Existe mesmo um projeto de “cura gay” no Brasil?

por Daniel Ruy Pereira

O jornalismo: sempre imparcial. Certo?

O jornalismo: sempre imparcial. Certo?

Então, existia um projeto de “cura dos gays” tramitando por aí, na Comissão de Direitos Humanos do nosso querido e efervescente Brasil, que foi aprovado hoje pela mesma comissão. De acordo com Márcio Falcão, da Folha.com,

O projeto permite a psicólogos oferecer tratamento para a homossexualidade — a chamada “cura gay”, segundo os críticos da ideia, e terá que passar por outras duas comissões da Casa. Feliciano nega que a proposta tenha essa linha. (1)

Eu nunca falei de homessexualidade/homossexualismo aqui no blog, simplesmente por um motivo: ainda estou estudando e entendendo o assunto antes de falar a respeito. Como vocês sabem, preciso entender a doutrina cristã a respeito, o pensamento homossexual, suas reivindicações, seus dilemas e seus ideias. Não se fala do que não se sabe.

De uma coisa eu sei, porém. É impressionante como a mídia às vezes tende a defender e polemizar em torno de uma fantasia…

Não existe projeto de “cura gay”! O que existe é um projeto de decreto legislativo, da autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), que elimina a subjetividade e o possível abuso de poder de conselhos e juízes, com relação ao modo de trabalho de psicólogos e seu relacionamento com pacientes que busquem orientação quanto à sua sexualidade. O projeto propõe o sustar (o cancelamento, digamos) de alguns itens da Resolução 1/99 do Conselho Federal de Psicologia que, na parte que interessa a nós, diz:

“Resolução no 1/1999

Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.

Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Art. 4o – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.” (2)

O que não vale mais

Com o novo projeto, o que NÃO VALE MAIS é o seguinte:

“Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Ora, quem determina qual evento faz esse tipo de coisa ou não faz? Digamos que um evento se chame: “Sexualidade: estudos de caso de traumas de origem sexual e homossexualidade”. Psicólogos não poderiam participar desse evento? Por quê? Traumas de origem sexual não afetam a sexualidade (não estou falando de opção, natureza, ou o quer que seja) de um indivíduo?

“Art. 4° – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.”

Quem determina que o psicólogo reforçou ou está reforçando preconceito contra homossexuais? Se ele disser, numa entrevista, por exemplo: “O paciente X apresenta uma  característica física Y, que se manifesta em práticas sexuais de natureza Z.” (Lembre-se que característica Y pode ser até mesmo de ordem genética. Não importa aqui.) Isso constitui preconceito? Ao que me conta, a comunidade científica ainda está tentando entender o fenômeno da homossexualidade na biologia humana e animal. É proibido perguntar se a homossexualidade pode ser causada, no indivíduo X, pela causa Y, seja ela qual for? É, cientificamente, uma pergunta legítima. Se a única resposta aceita for do tipo “faz-parte-da-natureza-de-cada-um”, isso não pode ser aceito por cientistas.

Além disso, me parece bizarro dizer que “fulano não se pronuciará ou participará de evento tal”. Ora, por que ele não pode participar do evento para ouvir posição A ou B, mesmo que discorde delas, e conhecer o que quer que seja que o ajude a melhorar sua formação? Bem autoritário esse artigo 4…

O que continua valendo

E o que CONTINUA VALENDO?

“Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.”

Assim, os homossexuais podem ficar tranquilos: ninguém vai tentar curá-los. Continua-se crendo, no Brasil, que a homossexualidade não é uma patologia. Não existe, nem nunca existiu, desde 1999, projeto de “cura gay”. Mas existia um abuso de poder nessa resolução antiga.

Nesses dias em que a massa popular se revolta com a postura da mídia, entre outras coisas, não se pode esquecer do papel do jornalista, esclarecido, pra fechar, por Reinaldo Azevedo.

Os tais trechos da resolução, entendo, são mesmo autoritários e inconstitucionais. E têm de cair. E o que parece, isto sim, não ter cura é a vocação de amplos setores da imprensa para a distorção. Cada vez mais, a notícia se transforma num instrumento para privilegiar “os bons” e satanizar “os maus”. Isso é militância política, não jornalismo. (3)

Referências

(1) FALCÃO, Márcio. Marco Feliciano ameaça “rebelião” se governo interferir no projeto “cura gay”. Folha.com. 19 junho 2013. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/06/1297589-feliciano-nega-provocacao-as-manifestacoes-e-recomenda-juizo-a-maria-do-rosario.shtml&gt;. Acesso em 19 junho 2013.

