da energia produzida pelas plantas, na forma de alimento. As relações de predatismo e transferência de energia permitem que a vida seja hoje tão variada e rica como vemos em documentários da Discovery e National Geographic. É uma importante ferramenta para que atue a seleção natural.

Como um Deus de amor tem coragem de idealizar o predatismo?

Uma das coisas que colocou pulgas atrás das orelhas de Darwin foi justamente essa questão. Para ele, era impossível conciliar a doutrina cristã de um Deus de amor com o caso da vespa que bota seus ovos sobre uma aranha; ovos que, quando eclodem liberam larvas esfomeadas que comem a aranha – viva. Como Deus poderia idealizar um negócio tão macabro?

Eu entendo o que Darwin sentia nesse aspecto. É difícil mesmo conciliar. Ainda mais quando se considera o relato de Gênesis uma bobagem inventada, sem qualquer veracidade. Quando pensamos assim, tendemos a não prestar atenção à leitura, e barramos nossa compreensão.

Vou responder a essa questão assim: Deus não quis o predatismo, mas já sabia que acabaria sendo necessário.

Voltando ao Princípio

vegetais

No princípio, criou Deus os céus e a terra. Então, por meio de Sua Palavra foi criando as coisas. Criou as plantas e os animais. E o homem. Como esses organismos manteriam suas vidas, através da alimentação saudável?

Disse Deus: “Eis que lhes dou todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimento para vocês. E dou todos os vegetais como alimento a tudo o que tem em si o fôlego de vida: a todos os grandes animais da terra, a todas as aves do céu e a todas as criaturas que se movem rente ao chão. (Gênesis 1:29-30, NVI)

Aí está: Deus os criou vegetarianos, todos, inclusive leões e aranhas. Alguém pode perguntar: mas a humanidade viveria só a salada e frutas? Ora, basta olharmos para nossas cozinhas, para um belo prato de arroz, feijão, batata e salada. Todos alimentos vegetais, gostosos, saudáveis e fáceis de preparar. Porém, com a Queda e maldade crescente do ser humano, Ele resolveu destruir a tudo com um dilúvio avassalador. Depois desse dilúvio, como havia escassez de provisões, Deus liberou ao homem uma dieta carnívora.

Tudo o que vive e se move servirá de alimento para vocês. Assim como lhes dei os vegetais, agora lhes dou todas as coisas.(Gênesis 9:3, NVI)

Deus previu tudo o que aconteceria. Por isso, programou geneticamente a todos os predadores para desenvolverem o predatismo nesse caso. E programou todas as presas com meios de se defenderem. A seleção natural e a especiação
encarregaram-se do resto.

Conclusão

As crueldades do mundo natural não são responsabilidade de seu Criador, mas do homem, que resolveu desobedecer e condenar o universo a degenerar consigo. Ao olharmos para animais como a B.kiplingi, somos lembrados daquilo que era perfeito, mas que foi amaldiçoado (e continua sendo) por nossa causa. Todavia, a promessa de Deus é que tudo será novo um dia. Novos céus e nova terra , sem predatismo, aquecimento global e crueldades. Isso tudo de graça para quem quiser acreditar no Seu Filho, Jesus Cristo.

Referências

(1) ARANHA DO MÉXICO É VEGETARIANA, afirma grupo de cientistas. Folha de S. Paulo, 13out 2009, p. A16.

(2) CATCHPOOLE, David. Lea: a leoa que come espaguete. Considere a Possibilidade, 13 ago 2009. Disponível em: <http://considereapossibilidade.wordpress.com/2009/08/13/lea-a-leoa-que-come-espaguete/>. Acesso em 22 out 2009.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Justificando a falta

Olá, pessoal!

Estou escrevendo para explicar minha ausência na semana passada. Não publiquei nada porque peguei uma gripe avassaladora, e não tive condições de trabalhar… Aí, vocês sabem, o trabalho acumulou para essa semana e também não produzi nada a tempo (comecei, mas não consegui terminar um artigo).

Peço desculpas, e até semana que vem (se Deus quiser e eu conseguir tempo), quando vou publicar um novo artigo.

Abraço e Deus os abençoe,

Daniel.

“Deus, você está suspenso!”

“Por que os alunos agem assim?”

Essa pergunta é feita por cada professor brasileiro, nesse enorme Brasil, com enormes problemas escolares. Pela palavra “assim”, entende-se “desrespeitosamente”, “irresponsavelmente”, “desonestamente”, “maliciosamente” e por aí vai. Quando somos estudantes dedicados nas carteiras de nossas faculdades, prestando atenção às aulas de Psicologia da Educação, Prática de Ensino e Didática, não percebemos que aqueles problemas discutidos sairão do limbo teórico e invadirão nossas realidades pacatas. Quando finalmente resolvem sair, muitas vezes não sabemos o que fazer, especialmente se somos parte do famigerado grupo de profissionais multi-uso, conhecidos pelo codinome “eventuais”, do qual faço parte.

Embora as respostas a esses problemas sejam sondadas e testadas o tempo todo, e muitas pessoas (incomparavelmente mais competentes que eu) proponham respostas e soluções a eles, a cosmovisão que os alunos têm sobre a realidade é fundamental, e não pode ficar de fora dessa análise. Por isso, apresento-lhes um “estudo de caso”, e proponho uma reflexão acerca do que temos visto.