(2) CAMPOS, João. Projeto de Decreto Legistalivo n. ___ de 2011. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=CF29AFC3A8432B845A8A210DE4434D2A.node2?codteor=881210&filename=PDC+234/2011&gt;. Acesso em 19 junho 2013.

(3) AZEVEDO, Reinaldo. Lá vem mais barulho na comissão presidida por Feliciano… Blog do Reinaldo Azevedo. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/la-vem-mais-barulho-na-comissao-presidida-por-feliciano-agora-imprensa-inventa-que-projeto-autoriza-cura-gay-e-trata-homossexualidade-como-doenca-e-mais-uma-mentira-influente-ou/&gt;. Acesso em 19 junho 2013.

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Novo Fascículo: Invasão Alienígena, Capítulo 9 (Fas033)

Queridos leitores!

Tudo bem?

Estou aqui só pra postar o novo fascículo 033 do livro de Gary Bates, “Invasão Alienígena”. Dessa vez, vem o capítulo 9 inteiro.

Na quinta, talvez (e bem talvez) eu consiga postar a primeira parte do capítulo 10. Veremos!

Você pode fazer o download (do 4shared) clicando aqui. Também vou armazená-lo lá no etezinho da coluna ao lado.

Boa leitura!

Abraço,

Daniel.

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Sobre os comentários dos leitores

Olá, queridos leitores!

Só passei pra dar um esclarecimento. Existem alguns comentários de leitores que foram aprovados, mas não respondidos. Isso deve-se a alguns fatores.

1. Falta de tempo, pois estou priorizando o trabalho e, no blog, a tradução do livro de Gary Bates.
2. O tamanho das respostas, pois veio uma safra excelente de perguntas! Como eu não gosto de deixar uma boa pergunta sem uma boa resposta, preciso dedicar tempo a cada uma delas (O Diego que o diga… A resposta ao post dele demanda um artigo só para isso!)

Por isso, peço paciência a vocês. Estou quase de férias, e vou atualizar tudo.

Abraço,

Daniel.

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Novo Fascículo do “Invasão Alienígena” disponível!

Olá, queridos leitores!

Com muita alegria, depois de uma hiato de quase um ano, volto a postar a tradução do livro de Gary Bates: “Invasão Alienígena: a conexão entre óvnis e evolução”. Pra quem não conhece, é um livro fantástico que analisa a fundo os movimentos ufológicos e aquilo que os ronda. Em nossos tempos, considero leitura obrigatória.

Com este fascículo – o 32 – concluímos o capítulo 8 e chegamos à reta final. Mais umas 100 páginas só! Pra quem já traduziu 300, isso vai ser moleza!

Para baixar o arquivo (que está no 4shared.com), clique no alienígena que está na coluna direita do blog e, depois, no link correpondente.

"Ebaaaaaaaaaaaaa!!! Achei que nunca mais fosse terminar esse livro!!!

“Ebaaaaaaaaaaaaa!!!
Achei que nunca mais fosse terminar esse livro!!!

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Retomando o trabalho…

Olá, queridos leitores!

Faz tempo que não apareço no meu próprio blog… Um começo de ano muito conturbado, cheio de trabalho e estudo, então, não rolou mesmo… Tentei e arrisquei uma publicação aqui e ali, mas nada muito constante. Dei muita atenção aos comentários de muitos leitores. (Inclusive o do Diego, que está virando artigo).

Pretendo mudar isso a partir dessa semana. Os leitores mais assíduos sabem que estamos publicando, ao longo do tempo, a tradução do livro “Invasão Alienígena“, de Gary Bates. Vamos retomar este trabalho, pois quero concluí-lo até julho. A publicação continuará a ser semanal, na forma de pdf.

Além disso, estou preparando uma série de outras traduções, contando com a ajuda de uns novos amigos que arrumei no facebook! Vamos ver como a coisa vai.

No mais, obrigado pela leitura e apoio e preocupação de todos.

Abraço,

Daniel.

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A maravilhosa cabeçada do pica-pau!

Artigo traduzido de: Creation 34(3):43.  de 1997. Julho 2012.Título original: “Woodpecker: head-banging wonder”. Copyright Creation Ministries International Ltda. Usado com permissão. Tradução de Daniel Ruy Pereira. Revisão de Saulo Reis e Natã Gomes.
Phlceotomus pileatus pileatus, uma espécie norte-americana. Imagem wikipedia.org, editada por mim no Snapseed

Phlceotomus pileatus pileatus, uma espécie norte-americana. Imagem wikipedia.org, editada por mim no Snapseed.

por David Catchpoole*

O pica-pau martela a madeira com o seu bico. Assim, faz buracos nas árvores para se alimentar, ou para escavar buracos de armazenamento ou ainda cavidades para fazer seu ninho.

As forças de impacto da bicada são imensas. A cabeça do pica-pau subitamente pára de forma abrupta quando o bico atinge a madeira, resultando em forças de desaceleração na ordem de 1200 g (isto é, 1200 vezes a força da gravidade) (1). Em um forte contraste, apenas 300 g deixariam um humano com concussão ou com sérios ferimentos no cérebro. Alguns pica-paus podem mesmo ser capazes de tolerar forças de impacto maiores de 6000 g! (2) E isso em repetidas cabeçadas – cerca de 18 a 22 vezes por segundo (3) – mesmo assim, sem sinal de desmaio ou dano cerebral.

Um grande desafio que confronta os engenheiros é a necessidade de um novo sistema de absorção de choque para a proteção de micro-dispositivos, isto é, o melhoramento da tolerância às forças-g para a utilização em ambientes de altas forças-g. Impressionados com a resistência da cabeçada dos pica-pau, uma equipe de engenheiros investigou seu “avançado mecanismo de absorção de choque” (1, 4)

Com a ajuda de imagens de tomografia computadorizada de raio-x (TC) das estruturas esqueléticas do pica-pau, os engenheiros compreendaram as capacidades de absorção de choque

- do bico feito de material elástico;

- do aparato hióide (músculos e tendões que dão apoio à garganta e à língua, além de reforçarem a cabeça);

- de um osso esponjoso especialmente localizado atrás do bico;

- de um osso especial do crânio, que contém líquido espinal.

Todas essas características “se enfileiram”, amortecendo e dissipando, sequencialmente, as “excitações mecânicas”, impedindo dano cerebral (1). Outros pesquisadores confirmaram que é o efeito combinado dessas características que confere proteção, mais que qualquer outro fator analisado (5, 6).

Inspirado pelo osso esponjoso que absorve impacto no pica-pau, os engenheiros utilizaram os mesmos princípios com substâncias metálicas e elásticas para projetar um sistema de absorção de choque com a finalidade de proteger micro-dispositivos comerciais.

Quando testados a 60.000 g, a teconologia inspirada no pica-pau reduziu a taxa de falhas de micro-dispositivos para apenas 0,7%, comparados aos 26,4% dos métodos de absorção de choque convencionais – uma grande melhoria (1). Esses mesmos princípios da antomia do pica-pau poderiam guiar o projeto de capacetes mais eficientes e outros dispositivos para proteger a cabeça de pilotos e trabalhadores (5).

Parece que os engenheiros podem reconhecer um bom projeto quando o veem (7). Nós também deveríamos (Romanos 1:20).

Referências e notas

(1) Yoon, S.-H. e Park, S., A mechanical analysus of woodpecker drumming and its application to shock-absorbing systems, Bioinspiration & Biomimetics 6:016003, 17 janeiro 2011.

(2) Gibson, L., Woodpecker pecking: how woodpeckers avoid brain injury, Journal of Zoology 270(3):462-465, 2006.

(3) Algumas vezes até mais rápido, por exemplo, o Picoides scalaris, um pica-pau norte-americano, é conhecido por atingir uma árvore a 28,4 batidas por segundo, e essas batidas se repetem de 500 a 600 vezes por dia. (Ref. 1)

(4) Eles também louvam o bico como sendo um “cinzel especializado, eficaz ao perfurar uma árvore; ao contrário dos cinzéis manufaturados, o bico é auto-afiante” – ref. 2.