A invasão do problema

Na última terça-feira, dia 28 de setembro, vivenciei um desses problemas. Ao substituir a professora de inglês, pensei em uma aula sobre meio-ambiente e sustentabilidade, já que minha gramática em inglês flutua entre o básico e o intuitivo. Armado com caixa de giz, diário escolar e canetas, entrei na sala de aula. Primeiro ano do Ensino Médio. “Bom dia”, desejei aos alunos. “Bom dia o #$%!&* !”, ouvi como resposta. Ignorei (em termos) e comecei a redigir o texto, que serviria de base para a discussão e atividade para nota, na lousa. Tentei muitas vezes explicar para poucos alunos, chamando à atenção os inconstantes, mas sendo completamente ignorado.

Minutos derradeiros da primeira aula, véspera do Intervalo. Saí caçando os cadernos que conteriam os preciosos textos, vistando aqueles que fizeram a atividade. Aos alunos que não fizeram, questionava o motivo e o número de chamada. Seriam punidos com “ponto negativo” no diário. Minha mão esquerda ficou cheia de números, de tal forma, que eu parecia ser obcecado por algarismos arábicos.

Eis o problema: dois alunos, que não fizeram absolutamente nada, ao serem questionados sobre seus números, deram-me número de outra aluna (sim, de sexo oposto) e nome de aluno inexistente. Não perceberam que consequências teriam suas ações? Ao pedir a atenção do Professor Coordenador para o caso, ele prontamente atendeu e foi à sala em que eu estava, já depois do Intervalo. Ao ser confrontado com seu crime, um dos dois alunos, então, desafiou-me e, em gesto de intimidação, exigiu que eu anotasse seu número na lista. Foi suspenso por “desrespeito a funcionário público”. O outro aluno foi transferido da escola, pois não foi a primeira vez que desrespeitava um professor, e a escola vinha tentando novas abordagens com ele há tempos, sem sucesso.

O que leva os alunos a tomarem esse tipo de atitude?

A exploração do problema

É evidente que esses alunos queriam se safar de encrencas, com a escola, com os pais e com os amigos. Para isso recorreram a essas atitudes anti-éticas, sem se preocupar absolutamente com suas causas, efeitos, e validade (além da eficácia). Não podemos esquecer que esses alunos estão em formação – são adolescentes, e estão se descobrindo. Mas já têm noções de ética, e sabem muito bem distinguir certo e errado não-relativos. Sabem muito bem que dar o número de outro aluno ao professor vai “ferrar” o outro, e isso é errado em qualquer perspectiva, mas mesmo assim o fazem. Por quê?

Em uma conversa com a professora de Filosofia da escola, observamos que os alunos, hoje, não tem nenhuma preocupação com o futuro, salvo exceções; nem se preocupam com o peso da responsabilidade de suas atitudes (não sentem medo do que virá). Como explicar que, na mesma classe, uma garota diga que quer estudar Física, e outro aluno diga que quer “pegar mulheres”? É interessante perceber isso, como é interessante perceber que os heróis de nossos alunos não são mais o Capitão Marvel, nem o Capitão América, mas o Capitão Nascimento, armado até os dentes, que tortura criminosos. Isso quando os heróis são policiais!

Façamos mais um por quê. Por quê eles perderam esse senso de futuro e de justiça? Dizer que herdam isso dos telejornais, que mostram a impunidade gritante do país e as atitudes esdrúxulas do Senado Federal responde um bocado, mas é pouco.

Botando Deus pra fora da sala

Quando começaram a tirar Deus de cena, o trem descarrilhou. Defendo a laicidade do Estado e da escola, mas deixar de aguçar a curiosidade sobre a existência de Deus é uma atitude tanto extremista como irresponsável. A dúvida gera cuidado. Quem duvida anda na ponta dos pés. Porém, sob a bênção da laicidade, o ateísmo quer nos convencer que Deus tem que ficar longe da sala.

Pois é, olha só no que dá.

É mais do que óbvio que há uma lei moral no Universo. É quase palpável, e está ilustrada na capacidade que temos de saber o que é certo e errado, em termos não-relativos. Algumas coisas são certas para determinadas culturas, mas erradas para outras. Determinadas coisas, porém, são erradas em todas as culturas. Por que esse fato não pode ser discutido em sala de aula? Só porque tem implicações metafísicas? Da mesma forma, por que não discutir as intrigantes impressões de que há uma Inteligência por trás do Projeto do Universo? Por que também há implicações metafísicas? Ora, é óbvio que há. Mas o que se pode fazer? Se a afirmação tem implicações metafísicas, a negação também tem as mesmas implicações. Ou não é metafísico, em uma aula sobre origem da vida, dizer a um aluno que ele é um acidente cósmico sem explicação ou propósito? Não se pode fugir dessas implicações, embora se possa muito bem (como temos feito até hoje) fechar os olhos e assobiar, esperando que ninguém pergunte nada constrangedor na sala de aula, e que levem suas vidas religiosas dissociadas de sua vida escolar, acadêmica, secular.

Professores – educadores – são responsáveis pela formação de seus alunos. Isso inclui principalmente a capacidade de questionar o mundo, as religiões, os fenômenos que nos cercam. A melhor ciência e os melhores cientistas são feitos assim. Escola não é lugar de evangelismo, tudo bem. Mas é lugar de perguntar sobre tudo, e sair de lá com pulgas atrás das orelhas sobre possibilidades. E, por que não, a possibilidade de um Criador, perante o qual deveremos prestar contas de nossos atos?

Isso poderia mudar um bocado nossa vida dentro das salas de aula…

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.