(5) Wang, L. e cinco outros colegas, Why do woodpeckers resist head impact injury: a biomechanical investigation, PloS ONE 6(10):e26490, 2011.

(6) Assim, no primeiro pica-pau, todas as características já deveriam estar presentes e funcionais. Para mais exemplos veja www.creation.com/irred-complex.

(7) Para mais exemplos de engenheiros copiando os projetos da natureza, veja www.creation.com/biomimetics.

*David Catchpoole, B.Ag.Sc. (Hons.), Ph.D., trabalhou com fisiologista vegetal e educador científico, especializando-se em agricultura e horticultura tropical. Ele trabalha tempo integral para o Creation Ministries International, na Austrália.

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A Maravilhosa Cruz (Isaac Watts)

"Vejo a Maravilhosa Cruz". Imagem stock.xchng

“Vejo a Maravilhosa Cruz”. Imagem stock.xchng

Isaac Watts (1674-1748, Southampton, Inglaterra) foi um escritor de hinos (maravilhosos) que escreveu mais de 700 hinos ao longo da vida. Alguns de seus hinos têm tradução para o português, mas, até hoje, ainda não vi uma tradução portuguesa ou brasileira do “When I Survey the Wondrous Cross” (1707), que é um dos hinos mais lindos que já li/ ouvi/ cantei. Então decidi fazê-la, já que o assunto da “maravilhosa cruz” não tem saído de minha mente ultimamente.

Há várias histórias sobre este hino. Dizem que o grande Charles Wesley (irmão do John, fundador da Igreja Metodista), também escritor de hinos, disse que “daria todos os outros hinos para ter escrito este”. Outra história, provavelmente mais lendária (2), conta o seguinte:

“Em certa tarde de domingo, o jovem Isaac Watts reclamava dos hinos deploráveis que eram cantados na igreja (…). Seu pai, o pastor da igreja, o desafiou: ‘Gostaria de ver você escrever algo melhor!’ Diz a lenda que Isaac foi para o seu quarto; apareceu várias horas depois com seu primeiro hino, que foi entusiasticamente recebido pela igreja, naquela mesma noite, na reunião de Domingo à noite.

Nessa época de crise artística da igreja brasileira, não faria nenhum mal (pelo contário, faria um bem danado) revisitar e voltar a cantar hinos como este. Assim, publico minha tradução. Em itálico, no início, está a tradução de um refrão contemporâneo para a canção, cujo compositor desconheço. Resolvi colocá-lo como epígrafe.

Vejo a maravilhosa cruz
Isaac Watts
Tradução de Daniel Ruy Pereira

Ó, maravilhosa cruz! Ó maravilhosa cruz!
Era o meu lugar, mas
Cristo quis me redimir

Ó maravilhosa cruz! Ó maravilhosa cruz!
Era o meu lugar, mas
Por que Jesus quis ir por mim?

Vejo a maravilhosa cruz.
Ali o Rei da Glória pereceu
O brilho do ouro perdeu a luz
E meu orgulho desapareceu

Não me permita vangloriar,
Senhor, pois, salvo fui em Jesus
O mundo jamais vai saciar
Os corações, por Ti, perplexos

Teu sangue, rosto, alma e ser
Fluem tristeza; escorrem amor!
Alguma vez veio a aparecer
Coroa com tal esplendor?

O carmesim desse teu sangrar
Corre, choroso, até o chão
O mundo, então, quero enterrar
(Diante de Ti, seus bens murcham)

Minha humana condição
O Senhor, um dia, abraçou
Amor divino! Grandiosa ação!
Exigem tudo o que eu sou…

A Cristo, que o pecado venceu
(Sua dor, suas chagas, redimem),
Seja o louvor do que renasceu
Pra todo sempre, e sempre, amém!

Referências

(1) WATTS, Isaac. “When I survey the wondrous cross”. Disponível em: http://www.cyberhymnal.org/htm/w/h/e/whenisur.htm. Acesso em 24 mar 2013

(2) WATTS, Isaac. “When I survey the wondrous cross”. Disponível em: http://www.hymnary.org/text/when_i_survey_the_wondrous_cross. Acesso em 24 mar 2013.

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